Eterna Saudade é uma frase muito usada nas lápides dos cemitérios e nas páginas necrológicas de alguns jornais em memória dos mortos. São duas palavras que na maior parte das campas estão despidas de sentimentos e ocas de seriedade. É fácil constatar - diria que diariamente - haver relações ácidas, de figadal beligerância entre famílias, com destaque para alguns casais e irmãos mas, à partida para sempre de um deles, não faltam os comportamentos de fachada ao conferir ao defunto "honras" que lhe foram subtraídas em vida.
A começar pela solenidade do velório e do funeral, passando pela profusão de flores depositadas nas sepulturas e acabar nas inscrições gravadas no mármore e ou no granito com a corriqueira "Eterna Saudade dos teus...", o ritual chega ser tão ridículo e hipócrita que quem conheceu e conhece bem aquelas pessoas não se contém sem emitir comentários jocosos.
Muita sorte têm os agentes desses espectáculos macabros por os mortos já não verem nem falarem. Concerteza que se vissem e falassem desatariam aos berros para correr com os fantoches que à custa da sua morte estão a pretender fazer passar uma bondade que não têm e limpar uma imagem demasiado suja.
Que importa agora ao finado que lhe "dêm" as flores, se em vida só recebeu os espinhos? Agora, flores ou tojos, é tudo a mesma coisa; que felicidade pode ele sentir ao "ver-se" dentro dum caríssimo "palácio" de granito enfeitado com figuras sagradas e palavras (pseudo)sentimentais, se em vida morou só dentro de tugúrios rodeado de pobreza, aturava o diabo e só ouvia obscenidades?
Se o assunto não fosse tão sério havia razão para, num bafo de humor selvagem, dizer que há mortos para quem foi preciso morrer para passarem a "viver" melhor que quando viviam... Mas há excepções. E muitas.
MAS A SAUDADE EXISTE
Faz hoje cinco anos. Marcava o meu relógio 14 horas quando recebo de Setúbal a demolidora notícia: Albertino, o seu irmão morreu! Fiquei petrificado. Acabara de perder o meu maior amigo. Foi melhor para ele que, no estado lastimoso de saúde com que se debatia havia longos anos, foi contemplado com o merecido descanso. A vida dele terminou. O seu sofrimento e preocupações também. Para mim ficou o "monstro pesado" da saudade. A minha vida daí para cá nunca mais foi - nem será - a mesma. Tudo se alterou. O sentido das coisas tomou outras direcções... que não sei quais. Sinto permanentemente a sua falta. Decorreram cinco anos mas... foi agora.
Nós não éramos "só" irmãos; éramos, acima de tudo, verdadeiros amigos, característica rara entre irmãos, ainda que na generalidade (quase) todos conservem uma relação fraterna (como sabemos, nem sempre os irmãos são os melhores amigos).
Foi o primeiro de sete irmãos a partir. Depois dele foram mais dois. Pese embora a amizade que me ligava a estes últimos, aconselha a verdade que diga não ter nenhum destes deixado as marcas indeléveis do primeiro.
MORTOS E FUNERAIS
Cerca de um mês antes do desenlace pedira repetidamente a quem com ele privava: "Chamem o Albertino... quero falar com ele". Eu era o seu único confidencial e em quem ele depositava ilimitada confiança, Fazendo um derradeiro apelo às minhas poucas forças - na altura seriamente afectadas por uma série de doenças que combinaram vir todas juntas - desloquei-me do Carregal do Sal, Viseu, a Setúbal para o ouvir. Esforço inglório. Não ouvi nada. Nada me disse. Fiquei uma tarde sentado junto à cama em que ele lutava pela vida, pensando que nunca mais o veria. E não mesmo. Nem morto. Não suporto a visão dos mortos. Não estou preparado para lidar com a morte, Também não vou a funerais. Horrorizam-me as cenas que se geram em torno dum acto que deveria ser grave e recolhimento. Os gritos lancinantes e os ataques de histerismo forjado afastam-me de qualquer cerimónia fúnebre. Um dia ou mais depois vou, sozinho, render a homenagem que todos os mortos me merecem. Ao meu irmão também fui, uma semana após, ao talhão 15, sepultura 63, no cemitério de Algeruz, em Setúbal, verter as lágrimas que sobraram para cima da terra que o cobria e encetava o processo da sua redução a pó.
Para sempre adeus, meu querido irmão e amigo!!!
sábado, 27 de outubro de 2012
MACACOS-CÃES
ALBERTINO Veloso disse...Mas voltando aos "macacos-cães do Tintinaine", de Moçambique, vou contar dois episódios, um passado comigo outro não sei se foi passado comigo se não... Eu já troco esta baralhada por miúdos: - O primeiro, estava eu na CF8, teve como palco uma serra lá para as bandas de Boane, já peóximo da Namaacha. O meu pelotão fora escalado para ir àquela zona fazer uma operação de reconhecimento durante três dias. Fomos largados algures na margem esquerda do rio Umbelúzi e o resto nós que nos desenrascássemos. Andámos, andámos e às tantas estávamos dentro dum pomar imenso. Não se via ninguém por ali... escusado será dizer que durante uns minutos passámos a ser "os donos" daquilo tudo... e tudo que era saco, mochila ou poncho, foi atafulhado de fruta. Andámos horas e horas com aquilo às costas, desce vales, sobe encostas (claro que íamos aliviando a carga pelo caminho), até que chegámos já quase noite ao cume da serra para pernoitar. Preparado o acampamento e "desensacadas" as rações de combate para a janta - que com tanta fruta ali estendida à nossa disposição já não era assim tão mau - começámos a ser visitados por um batalhão de macacos-cães, que sem vergonha nem medo (e se os ameaçávamos tornavam-se agressivos)encetaram um roubo desenfreado que até ponchos com laranjas nos levaram!
O segundo foi em Vila Cabral já na CF10. Havia naquela cidade uma casa que preparava um "coelho à caçador" simplesmente maravlhoso. Era um bocado carote (cem paus na altura) mas era de encher a mula. Uma dose dava para dois alarves... comi lá duas ou três vezes e gostei sempre. Até que, um dia, "rebenta uma bomba" por todo o distrito do Niassa: a casa fechou e o dono foi preso por andar a servir macaco-cão (que havia por ali às toneladas), a que toda a gente chamava coelho! Também Comi? Se calhar...
26 de Outubro de 2012 11:32

[Image]
Julguei que só cão é que ladrava! Quando cheguei a Metangula e ouvi os macacos ladrar fiquei de olhos arregalados. Depois tive uma breve lição de zoologia e fiquei a saber que há um animal com cara de macaco e que ladra como um cão, o macaco-cão. E sabendo isso já não me pareceu tão estranho assim ouvi-los ladrar. Na estrada que partia de Metangula para Vila Cabral, via Nova Coimbra, havia sempre grandes bandos de macacos dessa espécie. Empoleiravam-se nas árvores e comiam mangas... à falta de melhor. De noite assaltavam as capoeiras, na povoação, e roubavam as galinhas ao povo para encher a pança. Esta foto foi tirada na estrada Meponda - Lichinga por um dos membros de uma equipa de «médicos sem fronteiras» que andou por lá ajudando no controlo da sida.
Julguei que só cão é que ladrava! Quando cheguei a Metangula e ouvi os macacos ladrar fiquei de olhos arregalados. Depois tive uma breve lição de zoologia e fiquei a saber que há um animal com cara de macaco e que ladra como um cão, o macaco-cão. E sabendo isso já não me pareceu tão estranho assim ouvi-los ladrar. Na estrada que partia de Metangula para Vila Cabral, via Nova Coimbra, havia sempre grandes bandos de macacos dessa espécie. Empoleiravam-se nas árvores e comiam mangas... à falta de melhor. De noite assaltavam as capoeiras, na povoação, e roubavam as galinhas ao povo para encher a pança. Esta foto foi tirada na estrada Meponda - Lichinga por um dos membros de uma equipa de «médicos sem fronteiras» que andou por lá ajudando no controlo da sida.
publicada por TINTINAINE às 19:32 a 24/Out/2012
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
QUE TIPO DE GREVES?
Deslocava-me há dias de combóio da Estação do Oriente para a Reboleira e li isto, escrito em letras garrafais, gravado nas paredes da Estação de Braço de Prata: A CP é do Povo. Não às greves na CP.
Na viagem fui magicando naquelas palavras, no que elas encerram dentro do espírito das pessoas, relativamente ao "estilo" de greves que de quando em vez são desencadeadas nos transportes públicos, nos transportes do Povo.
O utente assíduo, aquele que "tem de os usar" diariamente e os paga mensalmente na íntegra (sem descontos nos períodos de paragem...), tem dificuldade em perceber a razão que leva os sindicatos a decretar greves que hipoteticamente - se bem sucedidas - beneficiam apenas uma minoria em detrimento de muitos milhares.
Já aqui disse, e não será de mais repetir, que o que está errado não são as greves mas sim os moldes em que têm sido repetidamente levadas por diante.
É altura de os dirigentes sindicais passarem a pensar também nos outros trabalhadores e menos em si próprios, sob pena de começarem a ver "o santo virar-se contra a esmola", o que significa dizer verem um povo saturado - que também nas empresas onde trabalha é vítima de injustiças laborais e portanto adepto das greves - virar-se contra os "barões" das transportadoras públicas de passageiros, que não respeitam colegas de outras profissões.
Como sentenciou o Carlos "Tintinaine" num comentário que eu subscrevo, os sindicatos têm de rever a forma de fazer greves. Mais... eu acrescentaria que, para além de "terem que rever" a(s) forma(s), necessitam de fazer um apelo às próprias consciências sobre o que entendem ser melhor para eles, para as empresas e para o País. Não basta gritar aos QUATRO VENTOS, regosijados, que o País parou. É preciso ter em conta que o País não é só o espaço geográfico mas também e acima de tudo, o conjunto das pessoas que o ocupam e dele precisam para viver. Ah, só queria lembrar-lhes que a prosperidade desta nação tão mal tratada depende SÓ da qualidade dos filhos que tem. E muito lucraríamos todos em geral se os mentores destas "rabaldarias" incutissem nos seus associados noções de responsabilidade e profissionalismo, para que nunca (mais) se assista, como eu assisti há algum tempo numa estação de Coimbra, ao diálogo bem elucidativo entre ferroviários, em que um pergunta a outro: - Então pá, alinhas amanhã na greve? Alinho, pois, tenho lá batatas para semear - foi a resposta!!! Elucidativo, não? Que prosperidade pode alcançar qualquer nação com gente assim? Por essas e por outras vamos definhando, a caminho duma morte certa, com os abutres à espreita e à espera de virem banquetear-se com os cadáveres...
Basta de destruição do pouco que resta. O nosso papel deve ser o de (re)construir e não o contrário, e obrigar os que detêm as rédeas do poder a cumprir as suas obrigações constitucionais. De que forma? Nas eleições. Ah, mas vêm outros e fazem o mesmo... Ai sim? Rua!!! Vamos ver como TODOS os que andam convencidos de que são donos disto acertam o passo. Se assim não fizermos, quem continua com passo trocado são os queixosos de sempre.
Não façam a vida negra a quem menos culpas tem. Inventem outras formas de luta, sem que nenhuma delas prive o povo de usar os seus combóios. Tudo e todos a favor de quem trabalha e quer trabalhar honestamente e nada nem ninguém contra. " A CP é do Povo"! E eu acrescento: os outros transportes públicos também...
Na viagem fui magicando naquelas palavras, no que elas encerram dentro do espírito das pessoas, relativamente ao "estilo" de greves que de quando em vez são desencadeadas nos transportes públicos, nos transportes do Povo.
O utente assíduo, aquele que "tem de os usar" diariamente e os paga mensalmente na íntegra (sem descontos nos períodos de paragem...), tem dificuldade em perceber a razão que leva os sindicatos a decretar greves que hipoteticamente - se bem sucedidas - beneficiam apenas uma minoria em detrimento de muitos milhares.
Já aqui disse, e não será de mais repetir, que o que está errado não são as greves mas sim os moldes em que têm sido repetidamente levadas por diante.
É altura de os dirigentes sindicais passarem a pensar também nos outros trabalhadores e menos em si próprios, sob pena de começarem a ver "o santo virar-se contra a esmola", o que significa dizer verem um povo saturado - que também nas empresas onde trabalha é vítima de injustiças laborais e portanto adepto das greves - virar-se contra os "barões" das transportadoras públicas de passageiros, que não respeitam colegas de outras profissões.
Como sentenciou o Carlos "Tintinaine" num comentário que eu subscrevo, os sindicatos têm de rever a forma de fazer greves. Mais... eu acrescentaria que, para além de "terem que rever" a(s) forma(s), necessitam de fazer um apelo às próprias consciências sobre o que entendem ser melhor para eles, para as empresas e para o País. Não basta gritar aos QUATRO VENTOS, regosijados, que o País parou. É preciso ter em conta que o País não é só o espaço geográfico mas também e acima de tudo, o conjunto das pessoas que o ocupam e dele precisam para viver. Ah, só queria lembrar-lhes que a prosperidade desta nação tão mal tratada depende SÓ da qualidade dos filhos que tem. E muito lucraríamos todos em geral se os mentores destas "rabaldarias" incutissem nos seus associados noções de responsabilidade e profissionalismo, para que nunca (mais) se assista, como eu assisti há algum tempo numa estação de Coimbra, ao diálogo bem elucidativo entre ferroviários, em que um pergunta a outro: - Então pá, alinhas amanhã na greve? Alinho, pois, tenho lá batatas para semear - foi a resposta!!! Elucidativo, não? Que prosperidade pode alcançar qualquer nação com gente assim? Por essas e por outras vamos definhando, a caminho duma morte certa, com os abutres à espreita e à espera de virem banquetear-se com os cadáveres...
Basta de destruição do pouco que resta. O nosso papel deve ser o de (re)construir e não o contrário, e obrigar os que detêm as rédeas do poder a cumprir as suas obrigações constitucionais. De que forma? Nas eleições. Ah, mas vêm outros e fazem o mesmo... Ai sim? Rua!!! Vamos ver como TODOS os que andam convencidos de que são donos disto acertam o passo. Se assim não fizermos, quem continua com passo trocado são os queixosos de sempre.
Não façam a vida negra a quem menos culpas tem. Inventem outras formas de luta, sem que nenhuma delas prive o povo de usar os seus combóios. Tudo e todos a favor de quem trabalha e quer trabalhar honestamente e nada nem ninguém contra. " A CP é do Povo"! E eu acrescento: os outros transportes públicos também...
terça-feira, 23 de outubro de 2012
À LAIA DE COMENTÁRIO
Há escritos que são, quiçá sem os seus autores se darem conta disso - ou a sua modéstia os inibe de "embandeirar em arco"- autênticos tratados de bem comunicar. Alguns "pais" de excelentes obras literárias, mesmo sem ostentarem o galardão de escritores - para alguns imerecido e snobe - são exímios na arte de usar com simplicidade a Língua de Camões.
No caso que dá origem a este intróito cito, concretamente, HISTÓRIAS VIVAS - 19, da autoria do Capitão-de-mar-e-guerra, Oliveira e Costa, um exemplo vivo que credita a minha afirmação. Ali o leitor atento encontra matéria bastante para alimentar a imaginação e aprender.
E porque tenho este trabalho por um documento interessante do ponto de vista informativo e formativo, aconselho vivamente (se me permitem a expressão) os meus amigos e seguidores a virarem as suas atenções para BARCO À VISTA, e elegerem-no como "mais um" para as horas de lazer. Leiam e "saboreiem" o relato que aí é descrito.
São relatos destes que nos "obrigam" a reviver outros tempos... e situações.
Nem sempre a nostalgia é sinónimo de abatimento espiritual. Pode muito bem ser, como no caso em apreço (memórias), o revigorar de recordações longínquas.
Sabe sempre bem, a quem já "tirou os pés da água" e se remeteu ao aconchego da poltrona, ter momentos destes em que se conjuga leitura agradável com a lembrança de actividades defuntas. E melhor ainda, se essa leitura se espraiar por um texto que, como aquele, nos apresenta um quadro trágico-cómico, a que não faltam, para o completar, umas pinceladas de inteligente ironia e aqui e ali uns salpicos de humor saudável,
Obrigado, sr. Comandante, por nos recrear com este "Diário de Bordo".
Por mares agitados navegaste, A idade m'afastou do mar,
Mas acaba por ser em terra, Pior se tivesse morrido...
Que (só) depois que desembarcaste, S'o meu dever foi cumprido,
Uma página da vida se encerra. Qu'importa se não voltar?!
Por A.Veloso.
No caso que dá origem a este intróito cito, concretamente, HISTÓRIAS VIVAS - 19, da autoria do Capitão-de-mar-e-guerra, Oliveira e Costa, um exemplo vivo que credita a minha afirmação. Ali o leitor atento encontra matéria bastante para alimentar a imaginação e aprender.
E porque tenho este trabalho por um documento interessante do ponto de vista informativo e formativo, aconselho vivamente (se me permitem a expressão) os meus amigos e seguidores a virarem as suas atenções para BARCO À VISTA, e elegerem-no como "mais um" para as horas de lazer. Leiam e "saboreiem" o relato que aí é descrito.
São relatos destes que nos "obrigam" a reviver outros tempos... e situações.
Nem sempre a nostalgia é sinónimo de abatimento espiritual. Pode muito bem ser, como no caso em apreço (memórias), o revigorar de recordações longínquas.
Sabe sempre bem, a quem já "tirou os pés da água" e se remeteu ao aconchego da poltrona, ter momentos destes em que se conjuga leitura agradável com a lembrança de actividades defuntas. E melhor ainda, se essa leitura se espraiar por um texto que, como aquele, nos apresenta um quadro trágico-cómico, a que não faltam, para o completar, umas pinceladas de inteligente ironia e aqui e ali uns salpicos de humor saudável,
Obrigado, sr. Comandante, por nos recrear com este "Diário de Bordo".
Por mares agitados navegaste, A idade m'afastou do mar,
Mas acaba por ser em terra, Pior se tivesse morrido...
Que (só) depois que desembarcaste, S'o meu dever foi cumprido,
Uma página da vida se encerra. Qu'importa se não voltar?!
Por A.Veloso.
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
CÓBUÉ - LÁ NOS CONFINS DO MUNDO
Fomos integrar, em diligência, o Destacamento do 1º tenente Serra Rodeia (o número esqueci-o, como já anteriormente dissera), mais tarde rendido pelo Destacamento do 1º tenente Pereira Bastos. Aquela rendição foi benéfica para nós pelotão, sobretudo do ponto de vista moral, mas também de ralacionamento, dado que os últimos, acabadinhos de chegar da Metrópole, ainda não tinham sido contaminados com o vírus que as guerras sempre infundem, ao contrário dos primeiro, completamente "apanhados", que andavam era necessitados de regressar a Lisboa depressa.
Ou porque melhor comandados, ou porque ávidos de "mostrar serviço", o certo é que apenas chegaram começaram logo a fazer estragos nas hostes inimigas. Armas capturadas e prisioneiros era um "vê se te avias"... Os prisioneiros, chegados à "Pousada de S.Miguel" eram separados em dois grupos: os guerrilheiros seguiam numa lancha para Metangula, onde a PIDE os esperava para os tratar como só ela sabia... Os elementos da população ficavam entregues a mim para os "civilizar"... Digamos que não era tarefa fácil pegar "naquilo" para eu tratar. A esta distância desse tempo ainda não é possivel esquecer aqueles corpos de crianças, mulheres e homens semi-desnudados, famintos e cobertos de feridas sem tratamento!
Primeiras medidas a tomar com carácter de urgência: captar-lhes a confiança em nós, limpando-lhes do espírito o fantasma incutido pela Frelimo de que os prisioneiros seriam queimados com gasolina (daí eles estarem sempre à espreita de uma oportunidade para fugir), arranjar-lhes roupas, levá-los ao banho, tratar-lhes as feridas e da saúde em geral na medida do possível e construir-lhes casa própria. Uma parte das roupas conseguia-a junto da "malta" que sempre tinha por lá uma camisa velha, uns calçoes ou uma camisola; outra parte ia procurá-la ao estabelecimento de modas mais próximo, que era o paiol de géneros, onde encontrava sempre uns sacos vazios que, com um buraco no fundo para enfiar a cabeça e um buraco de cada lado para enfiar os braços, e estava mais um problema resolvido. Com o vestuário pronto e toda a gente formada conduzia-os ao lago; tudo que fosse fêmea ia para um dos lados duma ilha de caniço e os machos para o outro lado. Todos despidos, havia que se lavarem bem com sabão azul que previamente fora disponibilizado. Lavadinhos e já vestidos com roupas (?) a cobrir-lhes os corpos, lá os conduzia (debaixo de formatura e qual passagem de modelos) à botica para lhes serem feitos os tratamentos tidos por necessários e possíveis. As sulfamidas, os comprimidos, as injecções, as vitaminas, pensos e ligaduras tinham nessas alturas um consumo invulgar. Para se ter uma ideia próxima do quadro lastimoso em que ali chegavam, basta lembrar, com espasmos no estômago, crianças sem dedos nos pés e algumas já sem parte dos pés... tudo consumido por quaisquer doenças que só os médicos saberão explicar!!!
Fui eu (deixem lá passar a cagança...) a escolher o local onde viriam a ser construídas as primeiras habitações. Foi na "avenida" frontal à igreja. Tudo com ordem e junto a nós. Eream eles próprios que escolhiam, recolhiam, transportavam as matérias precisas e construiam, com a nossa ajuda e orientação, as suas casas. E para que nada faltasse, até luz eléctrica exterir tinham. E guarda, por causa dumas coisas...
Há mais, para quando calhar.
Ou porque melhor comandados, ou porque ávidos de "mostrar serviço", o certo é que apenas chegaram começaram logo a fazer estragos nas hostes inimigas. Armas capturadas e prisioneiros era um "vê se te avias"... Os prisioneiros, chegados à "Pousada de S.Miguel" eram separados em dois grupos: os guerrilheiros seguiam numa lancha para Metangula, onde a PIDE os esperava para os tratar como só ela sabia... Os elementos da população ficavam entregues a mim para os "civilizar"... Digamos que não era tarefa fácil pegar "naquilo" para eu tratar. A esta distância desse tempo ainda não é possivel esquecer aqueles corpos de crianças, mulheres e homens semi-desnudados, famintos e cobertos de feridas sem tratamento!
Primeiras medidas a tomar com carácter de urgência: captar-lhes a confiança em nós, limpando-lhes do espírito o fantasma incutido pela Frelimo de que os prisioneiros seriam queimados com gasolina (daí eles estarem sempre à espreita de uma oportunidade para fugir), arranjar-lhes roupas, levá-los ao banho, tratar-lhes as feridas e da saúde em geral na medida do possível e construir-lhes casa própria. Uma parte das roupas conseguia-a junto da "malta" que sempre tinha por lá uma camisa velha, uns calçoes ou uma camisola; outra parte ia procurá-la ao estabelecimento de modas mais próximo, que era o paiol de géneros, onde encontrava sempre uns sacos vazios que, com um buraco no fundo para enfiar a cabeça e um buraco de cada lado para enfiar os braços, e estava mais um problema resolvido. Com o vestuário pronto e toda a gente formada conduzia-os ao lago; tudo que fosse fêmea ia para um dos lados duma ilha de caniço e os machos para o outro lado. Todos despidos, havia que se lavarem bem com sabão azul que previamente fora disponibilizado. Lavadinhos e já vestidos com roupas (?) a cobrir-lhes os corpos, lá os conduzia (debaixo de formatura e qual passagem de modelos) à botica para lhes serem feitos os tratamentos tidos por necessários e possíveis. As sulfamidas, os comprimidos, as injecções, as vitaminas, pensos e ligaduras tinham nessas alturas um consumo invulgar. Para se ter uma ideia próxima do quadro lastimoso em que ali chegavam, basta lembrar, com espasmos no estômago, crianças sem dedos nos pés e algumas já sem parte dos pés... tudo consumido por quaisquer doenças que só os médicos saberão explicar!!!
Fui eu (deixem lá passar a cagança...) a escolher o local onde viriam a ser construídas as primeiras habitações. Foi na "avenida" frontal à igreja. Tudo com ordem e junto a nós. Eream eles próprios que escolhiam, recolhiam, transportavam as matérias precisas e construiam, com a nossa ajuda e orientação, as suas casas. E para que nada faltasse, até luz eléctrica exterir tinham. E guarda, por causa dumas coisas...
Há mais, para quando calhar.
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
DOA A QUEM DOER...
Tenho consciência de que não sou nada diplomata; tenho consciência de que sou um indivíduo de extremos. Para mim o meio-termo só serve de ponte para um dos dois lados. A minha frontalidade só me tem arranjado adversários e inimigos. Os meus amigos, verdadeiramente amigos, são muito poucos. Os dedos de uma só mão chegam - e sobram - para os contar. À minha volta gravita uma plêiade e gente humilde que subdivido em grupos distintos, segundo o grau de consideração ou estima que nutrem por mim: há o já citado minúsculo grupo dos meus (verdadeiros) amigos; há o grupo já mais alargado dos que me toleram com alguma complacência; há uma legião imensa dos que tudo fariam - e têm feito - para me trairem; e há os que se insinuam ser meus amigos... Destes eu tenho algum receio e também nojo. Com eles estou sempre de pé atrás por nunca saber que armadilhas me preparam. São eles os piores porque são sabujos, lambe-botas, rastejantes mas, também, por assim serem, são os que mais e melhor singram na vida.
Sou frontal. Tudo que me parece estar errado denuncio-o sem rodeios; tudo que me parece merecer ser enaltecido, premiado, não hesito em dar-lhe o devido relevo.
Sou um adversário figadal de toda a forma de exploração, quer seja o patrão a explorar o empregado não lhe pagando o justo valor pelo trabalho feito ou se recusa a cumprir o Contrato de Trabalho pré-acordado pelas partes envolvidas, quer seja o empregado a explorar o patrão ao chegar sistematicamente tarde ao serviço ou que saia mais cedo sem autorização ou, ainda, se "encosta à parede" quando vê o encarregado distante. Neste caso não só explora o patrão - que lhe paga integralmente o que fora acordado - como explora os próprios colegas, que terão de fazer o trabalho que a ele cabe.
Sou a favor das greves. De todas? Não! Sejamos conscientes: uma greve, entendida como tal, destina-se (deveria destinar-se) a penalizar a entidade patronal não cumpridora dos seus deveres contratuais. E o que é que se verifica neste País? O contrário da filosofia das greves. Olhemos, para simplificar, o que se passa nos transportes urbanos das grandes metrópoles nacionais. O que tem vindo a acontecer suscita-nos algumas interrogações sobre quem é que os sindicalistas penalizam. Todos gostaríamos de saber de que lado estão. Que consciência de classe os move. Não estarão alguns alta e perigosamente "feitos" com os patrões? Se não estão, expliquem-me por que castigam severamente a grande maioria da gente que trabalha fora da sua área de residência e usa (tem que usar) diariamente o passe mensal? O dinheirinho já dorme sossegado nos cofres das empresas transportadoras. O lucro já o lá têm. O material circulante está parado, logo não há desgaste, não h´a consumo de combustível e não pagam ao pessoal o tempo que não trabalhou. Assim o patrão, agradecido, bate palmas de contente, dá umas palmadinhas amigas nas costas dos grevistas enquanto lhes vai perguntando se não querem fazer outra no próximo mês...
Greves nos transportes urbanos? Sim senhores, Façam-nas. Punam é a entidade patronal e não o desgraçado que já desembolsou a massa para o passe e vê-se forçado a, das duas uma: ou não vai trabalhar e deixa de ganhar o que tanto precisa para seu governo familiar ou paga balúrdios por um táxi (e estes taxistas sempre à espreita de uma oportunidade destas) e lá se vai uma larga fatia da mensalidade que muita falta fica a fazer em casa. E não venham argumentar que as greves são atempadamente anunciadas para que toda a população fique prevenida. Essa desculpa só pode emanar de quem age de má-fé, por saber que o prejuizo recai unicamente em quem precisa de utilizar os transportes todos os dias. Para quê ou por quê tentar enganar as pessoas? O utente, anunciadas as greves ou não, tem de pagar sempre o passe por inteiro. Seja no princípio, no meio ou a findar o mês. Não há fracções de passe (outro roubo sem punição).. Acham este comportamento correcto ou justo?
Senhores grevistas, se não estão conluiados com os patrões e os querem castigar pelos prejuizos que vos causam façam greves mas noutros moldes... mais humanos e racionais. Ponham os meios de transporte a trabalhar, cumpram os horários estabelecidos e não cobrem um cêntimo sequer aos passageiros e irão ver como os patrões gananciosos se vão arrepiar, pensar mais ponderadamente e traçar outro rumo para o seu comportamento futuro. Ajudem a mudar este país para melhor. Será bom para pobres, ricos e até agiotas.
se
Sou frontal. Tudo que me parece estar errado denuncio-o sem rodeios; tudo que me parece merecer ser enaltecido, premiado, não hesito em dar-lhe o devido relevo.
Sou um adversário figadal de toda a forma de exploração, quer seja o patrão a explorar o empregado não lhe pagando o justo valor pelo trabalho feito ou se recusa a cumprir o Contrato de Trabalho pré-acordado pelas partes envolvidas, quer seja o empregado a explorar o patrão ao chegar sistematicamente tarde ao serviço ou que saia mais cedo sem autorização ou, ainda, se "encosta à parede" quando vê o encarregado distante. Neste caso não só explora o patrão - que lhe paga integralmente o que fora acordado - como explora os próprios colegas, que terão de fazer o trabalho que a ele cabe.
Sou a favor das greves. De todas? Não! Sejamos conscientes: uma greve, entendida como tal, destina-se (deveria destinar-se) a penalizar a entidade patronal não cumpridora dos seus deveres contratuais. E o que é que se verifica neste País? O contrário da filosofia das greves. Olhemos, para simplificar, o que se passa nos transportes urbanos das grandes metrópoles nacionais. O que tem vindo a acontecer suscita-nos algumas interrogações sobre quem é que os sindicalistas penalizam. Todos gostaríamos de saber de que lado estão. Que consciência de classe os move. Não estarão alguns alta e perigosamente "feitos" com os patrões? Se não estão, expliquem-me por que castigam severamente a grande maioria da gente que trabalha fora da sua área de residência e usa (tem que usar) diariamente o passe mensal? O dinheirinho já dorme sossegado nos cofres das empresas transportadoras. O lucro já o lá têm. O material circulante está parado, logo não há desgaste, não h´a consumo de combustível e não pagam ao pessoal o tempo que não trabalhou. Assim o patrão, agradecido, bate palmas de contente, dá umas palmadinhas amigas nas costas dos grevistas enquanto lhes vai perguntando se não querem fazer outra no próximo mês...
Greves nos transportes urbanos? Sim senhores, Façam-nas. Punam é a entidade patronal e não o desgraçado que já desembolsou a massa para o passe e vê-se forçado a, das duas uma: ou não vai trabalhar e deixa de ganhar o que tanto precisa para seu governo familiar ou paga balúrdios por um táxi (e estes taxistas sempre à espreita de uma oportunidade destas) e lá se vai uma larga fatia da mensalidade que muita falta fica a fazer em casa. E não venham argumentar que as greves são atempadamente anunciadas para que toda a população fique prevenida. Essa desculpa só pode emanar de quem age de má-fé, por saber que o prejuizo recai unicamente em quem precisa de utilizar os transportes todos os dias. Para quê ou por quê tentar enganar as pessoas? O utente, anunciadas as greves ou não, tem de pagar sempre o passe por inteiro. Seja no princípio, no meio ou a findar o mês. Não há fracções de passe (outro roubo sem punição).. Acham este comportamento correcto ou justo?
Senhores grevistas, se não estão conluiados com os patrões e os querem castigar pelos prejuizos que vos causam façam greves mas noutros moldes... mais humanos e racionais. Ponham os meios de transporte a trabalhar, cumpram os horários estabelecidos e não cobrem um cêntimo sequer aos passageiros e irão ver como os patrões gananciosos se vão arrepiar, pensar mais ponderadamente e traçar outro rumo para o seu comportamento futuro. Ajudem a mudar este país para melhor. Será bom para pobres, ricos e até agiotas.
se
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
SOLIDARIEDADE
Tenho dúvidas que este meu esforço seja recompensado, dado que desde sábado não tenho tido internet por mais voltas que tenha andado a dar no sentido de resolver a situação. O pior ainda é que ninguém me soube explicar o que se passa. Hipóteses, mais hipóteses e o certo é que estou sem a minha companheira das horas de tédio. Falta de rede?... assim tão prolongada? E só agora?... e porque não antes? Não sei. Só sei que foi preciso mudar de sítio para ver uma luz ao fundo do túnel (não gosto nada desta expressão, mas agora saiu) e não sei por quanto tempo...
E tinha pressa, tenho pressa, para tecer algumas considerações acerca da pessoa do Carlos Silva (Tintinaine), relacionadas com uma viagem que fez a Trás-os-Montes, onde conseguiu descobrir um ex-camarada de armas num estado de saúde que todos lamentamos, conhecendo-o ou não.
Depois de ler o conteúdo do seu blogue ensaiei um comentário. Prestes a enviá-lo pensei: não, isto é sério de mais para ser respondido com um simples "coitado do Ramiro, oxalá melhore" e lugares comuns do género com reduzido impacto. Vou é fazer um blogue, que tem outra expressão e oferece uma leitura mais alargada.
Efectivamente, e mais uma vez, o Carlos evidenciou e deu provas de sentimentos raros nas siciedades em que vivemos. A solidariedade para ele não se afere por um almoço de aniversário nem se confina a um convívio periódico. Fôssemos todos assim, e a espécie (dita) humana actual seria mais justa, solidária, cooperante e feliz. Quem - pergunto eu - se importa ou quer saber se A ou B nosso conhecido ou ex-companheiro está bem instalado na vida, tem saúde ou já morreu? Não exagero se disser que muito poucos. Os seus gestos enobrecem-no e são um forte motivo de reflexão para toda a gente.
Carlos, agora vou dirigir-me expressamente a ti para fazer-te uma revelação: - Não concordo com (muito poucas) convicções e posições que defendes. A minha educação, porém, por índole e formação, aconselham-me a respeitá-las. E não sendo eu religioso, ou, para ser mais explícito, não acreditando em deuses nem em santos tive, na minha infância, práticas religiosas (impostas, claro está). Ia à missa, à doutrina (creio que se chama agora catequese), ao terço, participava em procissões, não me deixavam ir para a cama sem primeiro rezar, etc., etc. Ah, nunca comunguei nem me confessei. Nem para me casar. O padre bem me ameaçou de que me não casaria se não me confessasse. Respondi-lhe que não me importava porque ia "casando" na mesma... Ainda trocámos algumas palavras na sacristia, a seu pedido, mas quando começou a entrar por vias do foro pessoal, íntimo, deixei-o a falar sozinho e saí porta fora berrando que "isto não é confessar, é desconversar"!
Mas... dentre algumas passagens nas homilias destaco esta metáfora proferida pelo padre que nunca mais esqueci: - Numa maçã podre há sementes que, aproveitadas, poderão dar frutos sãos. Tu és a semente sã que cada vez mais raramente se vai encontrando nesta sociedade podre em que estamos atolados.
Um abraço.
E tinha pressa, tenho pressa, para tecer algumas considerações acerca da pessoa do Carlos Silva (Tintinaine), relacionadas com uma viagem que fez a Trás-os-Montes, onde conseguiu descobrir um ex-camarada de armas num estado de saúde que todos lamentamos, conhecendo-o ou não.
Depois de ler o conteúdo do seu blogue ensaiei um comentário. Prestes a enviá-lo pensei: não, isto é sério de mais para ser respondido com um simples "coitado do Ramiro, oxalá melhore" e lugares comuns do género com reduzido impacto. Vou é fazer um blogue, que tem outra expressão e oferece uma leitura mais alargada.
Efectivamente, e mais uma vez, o Carlos evidenciou e deu provas de sentimentos raros nas siciedades em que vivemos. A solidariedade para ele não se afere por um almoço de aniversário nem se confina a um convívio periódico. Fôssemos todos assim, e a espécie (dita) humana actual seria mais justa, solidária, cooperante e feliz. Quem - pergunto eu - se importa ou quer saber se A ou B nosso conhecido ou ex-companheiro está bem instalado na vida, tem saúde ou já morreu? Não exagero se disser que muito poucos. Os seus gestos enobrecem-no e são um forte motivo de reflexão para toda a gente.
Carlos, agora vou dirigir-me expressamente a ti para fazer-te uma revelação: - Não concordo com (muito poucas) convicções e posições que defendes. A minha educação, porém, por índole e formação, aconselham-me a respeitá-las. E não sendo eu religioso, ou, para ser mais explícito, não acreditando em deuses nem em santos tive, na minha infância, práticas religiosas (impostas, claro está). Ia à missa, à doutrina (creio que se chama agora catequese), ao terço, participava em procissões, não me deixavam ir para a cama sem primeiro rezar, etc., etc. Ah, nunca comunguei nem me confessei. Nem para me casar. O padre bem me ameaçou de que me não casaria se não me confessasse. Respondi-lhe que não me importava porque ia "casando" na mesma... Ainda trocámos algumas palavras na sacristia, a seu pedido, mas quando começou a entrar por vias do foro pessoal, íntimo, deixei-o a falar sozinho e saí porta fora berrando que "isto não é confessar, é desconversar"!
Mas... dentre algumas passagens nas homilias destaco esta metáfora proferida pelo padre que nunca mais esqueci: - Numa maçã podre há sementes que, aproveitadas, poderão dar frutos sãos. Tu és a semente sã que cada vez mais raramente se vai encontrando nesta sociedade podre em que estamos atolados.
Um abraço.
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