Quando os políticos, na sua avassaladora maioria, nos acenam em actos eleitorais ou outros de cariz patriótico com propostas mirabolantes na mira do nos conquistarem o voto (ou a confiança) para virem a ser nossos governantes, já sabem de antemão que (quase) tudo que nos propõem é mentira e que, conseguido o almejado poleiro o que vão fazer é governar-se em parceria com as suas excelentíssimas clientelas. Portanto, o inverso daquilo que nos oferecem!
As regras deste jogo estão viciadas. E sujas. Os partidos políticos fazem pela vida... deles. Em Portugal não passam de meras agências de emprego para os seus membros, dos familiares, dos amigos e amantes. Quem neles vota só serve de ponte e veículo que os há-de transportar ao paraíso desejado. Lá chegados, atiram-se que nem gato a bofe à destruição dos valores materiais e morais de quem lhes concedeu a passagem. E passam a olhar, com revoltante desprezo, para quem os colocou onde estão. A paga é miserável. O poder já lhes pertence; o poder avilta as pessoas.
Dentro dos próprios partidos as disputas pelos lugares de maior relevo e intesse são uma constante luta fratricida, fazendo cada um "tábua rasa" da ética e da honra que devem nortear os comportamentos.
Pedir coerência e respeito pela verdade a um político é pedir-lhe o (para ele) impossível... porque não sabe o que é isso. O Sim e o Não, respeitantes ao mesmo assunto, têm para o político um valor igual. Depende só do momento em que é proferido e do interesse que possa ter para si e ou os seus apaniguados.
A quem interessa os métodos adoptados para a eleição (nomeação) dos deputados? Ao País não é de certeza. Para a Assembleia da República (AR) empregam o método de Hondt; para a formação dos governos funciona "a ditadura da maioria"! Porquê? Ora se o povo, ao votar, manifesta a vontade de quem quer a representá-lo no governo, lógico e transparente seria que uma governação supostamente democrática assentasse em elementos saídos de todos os partidos representados na AR. Fosse pelo método de Hondt , fosse pelo método da proporcionalidade. Assim, como está, não passa de um embuste travestido de coisa séria.
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
A Política e o Poder - 3ª Parte
Dirão os espertalhões que "ah, não senhor, não é assim, os cidadãos que não têm nenhum dos seus votados nos governos têm-nos na Assembleia da República (AR)". Ora como todos sabemos ou deveríamos saber não é a mesma coisa. O que se passa é que os eleitores colocam, pelo voto, na AR os eleitos e estes, ali chegados, "estão-se nas tintas" para quem os elegeu, para se entregarem a uma refrega político-partidária sem tréguas na procura de concertações, acordos ou coligações com o objectivo único de açambarcarem o poder e com isso chamarem a si todo o bolo, não deixando que a mais ninguém caiba sequer uma delgada fatia. A isto chamemos-lhe tudo menos democracia. Democracia é, também, repartição do poder. Empregando o método que mais se coadune com a verdade e a boa-fé.
O partido mais votado ou ganhador não é ou não devia ser, o legítimo representante dum povo. Outros partidos também o representam. Assim, é difícil perceber o por quê de ser só o agrupamento (partido ou coligação) maioritário a formar governo; em vez de, se houvesse seriedade e isenção nos políticos, ser formado por elementos saídos das formações com assento na AR. O primeiro ministro, esse sim, sairia sempre do partido mais votado. Todos os outros seriam os respectivos partidos a designá-los (ainda que coubesse ao chefe do futuro governo organizar a equipa governativa). Se assim fosse seria democrático; o contrário não passa duma farsa, cuja finalidade é um ataque cerrado ao apetecido poder. Tudo em nome dum povo ludibriado e tanso. Que não penaliza, quando tem "o queijo e a faca na mão", isto é, no acto eleitoral não sacode do poleiro os papagaios prevaricadores que tanto mal fazem à Nação e suas gentes. Esse povo masoquista que é ofendido na sua dignidade de ser humano, sabe quem o ofonde mas... volta sempre a cair nas mesmas armadilhas! Resignado, de braços cruzados, e teima em assistir ao desfile dum folclore degradante e já bem seu conhecido.
APOLÍTICA E O PODER - 1ª Parte
Uff!, até que enfim... Andei por aqui às voltas desde que comecei a meter-me nestas embrulhadas dos blogues a tentar saber onde paravam a primeira e a segunda partes de A Política e o Poder, mas já as encontrei. Como os que me têm seguido desde o início sabem, só apareceu a terceira e última parte. Pronto, hoje vou começar a pôr cá para fora o que andou por aí perdido. Aí vai:
-------oOo-------
Diz-se que a Política é a ciência ou arte de governar, etc., etc. Também se diz que a Política é astúcia, esperteza.
Ora não querendo eu elevar-me à pomposa cátedra de experto da matéria mas também não estando disposto a ficar-me pela ingénua aceitação de tudo que se tenta impingir aos lorpas, atrevo-me a dizer que a Política é dos conceitos mais puros que a Humanidade alguma vez concebeu para a construção da sua própria felicidade.
Pois... o mal é que a Política é conduzida pela pior classe que a infesta: a classe dos... políticos! São eles que a adulteram e adaptam aos interesses dos seus clãs, relegando para longe ou hostilizando até, todos aqueles que os rodeiam ou andem nas proximidades. Em suma: são insaciáveis, sendo capazes até de praticar, se nisso virem vantagens, canabalismo político.
Claro que não estou a inventar nada. Tudo que eu possa estar aqui a escrever, insinuar ou afirmar é por de mais e de toda a gente conhecido. Trata-se tão-somente de uma constatação o que, impotente para deter o que é evidente, me força a soltar um grito de inconformismo.
A (enorme) diferença que há entre Política e políticos é: a Política, entendida pela óptica da civilidade e boa-fé, aponta para o desenvolvimento e defesa do bem comum; os políticos, aqueles que da Política vivem (não confundir os que para ela vivem) o que procuram é fama, poder e lucro. As excepções, por tão raras, nem se dão por elas.
Uma explicação: - Presumo que terão reparado em eu escrever política sempre com inicial maiúscula. Pois bem, é assim que eu trato sempre o que é sublime, substancial e concreto. E como para mim Política e Religião são dois conceitos sagrados, dou-lhes o (que considero) devido tratamento. Convém todavia deixar claro que sou absolutamente ateu. Isso não impede, porém, que respeite QUALQUER religião, por ter a convicção de que nenhuma aponta para caminhos ínvios. O mesmo não digo de políticos e religiosos. Uns e outros, pelas suas práticas, negam tudo que dizem seguir.
Esperem pela 2ª Parte.
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Diz-se que a Política é a ciência ou arte de governar, etc., etc. Também se diz que a Política é astúcia, esperteza.
Ora não querendo eu elevar-me à pomposa cátedra de experto da matéria mas também não estando disposto a ficar-me pela ingénua aceitação de tudo que se tenta impingir aos lorpas, atrevo-me a dizer que a Política é dos conceitos mais puros que a Humanidade alguma vez concebeu para a construção da sua própria felicidade.
Pois... o mal é que a Política é conduzida pela pior classe que a infesta: a classe dos... políticos! São eles que a adulteram e adaptam aos interesses dos seus clãs, relegando para longe ou hostilizando até, todos aqueles que os rodeiam ou andem nas proximidades. Em suma: são insaciáveis, sendo capazes até de praticar, se nisso virem vantagens, canabalismo político.
Claro que não estou a inventar nada. Tudo que eu possa estar aqui a escrever, insinuar ou afirmar é por de mais e de toda a gente conhecido. Trata-se tão-somente de uma constatação o que, impotente para deter o que é evidente, me força a soltar um grito de inconformismo.
A (enorme) diferença que há entre Política e políticos é: a Política, entendida pela óptica da civilidade e boa-fé, aponta para o desenvolvimento e defesa do bem comum; os políticos, aqueles que da Política vivem (não confundir os que para ela vivem) o que procuram é fama, poder e lucro. As excepções, por tão raras, nem se dão por elas.
Uma explicação: - Presumo que terão reparado em eu escrever política sempre com inicial maiúscula. Pois bem, é assim que eu trato sempre o que é sublime, substancial e concreto. E como para mim Política e Religião são dois conceitos sagrados, dou-lhes o (que considero) devido tratamento. Convém todavia deixar claro que sou absolutamente ateu. Isso não impede, porém, que respeite QUALQUER religião, por ter a convicção de que nenhuma aponta para caminhos ínvios. O mesmo não digo de políticos e religiosos. Uns e outros, pelas suas práticas, negam tudo que dizem seguir.
Esperem pela 2ª Parte.
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
FEIOS, PORCOS E MAUS
Tenho uma ténue ideia de que isto é título de filme ou de livro. Se não é, bem podia ser título deste "filme" que todos os dias se vê em Portugal...
1. FEIOS - Não seremos mais nem menos feios do que aqueles que sendo naturais ou residentes noutros paises enfrentam os mesmos problemas que nós e em iguais circunstâncias. Realmente, querer-se trabalhar e não conseguir por falta de emprego; querer-se pôr comida na mesa para alimantar filhos, mulher e a si próprio (e quantos têm também pais e ou sogros para tratar?) e não saber onde ir buscá-lo; ver que há na família alguém a precisar de médico e de medicamentos e não poder acudir-lhe por falta de meios económicos nem uma segurança social digna desse nome; ver-se forçado a retirar os filhos da escola por não poder lá mantê-los; ver que lhe cortaram a água, a electricidade e o gás por falta de pagamento e como se não bastasse ainda o puseram no "olho da rua" por incumprimentos sucessivos com a renda da casa; ver-se na rua a engrossar a legião dos sem abrigo ou um regresso a casa dos pais que também foram remetidos para a miséria ou recorrer à sopa dos pobres que igualmente navega em águas muito turvas ou ainda enveredar pelo caminho do crime como tábua de salvação para sobreviver; olhar para trás e ver que pelo caminho vieram sendo enterrados todos os seus sonhos, primeiro o emprego, a seguir o carro, a casa que estava a ser paga, a separação do cônjuge ou companheiro/a, dos filhos (que nenhum dos pais sabe onde e como estão) e sem esperança duma vida melhor, que cara se pode mostrar ao mundo se não uma cara feia, um semblante sombrio e doente?
2. PORCOS - A minha primeira pergunta vai para os importadores de suinos ou de carne de suino: - Porquê mandar vir de fora se temos em quantidades assustadoras "disso" cá dentro? Não faz sentido, sendo nós reconhecidamente um país de porcos. Os nossos governantes, sem excepção, substituem a sua falta de vontade para desenvolver uma cultura cívica colectiva pelo cultivo e proliferação de porcos. E se houver quem duvide desta asserção convido-o a percorrer Portugal de lés a lés procurando indagar por onde passa como vamos (somos) em matéria de asseio. Constatará, sem ser minucioso, que os nossos ribeiros, ribeiras e rios perderam a sua principal função que é (deveria ser) o escoamento das águas pluviais e de nascentes, porque deles fazem lixeiras e esgotos de poluentes e assassinas substâncias (semi)líquidas, com elevados prejuizos para a saúde humana, animal e vegetal. Verá que por essas prais fora "tropeçará" a cada passo com toda a espécie de detritos, dentre os quais sobressaiem garrafas e sacos de plástico, preservativos e pensos (pouco) higiénicos, mesmo com receptáculos ali próximo em muitos locais. Dentro das vilas e das cidades verá pessoas aflitas para urinar ou defecar à procura dum esconderijo onde se possam aliviar porque não há retretes públicas construídas ou as que havia foram fechadas para as autarquias não gastarem dinheiro com a sua limpeza e conservação, mas alegando falta de verbas ou atribuindo culpas aos vândalos.
Crise económica e vandalismo têm as costas largas para alombarem com desculpas de mau pagador... Sempre escasseou o dinheiro necessário para acudir a todas as carências; sempre os vândalos fizeram o que melhor sabem fazer: destruir; e sempre estes problemas foram resolvidos porque socialmente justificados. O que estamos é a assistir a uma ganância sem limites, em que a avidez do lucro fácil se sobrepõe à iminência dum sofrimento físico e psicológico.
As bestas humanas desta quinta de ricos e redil de miseráveis não se coibem de encerrar um bem necessário para o porem a render, o que mais uma vez e sempre prova que para eles o dinheiro está primeiro que as pessoas. O que se diz das autarquias serve também para a CP (Combóios de Portugal), que nas estações de maior concentração de passageiros, vendo aí mais um filão a explorar, pôs trancas nas portas das casas de banho para quem estiver à rasca que pague para se servir delas ou... como consequência lógica, quem não tem dinheiro ou não está disposto a sustentar gatunos, vai fazer os despejos orgânicos logo ao virar da esquina onde passa toda a gente, obrigada a ver e a cheirar o que não devia estar naquele local.
Gastaram-se rios de dinheiro na construção de ETAR's (Estações para Tratamento de Águas Residuais) por esse país fora. Faça-se uma inspecção e elabore-se uma lista de quantas estão a funcionar e em que condições... Cursos de água que há poucos lustros eram abrigo para desova de várias espécies de peixes, são agora simples valas para esgotos de substâncias nojentas e perigosas
.
3. MAUS - Evidentemente que os culpados de tudo que atrás fica dito não são bons. São maus. São maus os autarcas, são maus os delegados da saúde pública, são maus os cidadãos. Nenhum deles cumpre com as suas obrigações. O autarca, sendo o governante local, negligencia, desconhece ou subestima as suas funções; o delegado de saúde, como responsável máximo pela saúde pública da sua área, não actua convenientemente; o cidadão, alvo principal de todas as acções e usufrutuário dum bem que é colocado para o servir desperdiça-o, abandalha-o ou destrói-o. São maus os governantes que exploram ou permitem que explorem o povo que devem proteger.
Para fim de filme só falta pôr este anúncio: PRECISA-SE dum endireita ou, na sua falta, dum cangalheiro...
terça-feira, 18 de setembro de 2012
Moçambique, minha paixão - 1ª Operação
Devido à falta de água surgiu um novo problema que me esforcei por resolver sem o conseguir: - Ao atravessarmos uma machamba (para quem não sabe: qualquer área de terreno cultivado) iam-nos aparecendo com regularidade no solo quente umas abóboras que pareciam melancias ou umas melancias que pareciam abóboras, a que a malta se atirava com avidez para mitigar a secura que era muita.
Receando ruins consequências para a saúde de todos a ingestão dum fruto que nenhum de nós conhecia, passei a proíbir o seu consumo.
Prosseguindo a marcha, agora já ao longo da linha férrea Lourenço Marques-Ressano Garcia, que percorremos durante horas até ao desvio para uma picada assinalada na carta, deparámos com outra machamba onde abundavam luzidios e provocadores frutos iguais aos anteriores. "Senhor sargento... senhor Veloso... deixe-nos apanhar só um"! Fod...!!! Vocês querem morrer envenenados ou quê? "Mas já lá vai tanto tempo e ainda não nos aconteceu nada"... Vão prò caraças... depois não se queixem... E permiti que fossem apanhar. Oh... então se estavam(os) todos assados com sede e passadas tantas horas depois de comerem as primeiras "abóboras" ninguém se tinha queixado, ah! deixá-los ir. E fui também! Apanhei a última, a que deixaram. Comi-a sofregamente. Soube-me a podre. Só no fim é que reparei que tinha bichos. Dei um pontapé no resto e larguei umas obscenidades. Menos de uma hora depois não conseguia andar com dores abdominais e febre. Dei instruções para que fosse comunicado ao comando que a operação fora interrompida e por quê. Não sei quanto tempo demorou a chegar um jipe com um médico e um enfermeiro para ser observado e transportado para um acampamento, local previamente marcado para a junção e pernoita de todas as equipas que haviam sido largadas em pontos diferentes. Foi-me administrada uma injecção e fornecido um comprimido Alazon (ou Alozon?) para pôr numa água choca que entretanto foram pedir para mim a uma palhota distante.
No acampamento e reunidas as equipas, procedeu-se à montagem da segurança e à escolha do melhor col(chão) para estender o corpo. Naquela escuridão cada um, tacteando, acomodava-se como podia. Debaixo duma árvore enormemente entroncada fiquei eu e mais alguns. Apalpa aqui, apalpa ali, encontrei para cabeceira algo duro e incómodo. É verdade que também ninguém esperava ir passar uma noite bem instalado. Nem sossegado... de noite iam ocorrer os inevitáveis exercícios para não se perderem os hábitos levados da Metrópole.
Nessa noite o exercício consistia num golpe de mão desencadeado por uma das equipas ao acampamento. Alvo principal, o posto de comando. O "inimigo", tacticamente bem adestrado, entrou e, sorrateiramente, "ataca" o tenente Mendes que possivelmente estaria a "passar pelas brasas". Estremunhado, o instinto de defesa leva-o a deitar as mãos ao "intruso". Só que naquela escuridão e barafunda quem ele apanhou foi a sua própria ordenança, o marinheiro sinaleiro, que estava ali deitado. Foi o bom e o bonito... O "desgraçado" do marinheiro, seguro pelos tomates (para não fugir, dizia o oficial) desatou aos berros que pôs tudo em alvoroço, e só foi solto quando o tenente Mendes teve a certeza de quem era o que tinha bem preso nas mãos. Esse incidente viria a "dar pano para mangas" durante toda a comissão, sobretudo a partir da altura em que começaram a surgir rumores sobre possíveis tendências na época tidas por anormais no elemento masculino...
De manhã cedo procedeu-se aos preparativos para retomar a marcha rumo a Mucapana, que distaria 25/30km. Já com alguma claridade diurna, foi possível ver melhor o local onde passámos a noite. Reparei então, todos reparámos, que me calhou para apoiar a cabeça uma caveira!!! Segundo o depoimento de um indígena que passava, a caveira pertenceu a um ancião que em vida mostrava o desejo de ser sepultado junto ao tronco daquela árvore. O achado, que naquelas paragens nada tem de anormal, deve-se ao facto de enterrarem os mortos a baixa profundidade o que, com a acção do calor, faz irradiar odores que atraiem necrófagos que se encarregam de trazer as ossadas à superfície.
Eu, não estando cem por cento recuperado, prossegui até ao fim.
Esperem por mais.
Receando ruins consequências para a saúde de todos a ingestão dum fruto que nenhum de nós conhecia, passei a proíbir o seu consumo.
Prosseguindo a marcha, agora já ao longo da linha férrea Lourenço Marques-Ressano Garcia, que percorremos durante horas até ao desvio para uma picada assinalada na carta, deparámos com outra machamba onde abundavam luzidios e provocadores frutos iguais aos anteriores. "Senhor sargento... senhor Veloso... deixe-nos apanhar só um"! Fod...!!! Vocês querem morrer envenenados ou quê? "Mas já lá vai tanto tempo e ainda não nos aconteceu nada"... Vão prò caraças... depois não se queixem... E permiti que fossem apanhar. Oh... então se estavam(os) todos assados com sede e passadas tantas horas depois de comerem as primeiras "abóboras" ninguém se tinha queixado, ah! deixá-los ir. E fui também! Apanhei a última, a que deixaram. Comi-a sofregamente. Soube-me a podre. Só no fim é que reparei que tinha bichos. Dei um pontapé no resto e larguei umas obscenidades. Menos de uma hora depois não conseguia andar com dores abdominais e febre. Dei instruções para que fosse comunicado ao comando que a operação fora interrompida e por quê. Não sei quanto tempo demorou a chegar um jipe com um médico e um enfermeiro para ser observado e transportado para um acampamento, local previamente marcado para a junção e pernoita de todas as equipas que haviam sido largadas em pontos diferentes. Foi-me administrada uma injecção e fornecido um comprimido Alazon (ou Alozon?) para pôr numa água choca que entretanto foram pedir para mim a uma palhota distante.
No acampamento e reunidas as equipas, procedeu-se à montagem da segurança e à escolha do melhor col(chão) para estender o corpo. Naquela escuridão cada um, tacteando, acomodava-se como podia. Debaixo duma árvore enormemente entroncada fiquei eu e mais alguns. Apalpa aqui, apalpa ali, encontrei para cabeceira algo duro e incómodo. É verdade que também ninguém esperava ir passar uma noite bem instalado. Nem sossegado... de noite iam ocorrer os inevitáveis exercícios para não se perderem os hábitos levados da Metrópole.
Nessa noite o exercício consistia num golpe de mão desencadeado por uma das equipas ao acampamento. Alvo principal, o posto de comando. O "inimigo", tacticamente bem adestrado, entrou e, sorrateiramente, "ataca" o tenente Mendes que possivelmente estaria a "passar pelas brasas". Estremunhado, o instinto de defesa leva-o a deitar as mãos ao "intruso". Só que naquela escuridão e barafunda quem ele apanhou foi a sua própria ordenança, o marinheiro sinaleiro, que estava ali deitado. Foi o bom e o bonito... O "desgraçado" do marinheiro, seguro pelos tomates (para não fugir, dizia o oficial) desatou aos berros que pôs tudo em alvoroço, e só foi solto quando o tenente Mendes teve a certeza de quem era o que tinha bem preso nas mãos. Esse incidente viria a "dar pano para mangas" durante toda a comissão, sobretudo a partir da altura em que começaram a surgir rumores sobre possíveis tendências na época tidas por anormais no elemento masculino...
De manhã cedo procedeu-se aos preparativos para retomar a marcha rumo a Mucapana, que distaria 25/30km. Já com alguma claridade diurna, foi possível ver melhor o local onde passámos a noite. Reparei então, todos reparámos, que me calhou para apoiar a cabeça uma caveira!!! Segundo o depoimento de um indígena que passava, a caveira pertenceu a um ancião que em vida mostrava o desejo de ser sepultado junto ao tronco daquela árvore. O achado, que naquelas paragens nada tem de anormal, deve-se ao facto de enterrarem os mortos a baixa profundidade o que, com a acção do calor, faz irradiar odores que atraiem necrófagos que se encarregam de trazer as ossadas à superfície.
Eu, não estando cem por cento recuperado, prossegui até ao fim.
Esperem por mais.
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
terça-feira, 11 de setembro de 2012
Moçambique - a chegada
MOÇAMBIQUE - MINHA PAIXÃO (a chegada)
No Aeroporto de Lourenço Marques (LM) estavam à nossa espera os transportes que nos levariam ao destino. O oficial e os sargentos seguiram para o Comando Naval (CN), as praças para o Aquartelamento da Machava. Por quê uns para um lado outros para o outro? Ora, como sempre foi apanágio dos portugueses, primeiro limpa-se o cu e depois é que se caga... Isto dito de forma mais urbana quer só dizer que primeiro mandam-se as pessoas para onde a sua presença foi pedida; depois se vê... em vez de se criarem atempadamente as condições básicas para as receber.
Assim, enquanto decorriam as obras de construção do Quartel dos Fuzileiros, da responsabilidade da Engenharia do Exército, andaram os oficiais e os sargentos de "saco às costas" dum lado para o outro, a ser recebidos a contragosto pelos nossos anfitriões tanto no CN como a seguir na Estação Radionaval, como se fôssemos culpados da subtracção de algum conforto que tinham antes.
Não fora o carácter preventivo por que fomos para ali, e por isso mesmo sujeitos às contingências duma guerra que se adivinhava, poderíamos dizer que fomos colocados numa estância de turismo, pois para além de usufruirmos de instalações modernas e confortáveis tínhamos campo de futebol, piscina olímpica, ringue de patinagem que servia para a prática de hóquei, andebol, volei, basquete e futsal e transportes da Marinha e públicos para a cidade. Os horários - excluída uma curta fase inicial de adaptação em que o clarim nos punha fora da cama às 0530 mas com o sol já alto - eram óptimos em variados aspectos, destacando-se a dispensa geral dos serviços da parte da tarde devido ao calor. Esse regime permitia a cada qual ir para onde e fazer o que quisesse. Então era um "vê se te avias" com o autocarro das duas da tarde cheio a caminho de Lourenço Marques. Acontecia era que, quando terminal no CN, já só levava o condutor (porque não podia sair antes...). Todos os passageiros foram ficando pelo caminho. Uns iam estudar, outros frequentar cursos profissionais e ou praticar modalidades desportivas e o "grosso da maralha" ficava na Baixa. Estes últimos, apeados, era vê-los (quase) em passo de corrida virados à Rua Major Araújo, vulgarmente conhecida por "rua do crime". Virados às portas dos bares, "arreda bifas que aí vêm eles"!!! Se não havia bifas, o que era raro acontecer, "sai uma tombazana tchunguila" que melungo também gosta.
Passado um ano acabou o turismo... Cedendo às queixinhas dos Coca-colas, o CN mandou (re)instituir o horário normal, que era serviços de manhã e de tarde. E por quê? Porque a malta já enjoada de bifas e de pretas, começou a virar-se para as meninas dos liceus, quando não era para as filhinhas e para as mamãs nas esplanadas e nas praias, que sempre eram mais tenrinhas umas e menos abocanhadas outras.
Claro que nem sempre foi moina. Periodicamente faziam-se umas saídas para o mar nos navios de guerra em exercícios e vigilâcia do Canal de Moçambique e umas patrulhas/operações de reconhecimento em terra. E é sobre uma dessas operações, a primeira que o meu pelotão fez, que eu quero relatar um episódio de que fui o principal protagonista. Merece ser recordado pela negativa e pelo caricato da situação. Os factos: - Saímos de manhã cedo em transportes nossos para as proximidades de Boane, onde nos largaram para nos dirigirmos a Mucapana que dista 50Km de Lourenço Marques (aliás Maputo), tendo como referêcia uma cantina no mato. Puseram-me uma carta geográfica e uma bússola nas mãos, e dali em diante eu que me desenrascasse até chegar ao destino. Para começar nada mau... À boa maneira dos nossos chefes, que nos obrigavam a fazer o que eles nunca fizeram nem fariam, andar dias e noites a pé, já que de jipe percorriam tudo, juntaram três provas numa só: reconhecimento, orientação e sobrevivência! Como que por sacanice deixaram-nos num local cercado de floresta densa, a espaços intransponível, a obrigar-nos a recuos e desvios pondo-nos à prova os conhecimentos adquiridos para uso dos meios de orientação. Carregados cada um com a sua espingarda, capacete, material de sapa (na CF2 ainda se usava isso), mochila, ração de combate, cantil com 1 litro de água para 24 horas e com calor intenso, foi (era) inevitável que a Dona Sede viesse tomar conta de nós. Como estava já a acontecer com o pessoal todo suado e sedento. Então eu, responsável pelos homens da minha equipa, qual ama seca a tomar conta de tantos bebés, ia recomendando: ó rapaziada, poupem a água que ainda temos um dia e uma noite pela frente até recebermos a próxima. Qual quê... a força da sede era mais forte e ainda não era meio dia já ninguém tinha uma gota! E como muito bem prega Frei Tomás, também eu já não tinha... Daí para a frente foi um suplício.
Continua oportunamente.
No Aeroporto de Lourenço Marques (LM) estavam à nossa espera os transportes que nos levariam ao destino. O oficial e os sargentos seguiram para o Comando Naval (CN), as praças para o Aquartelamento da Machava. Por quê uns para um lado outros para o outro? Ora, como sempre foi apanágio dos portugueses, primeiro limpa-se o cu e depois é que se caga... Isto dito de forma mais urbana quer só dizer que primeiro mandam-se as pessoas para onde a sua presença foi pedida; depois se vê... em vez de se criarem atempadamente as condições básicas para as receber.
Assim, enquanto decorriam as obras de construção do Quartel dos Fuzileiros, da responsabilidade da Engenharia do Exército, andaram os oficiais e os sargentos de "saco às costas" dum lado para o outro, a ser recebidos a contragosto pelos nossos anfitriões tanto no CN como a seguir na Estação Radionaval, como se fôssemos culpados da subtracção de algum conforto que tinham antes.
Não fora o carácter preventivo por que fomos para ali, e por isso mesmo sujeitos às contingências duma guerra que se adivinhava, poderíamos dizer que fomos colocados numa estância de turismo, pois para além de usufruirmos de instalações modernas e confortáveis tínhamos campo de futebol, piscina olímpica, ringue de patinagem que servia para a prática de hóquei, andebol, volei, basquete e futsal e transportes da Marinha e públicos para a cidade. Os horários - excluída uma curta fase inicial de adaptação em que o clarim nos punha fora da cama às 0530 mas com o sol já alto - eram óptimos em variados aspectos, destacando-se a dispensa geral dos serviços da parte da tarde devido ao calor. Esse regime permitia a cada qual ir para onde e fazer o que quisesse. Então era um "vê se te avias" com o autocarro das duas da tarde cheio a caminho de Lourenço Marques. Acontecia era que, quando terminal no CN, já só levava o condutor (porque não podia sair antes...). Todos os passageiros foram ficando pelo caminho. Uns iam estudar, outros frequentar cursos profissionais e ou praticar modalidades desportivas e o "grosso da maralha" ficava na Baixa. Estes últimos, apeados, era vê-los (quase) em passo de corrida virados à Rua Major Araújo, vulgarmente conhecida por "rua do crime". Virados às portas dos bares, "arreda bifas que aí vêm eles"!!! Se não havia bifas, o que era raro acontecer, "sai uma tombazana tchunguila" que melungo também gosta.
Passado um ano acabou o turismo... Cedendo às queixinhas dos Coca-colas, o CN mandou (re)instituir o horário normal, que era serviços de manhã e de tarde. E por quê? Porque a malta já enjoada de bifas e de pretas, começou a virar-se para as meninas dos liceus, quando não era para as filhinhas e para as mamãs nas esplanadas e nas praias, que sempre eram mais tenrinhas umas e menos abocanhadas outras.
Claro que nem sempre foi moina. Periodicamente faziam-se umas saídas para o mar nos navios de guerra em exercícios e vigilâcia do Canal de Moçambique e umas patrulhas/operações de reconhecimento em terra. E é sobre uma dessas operações, a primeira que o meu pelotão fez, que eu quero relatar um episódio de que fui o principal protagonista. Merece ser recordado pela negativa e pelo caricato da situação. Os factos: - Saímos de manhã cedo em transportes nossos para as proximidades de Boane, onde nos largaram para nos dirigirmos a Mucapana que dista 50Km de Lourenço Marques (aliás Maputo), tendo como referêcia uma cantina no mato. Puseram-me uma carta geográfica e uma bússola nas mãos, e dali em diante eu que me desenrascasse até chegar ao destino. Para começar nada mau... À boa maneira dos nossos chefes, que nos obrigavam a fazer o que eles nunca fizeram nem fariam, andar dias e noites a pé, já que de jipe percorriam tudo, juntaram três provas numa só: reconhecimento, orientação e sobrevivência! Como que por sacanice deixaram-nos num local cercado de floresta densa, a espaços intransponível, a obrigar-nos a recuos e desvios pondo-nos à prova os conhecimentos adquiridos para uso dos meios de orientação. Carregados cada um com a sua espingarda, capacete, material de sapa (na CF2 ainda se usava isso), mochila, ração de combate, cantil com 1 litro de água para 24 horas e com calor intenso, foi (era) inevitável que a Dona Sede viesse tomar conta de nós. Como estava já a acontecer com o pessoal todo suado e sedento. Então eu, responsável pelos homens da minha equipa, qual ama seca a tomar conta de tantos bebés, ia recomendando: ó rapaziada, poupem a água que ainda temos um dia e uma noite pela frente até recebermos a próxima. Qual quê... a força da sede era mais forte e ainda não era meio dia já ninguém tinha uma gota! E como muito bem prega Frei Tomás, também eu já não tinha... Daí para a frente foi um suplício.
Continua oportunamente.
sábado, 8 de setembro de 2012
FALANDO DE POESIA...
Já disse e repeti, nos jornais em que escrevia e hoje reitero aqui, que não percebo patavina de poesia. Isso é ponto assente. E não percebo por quê? Simplesmente porque não gosto!... Não gosto, isto é, de tudo que uma infinidade de "poetas" tenta inpingir a quem tem paciência para os ler ou ouvir. Justo é, no entanto, seleccionar algumas excepções, não muitas. São elas, nem mais nem menos (pela genuinidade,argúcia, e simplicidade como expõem o que sentem e pensam), António Aleixo, Poeta do Povo (com letra maiúscula, sim senhores, que ele merece) e... Eusébio "Calafate", o poeta pescador muito querido em Setúbal.
Creio não ser necessário expor neste texto a história de ambos, por considerar que quem os lê saberá. Ao recordar estas duas figuras não posso deixar de lamentar o desprezo que os "figurões" deste país têm dispensado a tudo quanto seja cultura popular. Não fora alguém, em particular, tomar por si a projecção de qualquer deles - mormente o poeta algarvio - acabariam por viver e morrer escondidos num torpe anonimato.
Haverá mais um ou outro poeta consagrado que não me importo de ler. Os demais começo e largo logo. Não perco tempo nem retina com leituras enfadonhas. O defeito deve ser meu... alguém dirá que que sou eu que não sei apreciar. Aceito que sim. Mas também terão que aceitar que para mim poesia deve ser arte de comunicar. Um verso tem de me transmitir algo. Juntar num monte palavras que (apenas) rimam sem significado, que não dizem nada, pode ser tudo menos mensagem. Tal como a pintura e a música, a poesia deve ter harmonia, ritmo, sugerir-nos alegria, tristeza, bem-estar, humor, convidar-nos à reflexão, à ironia, em suma, espevitar-nos os sentimentos mais recônditos.
... MAIS VALIA ESTAR CALADO
Atrás dei "uma no cravo", a seguir vou dar "na ferradura" ... Eu próprio às vezes me aventuro a largar umas baboseiras pretensamente poéticas sem me aperceber bem no ridículo em que eventualmente possa vir a cair. Faço-o à laia de desabafo, na brincadeira ou com um cunho irónico e sem cuidados especiais com a beleza literária, embora saiba que nem sempre a poesia prime pelo rigor literário. Procuro também e acima de tudo, pôr para fora de mim o que no momento me vai na alma.
Citei dois dos meus preferidos; zurzi naqueles que andam enganados consigo próprios, convencidos de que tudo que escrevem ou recitam é bem aceite ou apreciado; na escala de avaliações atribuo "excelente" a poucos, "muito bom" ou "bom" a uns tantos, "medíocre" ou "mau" aos que sobram. A estes eu deixo um conselho muito sincero: desistam, porque vos falta talento onde sobra a vontade.
Graças a esta congregação que o Carlos da Silva, mais conhecido por Tintinaine criou (foi ele quem pôs isto tudo a mexer) e a que gostosamente me associo, é que me embrenhei no complexo mundo da Internet, onde vim descobrir alguns talentos na arte de versejar. E sem querer menosprezar ninguém quero destacar dois: Edumanes e o Verde. Deles desconheço se têm ou não alguma obra publicada. Se não, deixem-me dizer-vos isto: publiquem. Lembro-vos que andam por aí publicações cuja qualidade é de longe inferior aos trabalhos que (vocês) nos têm oferecido.
E foi a partir de um desses trabalhos que ontem pus à prova (mais uma vez...) a debelidade dos meus conhecimentos ao mexer nestas teclas, símbolos, ratos, "ratazanas", bichos- de- sete- cabeças, enfim... eu devia ser proíbido de mexer nisto. Troco tudo, aldrabo tudo, às tantas já não sei por onde e como entrei nem como vou sair. E assim, ao encontrar-me com "A mulher alentejana", penso que da autoria do Edumanes, fiz o meu comentário, também em verso e no fim, depois de "trancada a porta", reparei que num dos versos faltava uma linha. Claro que não consegui reparar a falta e aconteceu aquilo que detesto nos pseudo-poetas: escrevi o que ninguém vai entender; e isso eu não quero. Daí eu decidir repetir, neste blogue, o que tinha feito, para que todos fiquem "vacinados" contra aquela bacorada.
Eis o meu comentário: Ó mulher alentejana, Vais prò campo ceifar o trigo,
Sem ti, o Alentejo Vens pra casa tratar os filhos.
Assemelha-se a um brejo Num mar de tantos sarilhos,
Sem encanto nem beleza. Ainda caias a casa.
Onde só se vê tristeza Quando penso fico em brasa
E uma plebe profana. Porque não casei contigo.
És a mulher ideal
Fazes feliz qualquer homem.
És a pimenta, és o sal,
Que todos os homens consomem.
Já disse e repeti, nos jornais em que escrevia e hoje reitero aqui, que não percebo patavina de poesia. Isso é ponto assente. E não percebo por quê? Simplesmente porque não gosto!... Não gosto, isto é, de tudo que uma infinidade de "poetas" tenta inpingir a quem tem paciência para os ler ou ouvir. Justo é, no entanto, seleccionar algumas excepções, não muitas. São elas, nem mais nem menos (pela genuinidade,argúcia, e simplicidade como expõem o que sentem e pensam), António Aleixo, Poeta do Povo (com letra maiúscula, sim senhores, que ele merece) e... Eusébio "Calafate", o poeta pescador muito querido em Setúbal.
Creio não ser necessário expor neste texto a história de ambos, por considerar que quem os lê saberá. Ao recordar estas duas figuras não posso deixar de lamentar o desprezo que os "figurões" deste país têm dispensado a tudo quanto seja cultura popular. Não fora alguém, em particular, tomar por si a projecção de qualquer deles - mormente o poeta algarvio - acabariam por viver e morrer escondidos num torpe anonimato.
Haverá mais um ou outro poeta consagrado que não me importo de ler. Os demais começo e largo logo. Não perco tempo nem retina com leituras enfadonhas. O defeito deve ser meu... alguém dirá que que sou eu que não sei apreciar. Aceito que sim. Mas também terão que aceitar que para mim poesia deve ser arte de comunicar. Um verso tem de me transmitir algo. Juntar num monte palavras que (apenas) rimam sem significado, que não dizem nada, pode ser tudo menos mensagem. Tal como a pintura e a música, a poesia deve ter harmonia, ritmo, sugerir-nos alegria, tristeza, bem-estar, humor, convidar-nos à reflexão, à ironia, em suma, espevitar-nos os sentimentos mais recônditos.
... MAIS VALIA ESTAR CALADO
Atrás dei "uma no cravo", a seguir vou dar "na ferradura" ... Eu próprio às vezes me aventuro a largar umas baboseiras pretensamente poéticas sem me aperceber bem no ridículo em que eventualmente possa vir a cair. Faço-o à laia de desabafo, na brincadeira ou com um cunho irónico e sem cuidados especiais com a beleza literária, embora saiba que nem sempre a poesia prime pelo rigor literário. Procuro também e acima de tudo, pôr para fora de mim o que no momento me vai na alma.
Citei dois dos meus preferidos; zurzi naqueles que andam enganados consigo próprios, convencidos de que tudo que escrevem ou recitam é bem aceite ou apreciado; na escala de avaliações atribuo "excelente" a poucos, "muito bom" ou "bom" a uns tantos, "medíocre" ou "mau" aos que sobram. A estes eu deixo um conselho muito sincero: desistam, porque vos falta talento onde sobra a vontade.
Graças a esta congregação que o Carlos da Silva, mais conhecido por Tintinaine criou (foi ele quem pôs isto tudo a mexer) e a que gostosamente me associo, é que me embrenhei no complexo mundo da Internet, onde vim descobrir alguns talentos na arte de versejar. E sem querer menosprezar ninguém quero destacar dois: Edumanes e o Verde. Deles desconheço se têm ou não alguma obra publicada. Se não, deixem-me dizer-vos isto: publiquem. Lembro-vos que andam por aí publicações cuja qualidade é de longe inferior aos trabalhos que (vocês) nos têm oferecido.
E foi a partir de um desses trabalhos que ontem pus à prova (mais uma vez...) a debelidade dos meus conhecimentos ao mexer nestas teclas, símbolos, ratos, "ratazanas", bichos- de- sete- cabeças, enfim... eu devia ser proíbido de mexer nisto. Troco tudo, aldrabo tudo, às tantas já não sei por onde e como entrei nem como vou sair. E assim, ao encontrar-me com "A mulher alentejana", penso que da autoria do Edumanes, fiz o meu comentário, também em verso e no fim, depois de "trancada a porta", reparei que num dos versos faltava uma linha. Claro que não consegui reparar a falta e aconteceu aquilo que detesto nos pseudo-poetas: escrevi o que ninguém vai entender; e isso eu não quero. Daí eu decidir repetir, neste blogue, o que tinha feito, para que todos fiquem "vacinados" contra aquela bacorada.
Eis o meu comentário: Ó mulher alentejana, Vais prò campo ceifar o trigo,
Sem ti, o Alentejo Vens pra casa tratar os filhos.
Assemelha-se a um brejo Num mar de tantos sarilhos,
Sem encanto nem beleza. Ainda caias a casa.
Onde só se vê tristeza Quando penso fico em brasa
E uma plebe profana. Porque não casei contigo.
És a mulher ideal
Fazes feliz qualquer homem.
És a pimenta, és o sal,
Que todos os homens consomem.
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
MOÇAMBIQUE - MINHA PAIXÃO
Como não sou muito pedinchão, quero que me dêem só seis (6) coisas para ser feliz: a minha Beira Alta (livre de incêndios, de caciques e de tanto atraso mental); Setúbal (incluindo o "meu" Vitória que só me prega sustos...); Inglaterra (não contando com as pessoas, de quem não gosto); aguardente do Minho; saúde da boa e... Moçambique (afinal estou a pedir já muito)!
A minha Beira Alta por razões óbvias: nela nasci e passei a primeira infância (infância, disse eu? Ah, não... não tive infância) e porque é um espaço geográfico que tem (quase) tudo para nos sentirmos bem. Tem serras e vales; tem planícies e rios... termas para curar todos os males(excepto a estupidez, a corrupção e o compadrio); os seus ares incomparáveis limpos de poluiçaõ recomendam-se vivamente;
Setúbal, terra que amo com todas as forças do meu ser porque, para além dumas paisagens deslumbrantes, em que sobressaiem o Sado (conhecido por Rio Azul), a serra da Arrábida com as suas praias aprazíveis; a romântica Tróia inspiradora de poetas e abrigo de amantes do lazer; é também berço de artistas e outros valores da Cultura; tem gente afável e ordeira (apesar de nos anos mais recentes alguns locais se terem convertido em antros de marginais vindos dos quatro cantos do Mundo); foi ali que na minha adolescência comecei a sonhar, a ter pesadelos e consciência de que um futuro sem grandes sobressaltos se constrói com trabalho, humildade e luta;
A Inglaterra, primeiro país que visitei nas minhas andanças pelos mares, impressionou-me assim que pus os pés em terra. O que via em nada se assemelhava a esta "parolândia" que se chama Portugal... Tinha eu, então, vinte e dois anos, idade ainda de fantasias mas com os olhos já apontados a um porvir mais adulto e sério. Essa grande nação, ao observá-la, consciencializava-me de que a construção dos paises depende da qualidade dos homens que tem;
Bagaceira do Minho, feita a partir do bagaço dos cachos de que saiu o vinho verde é, indesmentivelmente, a melhor que há. Logo a seguir a da Beira Alta;
Pena a saúde não deixar degustar o que mais apreciamos. A saúde, essa vítima dos maus tratos que lhe demos, uns obrigados a isso outros por estupidez, vai-nos retirando o prazer de andar por aí, ainda que saibamos fazer falta... aos médicos e às indústrias farmacêuticas.
Finalmente... Moçambique (meus amigos: preciso que me ajudem a escolher os termos para definir, com fidelidade, aquele paraiso do Índico...).
Foi em dia e data que apenas recordo ter sido em Outubro de 1962 que, com o meu pelotão e mais uns tantos indivíduos, embarquei, de manhã, no aeroporto de Lisboa rumo a Moçambique, num avião da Força Aérea Portuguesa (creio que um Dakota). Fizemos escala por Bissau, Luanda (não estou bem certo se também por Salisbúria), cidade da Beira e Loureço Marques. A viagem, que demorou no ar (as paragens em terra não contam) cerca de trinta e duas horas (pra batismo de voo faxavor auene...), foi simplesmente penosa: saimos de cá vestidos com o fato de inverno (e logo no mesmo dia, já em África, foi um inferno com o calor), levávamos connosco espingardas, capacetes, mochilas, sacos com as fardas e artigos de higiene e outros e rações de combate para a viagem. O avião não tinha bancos para nos sentarmos, tinha buracos por tudo quanto era chapa, não havia cintos de segurança, o que originava andar tudo e todos embrulhados uns nos outros quando acontecia um solavanco mais violento.Em suma: uma viagem penosa a por-nos à prova a resistência de jovens que éramos com frios de cortar, de noite, nas alturas e de dia, no chão, parecíamos sorvetes ao sol... encafuados naquelas roupas grossas e quentes, muito boas para usar no inverno numa Europa fria e nunca em tempo de verão nos trópicos escaldantes.
Era já noite quando chegámos a Lourenço Marques. Sobrevoada a cidade, oh! que maravilhoso espectáculo! Em baixo, um quadro de rara beleza: longas avenidas rasgadas em linha recta, profusa e coloridamente iluminadas, ofereciam a quem chegava, uma doce sensação.
Pronto meus amigos: terminou esta viagem. Esperem pela continuação que será em breve.
Como não sou muito pedinchão, quero que me dêem só seis (6) coisas para ser feliz: a minha Beira Alta (livre de incêndios, de caciques e de tanto atraso mental); Setúbal (incluindo o "meu" Vitória que só me prega sustos...); Inglaterra (não contando com as pessoas, de quem não gosto); aguardente do Minho; saúde da boa e... Moçambique (afinal estou a pedir já muito)!
A minha Beira Alta por razões óbvias: nela nasci e passei a primeira infância (infância, disse eu? Ah, não... não tive infância) e porque é um espaço geográfico que tem (quase) tudo para nos sentirmos bem. Tem serras e vales; tem planícies e rios... termas para curar todos os males(excepto a estupidez, a corrupção e o compadrio); os seus ares incomparáveis limpos de poluiçaõ recomendam-se vivamente;
Setúbal, terra que amo com todas as forças do meu ser porque, para além dumas paisagens deslumbrantes, em que sobressaiem o Sado (conhecido por Rio Azul), a serra da Arrábida com as suas praias aprazíveis; a romântica Tróia inspiradora de poetas e abrigo de amantes do lazer; é também berço de artistas e outros valores da Cultura; tem gente afável e ordeira (apesar de nos anos mais recentes alguns locais se terem convertido em antros de marginais vindos dos quatro cantos do Mundo); foi ali que na minha adolescência comecei a sonhar, a ter pesadelos e consciência de que um futuro sem grandes sobressaltos se constrói com trabalho, humildade e luta;
A Inglaterra, primeiro país que visitei nas minhas andanças pelos mares, impressionou-me assim que pus os pés em terra. O que via em nada se assemelhava a esta "parolândia" que se chama Portugal... Tinha eu, então, vinte e dois anos, idade ainda de fantasias mas com os olhos já apontados a um porvir mais adulto e sério. Essa grande nação, ao observá-la, consciencializava-me de que a construção dos paises depende da qualidade dos homens que tem;
Bagaceira do Minho, feita a partir do bagaço dos cachos de que saiu o vinho verde é, indesmentivelmente, a melhor que há. Logo a seguir a da Beira Alta;
Pena a saúde não deixar degustar o que mais apreciamos. A saúde, essa vítima dos maus tratos que lhe demos, uns obrigados a isso outros por estupidez, vai-nos retirando o prazer de andar por aí, ainda que saibamos fazer falta... aos médicos e às indústrias farmacêuticas.
Finalmente... Moçambique (meus amigos: preciso que me ajudem a escolher os termos para definir, com fidelidade, aquele paraiso do Índico...).
Foi em dia e data que apenas recordo ter sido em Outubro de 1962 que, com o meu pelotão e mais uns tantos indivíduos, embarquei, de manhã, no aeroporto de Lisboa rumo a Moçambique, num avião da Força Aérea Portuguesa (creio que um Dakota). Fizemos escala por Bissau, Luanda (não estou bem certo se também por Salisbúria), cidade da Beira e Loureço Marques. A viagem, que demorou no ar (as paragens em terra não contam) cerca de trinta e duas horas (pra batismo de voo faxavor auene...), foi simplesmente penosa: saimos de cá vestidos com o fato de inverno (e logo no mesmo dia, já em África, foi um inferno com o calor), levávamos connosco espingardas, capacetes, mochilas, sacos com as fardas e artigos de higiene e outros e rações de combate para a viagem. O avião não tinha bancos para nos sentarmos, tinha buracos por tudo quanto era chapa, não havia cintos de segurança, o que originava andar tudo e todos embrulhados uns nos outros quando acontecia um solavanco mais violento.Em suma: uma viagem penosa a por-nos à prova a resistência de jovens que éramos com frios de cortar, de noite, nas alturas e de dia, no chão, parecíamos sorvetes ao sol... encafuados naquelas roupas grossas e quentes, muito boas para usar no inverno numa Europa fria e nunca em tempo de verão nos trópicos escaldantes.
Era já noite quando chegámos a Lourenço Marques. Sobrevoada a cidade, oh! que maravilhoso espectáculo! Em baixo, um quadro de rara beleza: longas avenidas rasgadas em linha recta, profusa e coloridamente iluminadas, ofereciam a quem chegava, uma doce sensação.
Pronto meus amigos: terminou esta viagem. Esperem pela continuação que será em breve.
terça-feira, 4 de setembro de 2012
A PROPÓSITO DE:
APEDREJAMENTO A CAVALEIRO
Não sei... é muito complexo. Este assunto daria pano para mangas. Complicado é saber-se de que lado está a razão. Do apedrejador ou do cavaleiro? Pela parte que me cabe na apreciação do caso só tenho a dizer que se alguma vez eu for apedrejado por alguém que não gosta do que faço para distrair um público que gosta (e no que toca a toiradas ainda são em maior número os que apreciam), não como reagiria. Uma atitude eu garanto que tomarei se vier a ocorrer: terei que tentar defender-me usando as armas que tiver ao meu alcance e de acordo com a gravidade da situação.
Com esta lengalenga não procuro defender nem atacar as concepções de qualquer deles no que concerne à relação dos humanos com - os outros - animais. Seja no entanto qual for, tal não impede que eu emita a minha opinião: o primeiro agressor, irritado com o que o cavaleiro fez ou faz ao(s) boi(s), quis aplicar logo ali "a sua justiça", sem se importar com as consequências advenientes do seu acto. Podia feri-lo gravemente, podia tê-lo morto com uma pedrada (sabemos que já tem acontecido).
Chegados aqui podemos concluir que para algumas pessoas os animais estão primeiro... Um boi ferido justifica a morte dum humano! Que selva esta!
Nem todos concordamos com toiradas nem com espectáculos que envolvam agressividade contra os animais. Agora que somos obrigados a respeitar em todos os aspectos (decentes) da vida os nossos iguais, lá isso somos. Pela palavra, mesmo que demore uma eternidade, ainda vamos aonde queremos. As manifestações e os abaixo-assinados resolvem muita coisa. Curioso, no meio disto tudo, é que muitos dos auto- proclamados defensores dos animais têm dentro de casa, condenados a prisão perpétua, cães, gatos, periquitos, rolas, melros, etc. Isso também é condenável... e muito.
APEDREJAMENTO A CAVALEIRO
Não sei... é muito complexo. Este assunto daria pano para mangas. Complicado é saber-se de que lado está a razão. Do apedrejador ou do cavaleiro? Pela parte que me cabe na apreciação do caso só tenho a dizer que se alguma vez eu for apedrejado por alguém que não gosta do que faço para distrair um público que gosta (e no que toca a toiradas ainda são em maior número os que apreciam), não como reagiria. Uma atitude eu garanto que tomarei se vier a ocorrer: terei que tentar defender-me usando as armas que tiver ao meu alcance e de acordo com a gravidade da situação.
Com esta lengalenga não procuro defender nem atacar as concepções de qualquer deles no que concerne à relação dos humanos com - os outros - animais. Seja no entanto qual for, tal não impede que eu emita a minha opinião: o primeiro agressor, irritado com o que o cavaleiro fez ou faz ao(s) boi(s), quis aplicar logo ali "a sua justiça", sem se importar com as consequências advenientes do seu acto. Podia feri-lo gravemente, podia tê-lo morto com uma pedrada (sabemos que já tem acontecido).
Chegados aqui podemos concluir que para algumas pessoas os animais estão primeiro... Um boi ferido justifica a morte dum humano! Que selva esta!
Nem todos concordamos com toiradas nem com espectáculos que envolvam agressividade contra os animais. Agora que somos obrigados a respeitar em todos os aspectos (decentes) da vida os nossos iguais, lá isso somos. Pela palavra, mesmo que demore uma eternidade, ainda vamos aonde queremos. As manifestações e os abaixo-assinados resolvem muita coisa. Curioso, no meio disto tudo, é que muitos dos auto- proclamados defensores dos animais têm dentro de casa, condenados a prisão perpétua, cães, gatos, periquitos, rolas, melros, etc. Isso também é condenável... e muito.
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
ONDE ESTÁ O DINHEIRO?
A lista de paises endividados é imensa: Espanha, Grécia, Irlanda, Itália, Portugal, etc., devem dinheiro. Alguns estão mesmo com a "corda ao pescoço". Isso equivale a dizer que o dinheiro desses paises se escoou. Logo, a pergunta mais ou menos assaloiada que nos ocorre é: então para onde foi? E as respostas brotarão em catadupa conforme a "qualidade" dos interessados envolvidos no assunto. Se for o cidadão comum pouco versado no assunto mas sabe e sente que para além de ser ou ter sido explorado enquanto trabalhador por conta de outem ainda lhe sugam vilmente o parco (se calhar diria melhor "porco"...) salário que leva para casa, dirá, à laia de desabafo e numa linguagem que não prima pela obediência às mais elementares regras gramaticais: "Pois, estes gatunos, filhos da puta, roubam-nos tudo para porem em paraisos ficais ou lá o que é, atiram com o País para a miséria e depois encaixam-se no Parlamento e nos governos para nos cobrirem de impostos". Vem a seguir um dos que "mama na vaca" e, em tom solene e muito emproado, apanágio dos "bem instalados na vida" dissertará, sabendo que a carneirada o escuta com atenção e respeito: "Não é nada do que dizem para aí essas más-línguas dos partidos da oposição, dos sindicatos, das comissões de trabalhadores... O que se passa é que somos um país pobre, produz pouco... Ora não havendo riqueza não se pode distribuir. Assim sendo e tendo um Estado gastador temos que contrair dívidas lá fora; e se as contraímos temos que as pagar; e isso só se consegue agravando os vossos impostos, baixando os vossos salários, retirando regalias sociais e aumentando o desemprego . Confiem em mim e no meu partido... e na Troika, que vem cá para nos salvar". E o pregador retira-se jactante do seu dicurso, ciente de que atrás de si ficaram os efeitos produzidos numa massa humana que o escutou anestesiada, esqueceu penúrias e torna a votar nele!...
Claro que eu, que não percebo nada de finanças - embora tenha frequentado há muitos anos um curso de contabilidade e administração - mas também sou gente, razão suficiente para querer saber o que é que fizeram ao dinheiro que havia... Será que seguiu nalguma enxurrada pelo rio abaixo? ou algum incêndio o reduziu a cinzas? E qual é o papel da Tróika, afinal? Ajudar-nos? Não, meus senhores, neste manicómio nem todos estão malucos, ainda que nos queiram pôr. O que esses senhores cá vêm fazer é buscar o dinheiro deles, cagando-se para as desgraças que semeiam
A lista de paises endividados é imensa: Espanha, Grécia, Irlanda, Itália, Portugal, etc., devem dinheiro. Alguns estão mesmo com a "corda ao pescoço". Isso equivale a dizer que o dinheiro desses paises se escoou. Logo, a pergunta mais ou menos assaloiada que nos ocorre é: então para onde foi? E as respostas brotarão em catadupa conforme a "qualidade" dos interessados envolvidos no assunto. Se for o cidadão comum pouco versado no assunto mas sabe e sente que para além de ser ou ter sido explorado enquanto trabalhador por conta de outem ainda lhe sugam vilmente o parco (se calhar diria melhor "porco"...) salário que leva para casa, dirá, à laia de desabafo e numa linguagem que não prima pela obediência às mais elementares regras gramaticais: "Pois, estes gatunos, filhos da puta, roubam-nos tudo para porem em paraisos ficais ou lá o que é, atiram com o País para a miséria e depois encaixam-se no Parlamento e nos governos para nos cobrirem de impostos". Vem a seguir um dos que "mama na vaca" e, em tom solene e muito emproado, apanágio dos "bem instalados na vida" dissertará, sabendo que a carneirada o escuta com atenção e respeito: "Não é nada do que dizem para aí essas más-línguas dos partidos da oposição, dos sindicatos, das comissões de trabalhadores... O que se passa é que somos um país pobre, produz pouco... Ora não havendo riqueza não se pode distribuir. Assim sendo e tendo um Estado gastador temos que contrair dívidas lá fora; e se as contraímos temos que as pagar; e isso só se consegue agravando os vossos impostos, baixando os vossos salários, retirando regalias sociais e aumentando o desemprego . Confiem em mim e no meu partido... e na Troika, que vem cá para nos salvar". E o pregador retira-se jactante do seu dicurso, ciente de que atrás de si ficaram os efeitos produzidos numa massa humana que o escutou anestesiada, esqueceu penúrias e torna a votar nele!...
Claro que eu, que não percebo nada de finanças - embora tenha frequentado há muitos anos um curso de contabilidade e administração - mas também sou gente, razão suficiente para querer saber o que é que fizeram ao dinheiro que havia... Será que seguiu nalguma enxurrada pelo rio abaixo? ou algum incêndio o reduziu a cinzas? E qual é o papel da Tróika, afinal? Ajudar-nos? Não, meus senhores, neste manicómio nem todos estão malucos, ainda que nos queiram pôr. O que esses senhores cá vêm fazer é buscar o dinheiro deles, cagando-se para as desgraças que semeiam
domingo, 2 de setembro de 2012
Ó DA GUARDA!, TIREM-ME DAQUI!
A caminho dos oitenta e um, as esperanças de ver "isto" entrar nos eixos são zero. Pela parte que me é devida por ter posto todo o meu empenho e saber ao serviço da Pátria, em inúmeras ocasiões pondo em risco a própria vida, já nada espero receber. O pior é que vislumbro para os meus descendentes (filhas, netos e quiçá bisnetos) um futuro sombrio e despido de perspectivas risonhas. A menos que os oprimidos, os explorados, todos aqueles que de algum modo estão a ser os vovos escravos do poder político-capitalista, tomem uma posição inteligente no arregimentar das forças e uni-las para pôr cobro ao desmando das oligarquias.
Não estou, e jamais estarei a incitar à violência gratuita, às pilhagens indiscriminadas, empresas tomadas de assalto... perseguições para, a seguir, ficar tudo pior que dantes. Como aconteceu, se bem nos lembramos, com o pós-25 de Abril de 1974, período em que valeu tudo até à destruição do muito que de bom ainda havia. A anarquia tomou conta do País. Cada qual puxava para o seu lado. E assim se perdeu a rara oportunidade de resgatar um povo da opressão e devolver-lhe a dignidade subtraída. Revelámos uma ingenuidade confrangedora e impreparação política para dar continuação duradoira ao acto praticado (e nem outro comportamento estaria nas cogitações dos seus autores,considerando o obscurantismo em nos atolaram durante cerca de cinquenta anos).
Escancararam-nos as portas. Deram-nos a rara e tão desejada oportunidade para reconstruirmos um país para todos mas... os abutres estavam à espreita e aproveitaram a distracção. Apercebendo-se da desorganização reinante não perderam tempo para desferirem, pela calada ou descaradamente, os golpes de lesa-pátria, teia que tão bem sabem urdir. E o resultado está à vista: não só retomaram posições e privilégios momentaneamente ameaçados como os têm vindo a reforçar.
Agora, já com o domínio absoluto da situação, entregam-se a um ritual de ajuste de contas, retaliando contra quem teve a "ousadia" de afrontar o regime deposto. A esses eles nunca perdoaram nem perdoarão. Regressar ao seu eldorado já não chega. Querem mais: fazerem eles próprios uma verdadeira revolução. Exactamente, estão a fazê-la!... Aquilo a que muitos teóricos, historiadores, papagaios de estrumeira, escribas de meia tijela, e pseudo-intelectuais apelidam de revolução eu chamo-lhe (e creio não ser único) Golpe de Estado. Pois é... o 25 de Abril - que os saudosistas abominam - foi um aparatoso golpe de estado desencadeado por uma mão-cheia de militares corajosos para, logo a seguir, inocentemente, entregarem de bandeja um País àqueles que, afinal, tinham acabado de ser derrubados!...
A revolução, essa, têm vindo eles paulatinamente a fazê-la. E de que maneira!... Os que já eram ricos estão cada vez mais ricos; os pobres cada vez mais pobres e em quantidade assustadora.
Eu queria largá-los, fugir deles, para bem longe, mas já não posso. Haja quem me tire daqui. Ainda vivo...
Não estou, e jamais estarei a incitar à violência gratuita, às pilhagens indiscriminadas, empresas tomadas de assalto... perseguições para, a seguir, ficar tudo pior que dantes. Como aconteceu, se bem nos lembramos, com o pós-25 de Abril de 1974, período em que valeu tudo até à destruição do muito que de bom ainda havia. A anarquia tomou conta do País. Cada qual puxava para o seu lado. E assim se perdeu a rara oportunidade de resgatar um povo da opressão e devolver-lhe a dignidade subtraída. Revelámos uma ingenuidade confrangedora e impreparação política para dar continuação duradoira ao acto praticado (e nem outro comportamento estaria nas cogitações dos seus autores,considerando o obscurantismo em nos atolaram durante cerca de cinquenta anos).
Escancararam-nos as portas. Deram-nos a rara e tão desejada oportunidade para reconstruirmos um país para todos mas... os abutres estavam à espreita e aproveitaram a distracção. Apercebendo-se da desorganização reinante não perderam tempo para desferirem, pela calada ou descaradamente, os golpes de lesa-pátria, teia que tão bem sabem urdir. E o resultado está à vista: não só retomaram posições e privilégios momentaneamente ameaçados como os têm vindo a reforçar.
Agora, já com o domínio absoluto da situação, entregam-se a um ritual de ajuste de contas, retaliando contra quem teve a "ousadia" de afrontar o regime deposto. A esses eles nunca perdoaram nem perdoarão. Regressar ao seu eldorado já não chega. Querem mais: fazerem eles próprios uma verdadeira revolução. Exactamente, estão a fazê-la!... Aquilo a que muitos teóricos, historiadores, papagaios de estrumeira, escribas de meia tijela, e pseudo-intelectuais apelidam de revolução eu chamo-lhe (e creio não ser único) Golpe de Estado. Pois é... o 25 de Abril - que os saudosistas abominam - foi um aparatoso golpe de estado desencadeado por uma mão-cheia de militares corajosos para, logo a seguir, inocentemente, entregarem de bandeja um País àqueles que, afinal, tinham acabado de ser derrubados!...
A revolução, essa, têm vindo eles paulatinamente a fazê-la. E de que maneira!... Os que já eram ricos estão cada vez mais ricos; os pobres cada vez mais pobres e em quantidade assustadora.
Eu queria largá-los, fugir deles, para bem longe, mas já não posso. Haja quem me tire daqui. Ainda vivo...
sábado, 1 de setembro de 2012
UM PAÍS PARA TODOS OU UMA QUINTA (SÓ) PARA ALGUNS?
Portugal, este "Jardim à Beira-mar Plantado" que os poetas cantam e os filósofos enaltecem não é, e segundo reza a História raramente foi, um país soberano ou cem por cento independente. Foi sim, e continua a ser, um antro de oportunistas malfeitores que mais não têm feito do que viver à custa das riquezas nacionais - que ainda e sempre foram muitas - não se importando, se a tal tiverem de recorrerpara seu próprio benefício, de atolar-nos a todos em dívidas externas. Fatalidade nossa ou falta de "tomates" para pôr isto em ordem? Senão vejamos: houve em quase toda a nossa História estranhos com as patas metidas cá dentro dominando-nos, roubando-nos e explorando o que de melhor temos tido. Eles foram (e são) os espanhóis, os franceses, os ingleses, os FMI's, eu sei lá quem mais, numa demonstração inequívoca da nossa incapacidade para gerir o que nos pertence, preferindo obedecer aos impulsos duma vergonhosa subserviência em prejuizo do todo nacional.
A nossa vaidade e arrogância não têm limites. Quisemos (também) fazer parte do "clube dos ricos" europeu. Uma vaidade que nos está a sair cara numa Europa que diz querer a união dos paises do (que alguns gostam de designar por) "Velho Continente", mas onde só muito poucos mandam. Os outros são obrigados a cumprir; se não quiserem apontam-lhes a retirada como sendo o melhor caminho a seguir... para a lama que ficou depois de nos terem arruinado a agricultura e as pescas e de nos imporem cotas de tudo e mais alguma coisa. Empurraram-nos para a miséria. Conseguiram o que queriam que era: primeiro dominar os nossos governantes; segundo criar pobreza; terceiro, reduzido o país à indigência, importarem mão-de-obra barata, colocarem cá os seus produtos e transformar esta aprazível parte do Mundo em colónia de frérias onde serão servidos pelos que ficarem.
Os poderosos não desistem de dominar o Universo; os alemães não desistem de dominar a Europa. A senhora Merkl, sabedora de que nas anteriores tentativas pelas armas não conseguiram, quer agora concretizar esse sonho antigo pela via económica. Consegui-lo-á? Com governantes destes nunca se sabe... Ordens, já dão. E insinuam que há penalizações para quem não obedecer!...
Afogado na minha infantil ignorância medito na inutilidade da realização de eleições legislativas e presidenciais que ainda teimamos em levar a cabo, sabendo que nenhuma dessas entidades (ou Órgãos do Estado) decide seja o que for de substancial valor patriótico sem autorização de estrangeiros. E é isso que me dói: voto nos da "casa", pago-lhes bem sem o merecerem, e sou governado pelos de fora, a quem também pago directa ou indirectamente.
Vergonha e revolta interior é tudo que sinto nesta "quinta" que, por enquanto, ainda vai tendo uma bandeira e um hino portugueses.
Portugal, este "Jardim à Beira-mar Plantado" que os poetas cantam e os filósofos enaltecem não é, e segundo reza a História raramente foi, um país soberano ou cem por cento independente. Foi sim, e continua a ser, um antro de oportunistas malfeitores que mais não têm feito do que viver à custa das riquezas nacionais - que ainda e sempre foram muitas - não se importando, se a tal tiverem de recorrerpara seu próprio benefício, de atolar-nos a todos em dívidas externas. Fatalidade nossa ou falta de "tomates" para pôr isto em ordem? Senão vejamos: houve em quase toda a nossa História estranhos com as patas metidas cá dentro dominando-nos, roubando-nos e explorando o que de melhor temos tido. Eles foram (e são) os espanhóis, os franceses, os ingleses, os FMI's, eu sei lá quem mais, numa demonstração inequívoca da nossa incapacidade para gerir o que nos pertence, preferindo obedecer aos impulsos duma vergonhosa subserviência em prejuizo do todo nacional.
A nossa vaidade e arrogância não têm limites. Quisemos (também) fazer parte do "clube dos ricos" europeu. Uma vaidade que nos está a sair cara numa Europa que diz querer a união dos paises do (que alguns gostam de designar por) "Velho Continente", mas onde só muito poucos mandam. Os outros são obrigados a cumprir; se não quiserem apontam-lhes a retirada como sendo o melhor caminho a seguir... para a lama que ficou depois de nos terem arruinado a agricultura e as pescas e de nos imporem cotas de tudo e mais alguma coisa. Empurraram-nos para a miséria. Conseguiram o que queriam que era: primeiro dominar os nossos governantes; segundo criar pobreza; terceiro, reduzido o país à indigência, importarem mão-de-obra barata, colocarem cá os seus produtos e transformar esta aprazível parte do Mundo em colónia de frérias onde serão servidos pelos que ficarem.
Os poderosos não desistem de dominar o Universo; os alemães não desistem de dominar a Europa. A senhora Merkl, sabedora de que nas anteriores tentativas pelas armas não conseguiram, quer agora concretizar esse sonho antigo pela via económica. Consegui-lo-á? Com governantes destes nunca se sabe... Ordens, já dão. E insinuam que há penalizações para quem não obedecer!...
Afogado na minha infantil ignorância medito na inutilidade da realização de eleições legislativas e presidenciais que ainda teimamos em levar a cabo, sabendo que nenhuma dessas entidades (ou Órgãos do Estado) decide seja o que for de substancial valor patriótico sem autorização de estrangeiros. E é isso que me dói: voto nos da "casa", pago-lhes bem sem o merecerem, e sou governado pelos de fora, a quem também pago directa ou indirectamente.
Vergonha e revolta interior é tudo que sinto nesta "quinta" que, por enquanto, ainda vai tendo uma bandeira e um hino portugueses.
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