ARTES E LETRAS
E LETRAS COM ARTE –
ESCREVER
& ESCREVINHAR
… Do alto da
minha insignificância literária permito-me dizer que o bom escritor não tem de
ser aquele que domina na perfeição a Língua em que escreve. Para mim o escritor
ideal será sempre aquele que do universo da sua imaginação (âmbito da ficção)
ou fundamentado em suportes reais (histórias verídicas) retira as melhores
ideias e as reúne, ordena e constrói um discurso interessante do ponto de vista
recreativo, cultural e pedagógico. Pode compor um texto aqui e além salpicado
de erros ortográficos e ou gramaticais (e isso poderá acontecer e acontece
muitas vezes por mera distracção) que não verá o valor intrínseco da sua obra
ser amesquinhado. Porém pode, pelo contrário, o trabalho obedecer a um perfeito
domínio da Língua e não despertar o menor apreço pela leitura se as ideias
forem escassas e monotonamente repetidas, os termos repisados, tudo a tornar-se
numa ementa literária insípida e enfadonha.
Aparecem
de tempos a tempos por aí uns pseudo-escritores e outros candidatos a tais que
deixam, numa primeira análise dos seus escritos, uma sensação de frustração (ia
dizer burla…) pelo dinheiro investido e o tempo gasto, tal a pobreza publicada!
A história até poderá entusiasmar se bem contada, mas… por quem tiver arte para
a contar.
O bom
escritor não é aquele que tem por detrás dele uma bem montada máquina
publicitária para fazer escoar livros não raro de qualidade a rondar a
mediocridade para fazer dinheiro, mas o que sabe realmente escrever, narrar
histórias com simplicidade, despertar o entusiasmo pela leitura, ainda que se
mantenha ferrenhamente enclausurado no anonimato.
Escritores
conhecidos mundialmente?... Não gosto da maior parte. Nem dum Prémio Nobel da
Literatura de nome José Saramago. Tenho algumas obras dele. Comecei-as todas e
não terminei nenhuma; ou melhor: terminei antes de chegar ao fim… Se aquilo é
Literatura eu sou o rei das Berlengas! Claro que o defeito deve ser só meu por
desvalorizar o que muitos sublimam. Mas esse é um direito que tenho: gostar do
que gosto e jurar fidelidade à minha eterna ignorância.
Como
sempre tenho dito, mantenho-me leal à grafia antiga.