sábado, 27 de abril de 2013

DITADORES DA NOVA VAGA


        DITADORES DA NOVA VAGA

 

      O Salazar se cá voltasse agora (oxalá que não!) teria vergonha dos ditadores que o querem imitar. Duma mediocridade intelectual a rondar a comiseração nem sequer se apercebem de que “o botas de Sta. Comba” reinou num tempo em que era fácil ser pastor de carneiros amansados pela fome e pelo medo e eliminava – mandando matar mesmo, se assim o entendesse – os que se mostrassem difíceis de domar.

      Os tempos agora são outros, o Mundo mudou, a própria Europa é diferente política e socialmente e as pessoas têm hoje plena consciência das suas obrigações e direitos.

      Dotados duma massa cinzenta obscurecida por cifrões, os ditadores que começam a emergir das democracias actuais, têm como pensamento único tornarem-se cada vez mais ricos. À falta de inteligência e vontade de trabalhar honestamente procuram engordar as suas riquezas indo buscá-las aonde é mais fácil: roubando os pobres, abandonando os idosos e jovens subtraindo na saúde e na educação.

      Ao provocarem falências e matarem empresas gerando desemprego eles sabem que o resultado final é a miséria e a subjugação. Conseguido isso – o que começa a ser já evidente – fica o terreno preparado para aquilo que o Primeiro-ministro aconselha como sendo uma boa oportunidade face à crise que se atravessa: emigrar… E ao contrário do que os que comem da mesma gamela querem fazer crer, ele não é ingénuo na sua proposta e intenções. Sabe bem o que quer. Que é “limpar” o País matando os velhos e os doentes (uns para deixarem de receber reformas, outros para não fazerem despesas com a saúde) e “despachando” os novos daqui para fora, porque, desempregados, tornam-se vozes e atitudes incómodas com as suas justas reivindicações. “Ah, esta é uma conversa de ‘chacha’ porque assim isto ficava sem ninguém” – dirão os defensores de tão “cristalina política”… Pois, e eu contraponho que esse(a)s senhore(a)s que são instrumentalizados (porque também pensam que lhes convém…) têm tudo equacionado… é mesmo isso que querem: “varrer” daqui para fora quem os possa afrontar. Para eles o País não são as pessoas. São as riquezas que nele existem. E essas poderão ser exploradas por “escravos” vindos de fora com (calculadas) vantagens: trabalham as horas que os patrões determinarem; recebem os salários que os patrões lhes quiserem dar; não reivindicam nem fazem greves; não fazem exigências sociais; podem ser despedidos sem quaisquer direitos. Como se vê, não andam a dormir; e se dormem têm sonhos cor-de-rosa… Mas está nas nossas mãos evitar que tais sonhos se materializem. Queremos uma Pátria dos e para os Portugueses e não uma colónia de férias para estrangeiros e ou burgueses nacionais connosco a trabalhar para eles.
      Termino como comecei: nem o Salazar chegou a tanto… era avesso a emigrações, embora também não fizesse nada para reter pacificamente os filhos mais valiosos da Nação.

quinta-feira, 25 de abril de 2013


 

          VINTE E CINCO DE ABRIL TRAÍDO

 

      Faz hoje 39 anos que aconteceu o dia mais feliz da minha vida. Lutei arduamente por ele. Para o conseguir paguei um duro tributo. As perseguições de toda ordem, nomeadamente de ordem política e profissional eram uma constante. Todos os anos o festejava. Mais de que qualquer outro; mesmo que dos entes mais queridos, pois ele representava tudo que eu desejava para um futuro melhor para a família que tinha constituído, era a porta aberta para um Portugal melhor para todos. Como eu, outros “ingénuos” assim pensavam, não admitindo sequer que o inimigo de sempre estava ainda vivo e à espreita de uma nova oportunidade para atacar.

      Hoje, desiludido, já não o festejo. Se o fizesse não festejaria o “meu” 25 de Abril mas sim o de quem o tomou de assalto; o perverteu. Recuso-me a bater palmas à fome, ao desemprego, à corrupção, ao abandono dos idosos, ao desprezo pelo esforço dos jovens que tiram os seus cursos para ficarem em casa às sopas dos pais por falta de emprego, a uma pseudo-liberdade que outra coisa não é que uma ditadura camuflada; não bato palmas a um futuro incerto; não festejo a opulência de uns que contrasta com a miséria de muitos outros. Não, eu isso não faço. Se o fizesse seria tão porco de sentimentos como são aqueles que eu condeno.

      “Este 25 de Abril” morreu. Assassinaram-no. Ardeu. Agora só espero que nas suas cinzas germine outro mais sério, menos oportunista, mais duradoiro. E esse desiderato será possível se algum dia o povo tomar consciência de que a solução está nas suas mãos, começando a ser ele a “fazer” os políticos que quer para governarem o País, e não aceitar políticos que “fazem” o povo que querem para se governarem a si próprios. É tempo de dizer: “Basta de traidores”!

 

 

Vinte e cinco de Abril, um marco distante,

As portas se abriram a um Portugal melhor,

Mas os vilões de sempre o tornaram pior,

E ejaculam ódios com ar trinfante.

              ======O======

Pairam no horizonte sombras da desgraça…

Fantasmas se cruzam no nosso destino,

Promessas que não passam duma trapaça,

Do ódio e da vingança fizeram o seu hino!...

              ======O======

Ouvem-se ao longe os sons da Liberdade.

Tão longe que hoje estão quase esquecidos…

Sonhos traídos por falsas promessas…

Trabalho, amor e pura fraternidade

Foram riquezas já subtraídas,

Temos um país virado das avessas.

 

Por Albertino da Costa Veloso.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

HOMENAGEM


                     HOMENAGEM

 

(Homenagem a alguém que me foi querido, pretensamente enfeitada com um ligeiro toque de poesia parola).

 

      Estendo o braço, tacteio. Meio ensonado ainda, só encontro o vazio. Estremeço e acordo definitivamente. Solto um bocejo, sento-me na cama, acendo a luz. Na minha frente uns olhos me fitam sem se moverem. Deixo sair palavras ao acaso: “Sim, estou a falar contigo. Pois… não me respondes nem me ouves. Mas porque continuas a sorrir-me?... a envolver-me com um sorriso que eu tão bem conhecia e deixei de ver… há 22 anos? Agora só me resta a consolação dum retrato para contemplar quando não durmo. Já lá vai muito tempo mas não me esqueci de ti. Se ainda me amas espera por mim. Já não faltará muito para o nosso reencontro. Então sim, já nada nos voltará a separar. A nossa (re)união será eterna. Recebe um saudoso beijo daquele que sempre te amou e ama, embora nem sempre te tenha dado tudo que merecias. Mas essa é uma das imperfeições do ser humano: só atribui o devido apreço ao que é seu quando o perde.”

 

                                 Tu partiste e eu fiquei

                                 Comigo ficou a saudade

                                 Eu ainda hoje não sei

                                 Por quê tamanha maldade…

                                                ===O===

                                 S’eu merecia tal castigo

                                 Do deus que me condenou,

                                 Então por que te levou

                                 E não me levou contigo?

                                                 ===O===

                                 Desde então tudo mudou,

                                 Tudo agora é diferente…

                                   Queres saber como estou?

                                  … Mais triste de que contente.