sábado, 21 de setembro de 2013

BAILE CHUNGA


                    BAILE CHUNGA


 

      Baile chunga é uma dança de características palaciano-popular que tem, no seu espírito, o “cuidado” e intenção de animar o Povo. Realiza-se periodicamente e em condições excepcionais pode acontecer com alguma irregularidade, dependendo tudo do comportamento de quem “organiza” o baile e do carácter de quem dança… É um baile mandado e na sua preparação – com a antecipação que convém – não faltam, obviamente músicos, bailarinos e assistência. Sendo um baile particularmente distinto de qualquer outro e para que seja mais espectacular também dá lugar a fantoches…

        AGORA ATENÇÃO AO BAILE MANDADO:

 

Senhoras e meus senhores

O baile vai começar.

Entram gaitas e tambores

Cada qual ‘scolhe o seu par.

             ====o====

      (Bate certo!)

Bate certo não se enganem,

Vamos acertar o(s) Passos…

Abram alas, fechem Portas,

Se não podem que se esganem…

Se sentem os olhos baços

É porqu’as salas são tortas.

                ====o====

          (Vai!)

Vamos rodar à direita,

E agora vira à esquerda.

Isto nunca mais sen’direita,

Já me enganei, oh que merda!

                 ====o====

         (Não te enganes)

Bate o pé e não te deixes

Enganar, se não cais!

Porque depois não te queixes,

… é tarde pra soltar ais…

                ====o====

         (Troca o par)

Meia volta e troca o par,

E a banda toca um fado…

Neste baile desgarrado

Alguém te quer enganar…

              ====o====

      (Bate o pé)

Dá-lhe a volta e bate o pé,

Bate nesta chungaria,

Se não queres ser a ralé

Expulsa esta porcaria!

           ====o====

      (Terminou)

Terminado este baile,

São horas de ir embora.

… os músicos já se esqueceram…

Das canções que nos tocaram.

Calça os socos, veste o xaile,

Vamos chorar lá pra fora…

Ai que m’anestesiaram,

Oh meu Deus que me fod.ram!...  

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

ELEIÇÕES À VISTA


  ELEIÇÕES À VISTA – VIVA O FOLCLORE!

Pairam nuvens sombrias no firmamento…                                                                                            

Auguram tempestade cá em baixo na terra

Receia a plebe maior sofrimento,

Os deuses, vingativos, declaram guerra!

Clemência ó Céus, acabai este tormento…

E puni vigorosamente quem tanto ódio encerra.

                         ====o====

Deuses insanos

Que tudo devoram!

Com torpes enganos

Os humildes exploram

Dizem ter planos

Mas o povo ignoram!

                             ====o====

Grassa a fome, a doença, a ignorância,

Os nababos modernos vivem na abastança,

Tiram proveito duma vil matança,

Já nem escondem a sua arrogância!...

                               ====o====

Abre os olhos Portugal e pega em armas!

Noutras, que não só as da razão…

Essas, já se viu, não garantem pão,

Pega noutras, de contrário, mais te alarmas…

                               ====o====

Estás pobre porque alguém

Te roubou o que ganhaste;

Não chores porque ninguém

Tem culpa se neles votaste!...

                                 ====o====

Mas é tempo de abrires os olhos…

E de punir quem te roubou.

… fez-te promessas aos molhos

E afinal… só te enganou!...

 
(Por Albertino da Costa Veloso, algures no Planeta Terra, 19 de setembro de 2013).       

      

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

PRESIDENTE OU PRESIDENTA?


      PRESIDENTE OU PRESIDENTA?


 

      Li algures que a palavra PRESIDENTA não existe ou não se aplica. Tanto faz. Mas será assim? Bem, como adiante se verá, não é por gostarmos ou não que as coisas deixam de ser como são…

      É do conhecimento geral que a Língua Portuguesa tem sido, de há uns tempos para cá sujeita a várias agressões, a tal ponto que as pessoas que a usam com regularidade – quer oral quer escrita – esbarram contra montanhas de dúvidas umas, outras asseveram categoricamente o contrário do óbvio. Tem algum tempo a polémica levantada sobre a palavra PRESIDENTA. Figuras ilustres da área da cultura e da escrita negam a existência do termo. Com razão ou sem ela? É o que iremos ver no DICIONÁRIO DA LÍNGUA PORTUGUESA, 7ª Edição da Porto Editora: - Presidenta,  s. f. (neol.) fem. de presidente; mulher que preside… Chega ou a teimosia vai continuar?...

      Para terminar, o meu comentário: uma coisa é aquilo com que concordamos ou não; a outra é sermos obrigados a conviver com o que temos. Ainda que adulterado e a perder respeito. Eu, que estou velho para me sujeitar a brincadeiras de mau gosto, vou continuando a navegar em águas já minhas conhecidas, e evitar as rotas dos novos iluminados…

 

 

 

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

SOLIDARIEDADE


A SOLIDARIEDADE (AINDA) EXISTE

 

      Os sinais de alarme soaram, accionados por M. Inês  Ribeiro, e velozmente atravessaram fronteiras alertando para o perigo iminente. Em causa está a vida de uma pessoa. A precisar de tratamento especializado urgente, cuja esperança de êxito só se poderá encontrar na Alemanha e sem meios financeiros para o conseguir, Elisa Daniel, na flor da vida, corre sérios riscos de nos deixar para sempre!

      Postas ao corrente de tão grave situação, as pessoas logo se uniram, criando expontaneamente um movimento de solidariedade, com a finalidade de angariar fundos que contribuam para o resultado que todos desejamos. E o primeiro passo já foi dado: um almoço que reuniu cerca de 300 amigos e um leilão de algumas ofertas renderam já o pecúlio inicial. Mas, como facilmente se poderá compreender, é apenas uma gota dum oceano imenso de necessidades que – assim esperamos – virão a ser supridas com muitas mais ajudas, sobretudo pecuniárias.

      Nesse sentido eu lanço daqui o meu apelo a todos os amigos de boa vontade para que, num gesto de sólido humanismo se juntem em torno desta nobre causa e, dentro das possibilidades de cada um, ajudem, vamos ajudar todos, a salvar a Elisa. O seu internamento, se puder ir, será no dia 9 de Outubro próximo. Vamos fazer tudo para que ela vá. E regresse viva e sã.

       O NIB: (ELISA DANIEL) 0035 0210 0002 1982 7004 9;

       IBAN: PT5000 3502 1000 0219 8270 049;

      BIC: CGDIPTPL;

      TLM: 969 483 516.

      HOJE POR ELA, AMANHÃ POR UM DE NÓS.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

SENTINELA ALERTA!


SENTINELA ALERTA!

 

Pois é, meus amigos… não podemos descurar a vigilância, sob pena de passarmos a ver-nos confrontados com situações à margem do bom relacionamento que caracteriza as pessoas de bem. Se é verdade que de certo modo temos a faculdade de selecionar os nossos amigos, o mesmo não se passa com os nossos inimigos. Isto é, aos nossos amigos convidamo-los para entrarem em nossas casas, ou são eles que nos convidam para entrar nas suas. Os nossos inimigos entram sem serem convidados, quando e onde menos se espera, cujas intenções e resultados são na maior parte das vezes imprevisíveis e nefastos.

Tomemos como exemplo este “Cantinho”, que tínhamos como uma sala de visitas onde os amigos se encontravam para troca de opiniões e relembrar tempos idos, imbuídos do espírito da sã convivência, e eis que um intruso – que terá apostado com alguém que ia lançar a confusão – aparece sorrateiramente, como é apanágio dos marginais, a minar (ou armadilhar) uma amizade que civilizadamente vinha sendo reforçada.

Não é preciso ser-se versado em relações humanas nem possuir dotes elevados de Psicologia (a que estudei ficou-se pela rama) para se concluir com alguma facilidade de que tipo de pessoa se trata. E a minha análise é tão só esta: do ponto de vista psiquiátrico é desequilibrada; do ponto de vista sociológico acompanha-a uma frustração persistente. A incoerência e o despropósito são as notas mais em evidência. Se dúvidas houvesse bastaria reparar nas alarvidades que despeja no espaço reservado aos comentários: nada é dito que corresponda a uma resposta ao que foi publicado. Prefere lançar-se numa provocação gratuita e incoerente. E a algaraviada com que tenta explicar-se é no mínimo confrangedora…

16491 disse...

Hors de contexte:

16491,nao é anonimo,mas sim uma matricula Militar a qual identificava todas as Praças !

Nao estava às 3 da manha en face à l'ordinateur; esta foi a hora em que você fez un copier coller de meu comentàrio.
Nao me vou justificar com seres indignos 'racaille).
16491
9 de Julho de 2013 às 10:34

Ora num Português sofrível, ora num pretenso Inglês misturado com um pretenso Francês (gostaria de saber como é que se consegue aprender uma língua estrangeira sem se saber a Língua Pátria…), aqui temos o retrato dum aprendiz de sabotador.

Meus amigos até um dia. Por agora vou tirar os pés da lama…

domingo, 7 de julho de 2013

OS LATIDOS DO CHACAL


OS LATIDOS DO CHACAL

 

Numa passagem pelo Cantinho do Tintinaine, no espaço para os comentários, deparo com umas suinices escritas num Português a rondar um analfabetismo chocante, que nada tinham a ver com a matéria abordada pelo Carlos Manuel Silva, que se referia a uma fotografia do (então) 1º Tenente Zilhão, ao tempo comandante das Instalações Navais dos Portos do Lago Niassa (a designação não é o mais importante).

Eis, o que encontrei no meio dos comentários:

25 de Junho de 2013 às 03:04

AnónimoEx-Fuzo (3 comissoes no papo) disse...

Li num blog d'um ex-fuzo (o Animal fez 4 comissoes),mas pelo que diz devia de estar no Paiol dos géneros ou deve de estar num estado de demença muito avançado.
Aqui vai sua confissao : sempre fui pela Independencia de Moçambique ! Como é possivel fazer uma carreira Militar se os Principios sao contra.Os tipos da Pide eram uns Santos a comparar com este demente !
Como dizia meu Avô: abrir a boca para entrar merda ou sair moscas,mais vale ter o "cu" fechado !
16491

Conhecendo como julgo conhecer os ex-camaradas de armas e comissões, concluí que de todos nós, 4 comissões, só eu as fiz. Logo, o anónimo cobarde – que se calhar nem me conhece – resolveu naquela noite, talvez num pretenso ajuste de contas com a Marinha ou com os Fuzileiros, bolçar o veneno das suas frustrações acumuladas ao longo da sua vida, quer militar quer civil.

Pensei e repensei se deveria ou não responder a este senhor (se é que se pode atribuir a designação de senhor a um verme). Ignorá-lo, como se faz às coisas inúteis, talvez fosse melhor. Mas eu, que pautei sempre a minha honra pela luta contra os crápulas, disse para comigo: calado é que não vais ficar. E aqui estou eu pronto a dissertar sobre todos os pontos de que fui alvo e a seguir dar-lhe a resposta adequada.

O “Animal” a que se refere fez 4 comissões e em nenhuma delas esteve no Paiol de Géneros. Nas 3 primeiras andou sempre a bater com o “coirão” no mato ou no mar, e só a última, já com 40 anos, é que esteve na secretaria. O mesmo não poderá dizer o autor das baboseiras, porque deve ter sido dos tais que andava sempre dispensado de todo o serviço e os colegas é que teriam de ir para as operações por si, uma prática muito comum nos golpistas e maus camaradas.

Sobre o meu estado de “demença” (aconselho-o a ir frequentar uma escola nocturna  para aprender a escrever DEMÊNCIA) devo dizer-lhe que sempre que escrevo estou na posse duma perfeita lucidez, ao contrário do ”Ex-fuzo com 3 comissões no papo” que, à hora em que cuspiu o seu chorrilho devia estar etilizado ou sob o efeito de outros produtos não menos susceptíveis de provocar distúrbios mentais.
Sempre fui, sim, a favor da Independência de Moçambique. A favor dum Moçambique (assim como de outros territórios) governado por gente capaz, independentemente da pigmentação da epiderme, mas com uma preparação prévia de nunca menos de 2 anos, para assumir com êxito o cargo da governação. E o facto de eu ser militar não me retira a faculdade de pensar pela minha cabeça, de saber distinguir o bem do mal, qualidade que escapa aos robots que as mães pariram para andarem por aí puxados pela trela…
Acredito que sinta alguma nostalgia dos “santos da PIDE”. Da forma veemente como os defende, “bons serviços” lhe deve ter prestado. Infelizmente a Marinha em geral e particularmente os fuzileiros tinham os seus “bufos”, que por via dessa qualidade canalha eram protegidos, pois a missão primordial que tinham, para onde fossem, cingia-se à recolha de” informações que pudessem interessar para a Defesa do Estado” e comunica-las. E assim se arruinaram muitas carreiras, famílias e lares. Após o “25 de Abril”, data que os saudosos abominam, muitos foram expulsos ou saneados, outros apressaram-se a ir-se embora com receio das retaliações, e outros, ainda, passando pelas malhas da protecção que continuou, foram ficando. “Três comissões no papo” que devem ter sido feitas permanentemente a caminho das consultas nos hospitais da cidade e os camaradas que fossem para o mato, que os relatórios a enviar aos “santos da PIDE” estavam em primeiro lugar. O amor tem destas coisas: um acontecimento com que não esperariam (porque eram tansos) separou-os. Agora, que a prática política apresenta contornos do antigamente, julgam chegado o momento do reencontro e para isso há que ir enfeitando o ramo, lavar a imagem e preparar o regresso. Sonhar ainda é permitido…
Eu não queria dizer tanto; nem queria dizer nada. Mas queria agir. À maneira como eu gostaria. E como ele merece. Fazê-lo passar por maus momentos pela insolência, má educação e falta de respeito seria o caminho a seguir. Porém até essa atitude preferi rejeitar, porque também eu desceria ao seu nível. Assim, optei por deixar de comentar neste espaço para não ter que tropeçar em excrementos de javali que dum momento para o outro surgiu dum chafurdo qualquer a conspurcar uma área que até aqui foi frequentada por pessoas civilizadas. Pessoas amigas (cada qual com as suas divergências obviamente) que continuam a tratar-se da maneira que sempre se trataram. Vou deixar aos meus amigos a promessa de continuar a visitar o Cantinho do Tintinaine e todos os sítios por onde andem e eu possa lá entrar e espero que me compreendam e me perdoem eu não fazer comentários nem blogues. Marquemos encontro no facebook. O meu abraço para todos.
 
 

 

 

  

domingo, 23 de junho de 2013

REACENDER DA GUERRA EM MOÇAMBIQUE

O problema é sempre o mesmo: sede de poder. Os que estão e não o querem largar e os que estão de fora e o querem tomar. Meu querido Moçambique, que mereces bem melhor. Espero que se entendam para felicidade de todos os moçambicanos - que já esperam há muitos anos - e não para a felicidade só de alguns. Não foi para desgraçar esse povo, ainda mais, que diziam lutar pela independência. Já a têm há tempo de mais para demonstrarem as boas intenções. Não queiram dar razão ao odiado regime colonialista... Fui dos que sempre defenderam o direito à independência, mas para melhor e não para aquilo que nos estão a mostrar. Viva um Moçambique feliz e próspero para todos os moçambicanos!

ANEDOTAS


ANEDOTAS

 

Hoje é um dia aborrecido para mim…
Uma prima minha, que não era já nenhuma criança, sempre que entrava numa conversa em que se falasse de sexo, dizia que ainda estava virgem. Um primo dela, assim um bocado “ranhoso”, começou a teimar que não acreditava, como é que podia ser uma boazona daquelas com quase quarenta anos ainda ter os “três”, nha, nha, nha, e que de certeza que não eram todos paneleiros os oito que ela namorou, incluindo um fuzileiro com quem foi gozar umas férias para a Barragem da Agueira, debaixo da Ponte de Currelos – Carregal do Sal e por aí acima… A pobre rapariga, já farta de o ouvir, saiu dali e foi deitar-se na linha! Correm os populares, mas o combóio Intercidades, que já vinha perto,  zás… Vêm os bombeiros, o INEM e transportam-na imediatamente para o hospital. Neste momento estão a fazer-lhe nos serviços de genecologia uma operação ao útero e até agora ainda não apareceu o combóio...

segunda-feira, 17 de junho de 2013

POESIA


POESIA SALOIA

 

Hoje, para “castigo”, vou despejar aqui para os meus amigo do “Face” e do Cantinho do Tintinaine (em http://FUZOMOR.blogspot.pt) estas bacoradas, que outra finalidade não têm que não seja fugir ao ritmo habitual. O que aqui deixo, se eventualmente se enquadra na vida de alguém em particular, é pura coincidência e asseguro que é fruto da minha imaginação.

 

Eu não sou quem procuravas

E tu não és quem eu queria.

Muitas vezes me enganavas

A pensar que eu não sabia.

===0===

Amei-te sem ser amado.

Fui feliz, mas sem saber

Que era atraiçoado.

Levei tempo a perceber

A trama em que caí.

Quero esquecer-me de ti

E regressar ao passado

Pra depois reaparecer

Livre do que já vivi.

===0===

És bonita só por fora.

Por dentro és muito feia…

Encantas quem te namora

Com teus gestos de sereia.

Nas acções és muito má,

Não te importas de quem vá

Infeliz daqui embora

Nem te comove essa ideia.

===0===

Se quem colhe o que semeia

Seja ao almoço ou à ceia

Há-de comê-lo um dia.

E não é com melodia

De encantar os passarinhos

Que o tempo remedeia.

Quem não fez o que devia

Não pode esperar miminhos…

===0===

E quando fores já velhinha

Sem o fulgor doutros tempos

Vais ver que “aquela rainha”

Que espalhava pelos ventos

O perfume dum sorriso

Julgando que o paraíso

Nunca mais acabaria,

Vai ser a desgraçadinha

Que mesmo com seus lamentos

- Porque não teve juízo –

Está a colher o que merecia!

 

segunda-feira, 27 de maio de 2013

A ARTE DE ESCREVER


 ARTES E LETRAS E LETRAS COM ARTE –

              ESCREVER & ESCREVINHAR

 

      Do alto da minha insignificância literária permito-me dizer que o bom escritor não tem de ser aquele que domina na perfeição a Língua em que escreve. Para mim o escritor ideal será sempre aquele que do universo da sua imaginação (âmbito da ficção) ou fundamentado em suportes reais (histórias verídicas) retira as melhores ideias e as reúne, ordena e constrói um discurso interessante do ponto de vista recreativo, cultural e pedagógico. Pode compor um texto aqui e além salpicado de erros ortográficos e ou gramaticais (e isso poderá acontecer e acontece muitas vezes por mera distracção) que não verá o valor intrínseco da sua obra ser amesquinhado. Porém pode, pelo contrário, o trabalho obedecer a um perfeito domínio da Língua e não despertar o menor apreço pela leitura se as ideias forem escassas e monotonamente repetidas, os termos repisados, tudo a tornar-se numa ementa literária insípida e enfadonha.

      Aparecem de tempos a tempos por aí uns pseudo-escritores e outros candidatos a tais que deixam, numa primeira análise dos seus escritos, uma sensação de frustração (ia dizer burla…) pelo dinheiro investido e o tempo gasto, tal a pobreza publicada! A história até poderá entusiasmar se bem contada, mas… por quem tiver arte para a contar.

      O bom escritor não é aquele que tem por detrás dele uma bem montada máquina publicitária para fazer escoar livros não raro de qualidade a rondar a mediocridade para fazer dinheiro, mas o que sabe realmente escrever, narrar histórias com simplicidade, despertar o entusiasmo pela leitura, ainda que se mantenha ferrenhamente enclausurado no anonimato.

      Escritores conhecidos mundialmente?... Não gosto da maior parte. Nem dum Prémio Nobel da Literatura de nome José Saramago. Tenho algumas obras dele. Comecei-as todas e não terminei nenhuma; ou melhor: terminei antes de chegar ao fim… Se aquilo é Literatura eu sou o rei das Berlengas! Claro que o defeito deve ser só meu por desvalorizar o que muitos sublimam. Mas esse é um direito que tenho: gostar do que gosto e jurar fidelidade à minha eterna ignorância.

 

      Como sempre tenho dito, mantenho-me leal à grafia antiga.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

ANEDOTAS (cont.)


      A “Gilberta do Outeiro”, filha de pais humildes e dotada de invulgar beleza, vai servir para a cidade. Um ano decorrido volta à aldeia e deixa toda a gente embasbacada ao ver tanta riqueza exibida: um carro de luxo, vestidos e sapatos da última moda, casaco de peles, penteado, malas, tudo que identifica pessoas abastadas. Até o modo de falar já era diferente.

       Como á hábito nos meios pequenos em que todos se conhecem, a partida ou chegada de alguém suscita sempre algumas perguntas e comentários. E assim aconteceu nos cumprimentos de chegada: - Atão, Gilberta, como vens bonita da cidade, estás a ver? se aqui continuasses não saias da pelintrice… Diz lá como é que em tão pouco tempo conseguiste isso tudo que trazes vestido? – Bem, isto é só para quem PODE muito (foi a resposta lacónica). E esse carrão, deve ser caríssimo… - Pois é, mas isto é só para quem PODE muito…

      Ao lado estava um grupo de velhas coscuvilheiras que não perdiam pitada da conversa da nova-rica e iam ferrando as suas alfinetadas: - Estão a ouvir aquela peneirenta?... Saiu daqui com uma mão à frente e outra atrás e agora aparece rica e a falar diferente de nós… Já ouviram ela, toda vaidosa, a dizer “isto é só para quem PODE muito”? Agora até troca o F pelo P – diz uma delas.

                                       ======oOo======
(Previno as almas mais púdicas de que não devem ler a anedota que se segue, pois poderão considera-la imprópria para gente de fina educação). Dois amigos reencontram-se passados alguns anos depois de se terem separado. Seguem-se os cumprimentos da praxe e… Eh, pá, como tu estás, com um aspecto porreiro, vê-se que a vida te corre bem enquanto eu continuo por aqui na miséria… diz lá o que é que fazes. – Ó Zé, é simples: e

ANEDOTAS


(Previno as almas mais púdicas de que não devem ler a anedota que se segue, pois poderão considera-la imprópria para gente de fina educação). Dois amigos reencontram-se passados alguns anos depois de se terem separado. Seguem-se os cumprimentos da praxe e… Eh, pá, como tu estás, com um aspecto porreiro, vê-se que a vida te corre bem enquanto eu continuo por aqui na miséria… diz lá o que é que fazes. – Ó Zé, é simples: eu agora governo-me a adivinhar. – Estás a gozar comigo? – Não, é verdade. Queres uma demonstração?... Olha aquela pomba no ar e o milhafre que vem além. Daqui a pouco o milhafre apanha a pomba (e de facto assim aconteceu). Queres mais?... Aquele bêbedo que ali vai, dentro de pouco tempo estende-se pelo chão fora (e mais uma vez foi verdade). O Zé, aparvalhado com o que acaba de ver, pergunta ao amigo: como é que consegues isso? – Bem, é um segredo, mas a ti posso revelá-lo: lavo-me com sabonete LUX, que tem poderes mágicos. Vou dar-te este, vai para casa, lava-te e treina.

      Em casa lavou-se e veio para a rua treinar… “oi, vem ali aquela velha que vai ser já atropelada por este gajo que vai aqui de bicicleta” (não aconteceu nada). Numa segunda tentativa… “Aquele borracho ali no jardim, que se esquiva sempre que lhe apareço, hoje vai cair”.

      O resultado não foi o esperado. Em vez disso a moça, farta das insistências dele, enfiou-lhe um estalo no focinho. Desiludido, foi ao encontro do amigo: eh pá, vai prò caraças mais o sabonete e as adivinhas… não deu resultado nenhum e ainda por cima… olha este olho inchado…  - Não, não pode ser! Tu lavaste-te foi mal. Vamos fazer isso juntos a minha casa.

      Ambos nus na banheira, diz o adivinho para o outro: - Vá, prepara-te que eu lavo-te as costas que é a parte mais difícil.

       E começou a esfregar, a esfregar, a esfregar, por ali abaixo… e a encostar-se ao amigo que, ao sentir “qualquer coisa dura” que nada tinha a ver com sabonete, dá um berro: que é que tu queres pá?... não me digas que me queres vir ao cu!

       O amigo, triunfante, põe-lhe as mãos nos quadris e diz-lhe suavemente: estás a ver, estás a ver?... já estás a começar a adivinhar!      

 

 

 

 

     

 

                   

 

quarta-feira, 8 de maio de 2013

ANEDOTAS


      A médica preparava-se para fazer a autópsia ao morto mas recua de olhos arregalados fixos na piroca do defunto. Depois de inspecionar bem e de ver o tamanho anormal daquele “adorno” masculino chamou: - Enfermeira!... enfermeira!... chegue aqui depressa se faz favor! – Pronto, doutora… - Olhe para isto: há tantos anos que sou médica e nunca vi uma coisa assim! A enfermeira olhou e com toda a naturalidade respondeu: - Oh! É igualzinha à do meu marido… - O quê, assim tão grande? – Não, morta…

                                   ======ooOoo======

      A ovelha do Manéli e da Jaquina, dos alentejanos chapados, pariu um borrego. Gostaram tanto do borreguito que o levaram lá para casa. À medida que ia crescendo o animal ia-se tornando cada vez mais marrão. E andava por ali à vontade… pelo monte, entrava em casa, marrava em todo o bicho que lhe aparecesse, e o Manéli e a Jaquina achavam muita piada a tudo aquilo. Até que um dia, já carneiro grande, entra pelo quarto adentro e quando viu “outro carneiro” no espelho do guarda-fatos enfiou-lhe uma marrada estilhaçando o vidro. Aí a Jaquina já não achou piada nenhuma e desatou a culpar o Manéli pelos estragos causados pelo lanígero. Farto de ouvir a mulher, o alentejano vai buscar um serrote, leva o carneiro para detrás dum chaparro e corta-lhe os cornos! Ao ouvir os balidos aflitivos do animal, a alentejana desata a correr na sua direcção. Quando lá chega responde-lhe o marido, exibindo os chifres cortados: - Pronto acabaram-se as discussões, daqui em diante não marra mais! Só que, ao contrário do que ele pensava, a Jaquina não achou graça nenhuma e ao ver a cabeça do carneiro ensanguentada grita furiosa ao Manéli: - Também gostavas que te fizessem o mesmo?   

 

                   

 

quarta-feira, 1 de maio de 2013

CRISE ECONÓMICA E HIPOCRISIA


        CRISE ECONÓMICA E HIPOCRISIA

 

      Terminei no já longínquo ano de 1956 um CURSO (curso com maiúscula…) de Contabilidade e Administração. Nesse curso eram disciplinas nucleares o Português, o Inglês, a Matemática, a Contabilidade e a Administração, etc., etc. O Deve e o Haver eram a foz onde desaguavam todos os conhecimentos adquiridos. “O que entra debita-se e o que sai credita-se” era a mnemónica que orientava os alunos para um futuro desempenho sem falhas na área da Contabilidade e quem revelasse qualquer hesitação no exame final tinha por certa a reprovação. De tudo que aprendi (e que durante algum tempo apliquei na prática) já esqueci tudo, pois a falta de rotina ou continuidade acabou por diluir a maior parte do que assimilei. Ficou-me no entanto o suficiente para ter a noção do que são contas de somar e subtrair, razões e proporções, de que falarei mais adiante.

      Chegámos ao ponto fulcral do meu discurso: REDUÇÃO DAS DESPESAS DO ESTADO. Muito bem, penso que toda a gente séria estará de acordo com isso. Porém eu começo a desconfiar dos que querem reduzir os custos do aparelho estatal mandando funcionários públicos (professores, médicos, enfermeiros e outros) para o desemprego por desnecessários e representarem uma sobrecarga financeira para os cofres do Estado. Muito bem prega Frei Tomás…

      Ora como podemos nós confiar nos políticos que nos calharam na rifa, respeitá-los e ter por boas as suas intenções, se golpeiam tudo e (quase) todos e não beliscam sequer ao de leve os seus privilégios? Vejamos o despudor de quem nos governa (que teoricamente são o Presidente da República, Governo e Assembleia da República): Num país que não tem cá dentro metade dos cidadãos que tinha quando se fundou o Estado Democrático (devido à baixa natalidade e saída para o estrangeiro) mantém os mesmos 230 deputados na Assembleia da República. A pergunta, pertinente face a tanta hipocrisia é: para que precisa Portugal de tantos deputados se não há cá gente para representarem e os interesses económicos estão nas mãos (bem apertadas) de estrangeiros? E é aqui que devem ser postos em prática os conhecimentos aritméticos e matemáticos que atrás referi:- Já que SOMAM miséria com a SUBTRACÇÃO de direitos e desemprego, apliquem também a Regra-de-trê-simples ao número de deputados precisos relativamente ao país que somos. Não o farão, em nome do “interesse nacional”… porque se o fizessem, em vez dos 230 ficariam só uns 90 ou 100, que seriam suficientes para o que produzem em benefício dos seus concidadãos. O mesmo se poderá dizer do elevado número de ministros, secretários, subsecretários e outros que se sentam à volta do gamelão público sem darem lucro a quem quer que seja.

      Dêem o exemplo, meus senhores, dêem o exemplo, para que se comece a ver alguma justiça social neste Portugal a saque.
      (Este texto segue também no facebook).

sábado, 27 de abril de 2013

DITADORES DA NOVA VAGA


        DITADORES DA NOVA VAGA

 

      O Salazar se cá voltasse agora (oxalá que não!) teria vergonha dos ditadores que o querem imitar. Duma mediocridade intelectual a rondar a comiseração nem sequer se apercebem de que “o botas de Sta. Comba” reinou num tempo em que era fácil ser pastor de carneiros amansados pela fome e pelo medo e eliminava – mandando matar mesmo, se assim o entendesse – os que se mostrassem difíceis de domar.

      Os tempos agora são outros, o Mundo mudou, a própria Europa é diferente política e socialmente e as pessoas têm hoje plena consciência das suas obrigações e direitos.

      Dotados duma massa cinzenta obscurecida por cifrões, os ditadores que começam a emergir das democracias actuais, têm como pensamento único tornarem-se cada vez mais ricos. À falta de inteligência e vontade de trabalhar honestamente procuram engordar as suas riquezas indo buscá-las aonde é mais fácil: roubando os pobres, abandonando os idosos e jovens subtraindo na saúde e na educação.

      Ao provocarem falências e matarem empresas gerando desemprego eles sabem que o resultado final é a miséria e a subjugação. Conseguido isso – o que começa a ser já evidente – fica o terreno preparado para aquilo que o Primeiro-ministro aconselha como sendo uma boa oportunidade face à crise que se atravessa: emigrar… E ao contrário do que os que comem da mesma gamela querem fazer crer, ele não é ingénuo na sua proposta e intenções. Sabe bem o que quer. Que é “limpar” o País matando os velhos e os doentes (uns para deixarem de receber reformas, outros para não fazerem despesas com a saúde) e “despachando” os novos daqui para fora, porque, desempregados, tornam-se vozes e atitudes incómodas com as suas justas reivindicações. “Ah, esta é uma conversa de ‘chacha’ porque assim isto ficava sem ninguém” – dirão os defensores de tão “cristalina política”… Pois, e eu contraponho que esse(a)s senhore(a)s que são instrumentalizados (porque também pensam que lhes convém…) têm tudo equacionado… é mesmo isso que querem: “varrer” daqui para fora quem os possa afrontar. Para eles o País não são as pessoas. São as riquezas que nele existem. E essas poderão ser exploradas por “escravos” vindos de fora com (calculadas) vantagens: trabalham as horas que os patrões determinarem; recebem os salários que os patrões lhes quiserem dar; não reivindicam nem fazem greves; não fazem exigências sociais; podem ser despedidos sem quaisquer direitos. Como se vê, não andam a dormir; e se dormem têm sonhos cor-de-rosa… Mas está nas nossas mãos evitar que tais sonhos se materializem. Queremos uma Pátria dos e para os Portugueses e não uma colónia de férias para estrangeiros e ou burgueses nacionais connosco a trabalhar para eles.
      Termino como comecei: nem o Salazar chegou a tanto… era avesso a emigrações, embora também não fizesse nada para reter pacificamente os filhos mais valiosos da Nação.

quinta-feira, 25 de abril de 2013


 

          VINTE E CINCO DE ABRIL TRAÍDO

 

      Faz hoje 39 anos que aconteceu o dia mais feliz da minha vida. Lutei arduamente por ele. Para o conseguir paguei um duro tributo. As perseguições de toda ordem, nomeadamente de ordem política e profissional eram uma constante. Todos os anos o festejava. Mais de que qualquer outro; mesmo que dos entes mais queridos, pois ele representava tudo que eu desejava para um futuro melhor para a família que tinha constituído, era a porta aberta para um Portugal melhor para todos. Como eu, outros “ingénuos” assim pensavam, não admitindo sequer que o inimigo de sempre estava ainda vivo e à espreita de uma nova oportunidade para atacar.

      Hoje, desiludido, já não o festejo. Se o fizesse não festejaria o “meu” 25 de Abril mas sim o de quem o tomou de assalto; o perverteu. Recuso-me a bater palmas à fome, ao desemprego, à corrupção, ao abandono dos idosos, ao desprezo pelo esforço dos jovens que tiram os seus cursos para ficarem em casa às sopas dos pais por falta de emprego, a uma pseudo-liberdade que outra coisa não é que uma ditadura camuflada; não bato palmas a um futuro incerto; não festejo a opulência de uns que contrasta com a miséria de muitos outros. Não, eu isso não faço. Se o fizesse seria tão porco de sentimentos como são aqueles que eu condeno.

      “Este 25 de Abril” morreu. Assassinaram-no. Ardeu. Agora só espero que nas suas cinzas germine outro mais sério, menos oportunista, mais duradoiro. E esse desiderato será possível se algum dia o povo tomar consciência de que a solução está nas suas mãos, começando a ser ele a “fazer” os políticos que quer para governarem o País, e não aceitar políticos que “fazem” o povo que querem para se governarem a si próprios. É tempo de dizer: “Basta de traidores”!

 

 

Vinte e cinco de Abril, um marco distante,

As portas se abriram a um Portugal melhor,

Mas os vilões de sempre o tornaram pior,

E ejaculam ódios com ar trinfante.

              ======O======

Pairam no horizonte sombras da desgraça…

Fantasmas se cruzam no nosso destino,

Promessas que não passam duma trapaça,

Do ódio e da vingança fizeram o seu hino!...

              ======O======

Ouvem-se ao longe os sons da Liberdade.

Tão longe que hoje estão quase esquecidos…

Sonhos traídos por falsas promessas…

Trabalho, amor e pura fraternidade

Foram riquezas já subtraídas,

Temos um país virado das avessas.

 

Por Albertino da Costa Veloso.