Tenho dúvidas que este meu esforço seja recompensado, dado que desde sábado não tenho tido internet por mais voltas que tenha andado a dar no sentido de resolver a situação. O pior ainda é que ninguém me soube explicar o que se passa. Hipóteses, mais hipóteses e o certo é que estou sem a minha companheira das horas de tédio. Falta de rede?... assim tão prolongada? E só agora?... e porque não antes? Não sei. Só sei que foi preciso mudar de sítio para ver uma luz ao fundo do túnel (não gosto nada desta expressão, mas agora saiu) e não sei por quanto tempo...
E tinha pressa, tenho pressa, para tecer algumas considerações acerca da pessoa do Carlos Silva (Tintinaine), relacionadas com uma viagem que fez a Trás-os-Montes, onde conseguiu descobrir um ex-camarada de armas num estado de saúde que todos lamentamos, conhecendo-o ou não.
Depois de ler o conteúdo do seu blogue ensaiei um comentário. Prestes a enviá-lo pensei: não, isto é sério de mais para ser respondido com um simples "coitado do Ramiro, oxalá melhore" e lugares comuns do género com reduzido impacto. Vou é fazer um blogue, que tem outra expressão e oferece uma leitura mais alargada.
Efectivamente, e mais uma vez, o Carlos evidenciou e deu provas de sentimentos raros nas siciedades em que vivemos. A solidariedade para ele não se afere por um almoço de aniversário nem se confina a um convívio periódico. Fôssemos todos assim, e a espécie (dita) humana actual seria mais justa, solidária, cooperante e feliz. Quem - pergunto eu - se importa ou quer saber se A ou B nosso conhecido ou ex-companheiro está bem instalado na vida, tem saúde ou já morreu? Não exagero se disser que muito poucos. Os seus gestos enobrecem-no e são um forte motivo de reflexão para toda a gente.
Carlos, agora vou dirigir-me expressamente a ti para fazer-te uma revelação: - Não concordo com (muito poucas) convicções e posições que defendes. A minha educação, porém, por índole e formação, aconselham-me a respeitá-las. E não sendo eu religioso, ou, para ser mais explícito, não acreditando em deuses nem em santos tive, na minha infância, práticas religiosas (impostas, claro está). Ia à missa, à doutrina (creio que se chama agora catequese), ao terço, participava em procissões, não me deixavam ir para a cama sem primeiro rezar, etc., etc. Ah, nunca comunguei nem me confessei. Nem para me casar. O padre bem me ameaçou de que me não casaria se não me confessasse. Respondi-lhe que não me importava porque ia "casando" na mesma... Ainda trocámos algumas palavras na sacristia, a seu pedido, mas quando começou a entrar por vias do foro pessoal, íntimo, deixei-o a falar sozinho e saí porta fora berrando que "isto não é confessar, é desconversar"!
Mas... dentre algumas passagens nas homilias destaco esta metáfora proferida pelo padre que nunca mais esqueci: - Numa maçã podre há sementes que, aproveitadas, poderão dar frutos sãos. Tu és a semente sã que cada vez mais raramente se vai encontrando nesta sociedade podre em que estamos atolados.
Um abraço.
Obrigado pelas palavras bonitas que, se calhar, nem mereço.
ResponderEliminarEsses falhanços da internet são uma grande chatice. Felizmente no sítio onde moro estou livre desse martírio.
Quanto ao Ramiro, talvez não se lembre dele, mas era um dos grumetes do 2º pelotão da Companhia de Fuzileiros Nº 2, conhecido pela alcunha de Mirandela. A vida dele não tem sido nada fácil nestes últimos anos, em deslocações constantes ao IPO do Porto. Numa situação destas nem as melhoras lhe podemos desejar, mas apenas que vá vivendo um dia de cada vez da melhor maneira possível.
Gostei.
ResponderEliminarAqui está um homem que tem brio no que escreve e como o escreve! Apostaria que não vai em acordos ortográficos, de jeito nenhum, como diz o brasileiro.
ResponderEliminarQuanto à apreciação do 'Tintinaine', não é novo, uma vez que fui eu a propor uma estátua, já umas quantas vezes ao dito... só que a malta não me leva sério, quando falo verdade. A ver vamos…
Quero, para finalizar, dar os parabéns ao autor deste blogue, como diz o sábio povo: “melhor tarde do que nunca...” ou será que deveria perguntar - será mesmo tarde? Penso que não.
Sem mais, estimo que a vida seja mutuamente longa para que assim nos vejamos em mais uns encontros e não só...
Um abraço.
Num mundo em que nos fazem desconfiar de tudo e de todos, ainda prevalece aquela sã amizade e camaradagem que foi criada entre fuzileiros, é de louvar a carolice do amigo "Tintinaine", que continua a querer saber do paradeiro de ex. companheiros e a proporcionar-nos estes saudáveis encontros anuais, estou de acordo com o amigo Leiria, este fuzileiro já merece mais que uma estátua, merece galões e condecorações pelo que tem feito pela união marinheira, eu propunha um evento em sua homenagem, mas não a título póstumo.
ResponderEliminarO meu abraço
Estes ex-fuzileiros
ResponderEliminarNa terra ou no mar
Amigos verdadeiros
Na verdade mergulhar.
Amigo Albertino Veloso
Assim é que é falar
Não se querendo confessar
Com um padre teimoso!
Lá o deixou sozinho
No confissionário a fala
Estava a ouvir caladinho
O padre a desconversar!
Bom fim de semana para você,
amigo Albertino Veloso,
um abraço
Eduardo.
Corrijo: No confessionário a falar!
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