quinta-feira, 11 de outubro de 2012

DOA A QUEM DOER...

       Tenho consciência de que não sou nada diplomata; tenho consciência de que sou um indivíduo de extremos. Para mim o meio-termo só serve de ponte para um dos dois lados. A minha frontalidade só me tem arranjado adversários e inimigos. Os meus amigos, verdadeiramente amigos, são muito poucos. Os dedos de uma só mão chegam  - e sobram - para os contar. À minha volta gravita uma plêiade e gente humilde que subdivido em grupos distintos, segundo o grau de consideração ou estima que nutrem por mim: há o já citado minúsculo grupo dos meus (verdadeiros) amigos;  há o grupo já mais alargado dos que me toleram com alguma complacência; há uma legião imensa dos que tudo fariam - e têm feito - para me trairem; e há os que se insinuam ser meus amigos... Destes eu tenho algum receio e também nojo. Com eles estou sempre de pé atrás por nunca saber que armadilhas me preparam. São eles os piores porque são sabujos, lambe-botas, rastejantes mas, também, por assim serem, são os que mais e melhor singram na vida.
      Sou frontal. Tudo que me parece estar errado denuncio-o sem rodeios; tudo que me parece merecer ser enaltecido, premiado, não hesito em dar-lhe o devido relevo.
      Sou um adversário figadal de toda a forma de exploração, quer seja o patrão a explorar o empregado não lhe pagando o justo valor pelo trabalho feito ou se recusa a cumprir o Contrato de Trabalho pré-acordado pelas partes envolvidas, quer seja o empregado a explorar o patrão ao chegar sistematicamente tarde ao serviço ou que saia mais cedo sem autorização ou, ainda, se "encosta à parede" quando vê o encarregado distante. Neste caso não só explora o patrão - que lhe paga integralmente o que fora acordado - como explora os próprios colegas, que terão de fazer o trabalho que a ele cabe.
      Sou a favor das greves. De todas? Não! Sejamos conscientes: uma greve, entendida como tal, destina-se (deveria destinar-se) a penalizar a entidade patronal não cumpridora dos seus deveres contratuais. E o que é que se verifica neste País? O contrário da filosofia das greves. Olhemos, para simplificar, o que se passa nos transportes urbanos das grandes metrópoles nacionais. O que tem vindo a acontecer suscita-nos algumas interrogações sobre quem é que os sindicalistas penalizam. Todos gostaríamos de saber de que lado estão. Que consciência de classe os move. Não estarão alguns alta e perigosamente "feitos" com os patrões? Se não estão, expliquem-me por que castigam severamente a grande maioria da gente  que trabalha fora da sua área de residência e usa (tem que usar) diariamente o passe mensal? O dinheirinho já dorme sossegado nos cofres das empresas transportadoras. O lucro já o lá têm. O material circulante está parado, logo não há desgaste, não h´a consumo de combustível e não pagam ao pessoal o tempo que não trabalhou. Assim o patrão, agradecido, bate palmas de contente, dá umas palmadinhas amigas nas costas dos grevistas enquanto lhes vai perguntando se não querem fazer outra no próximo mês...
      Greves nos transportes urbanos? Sim senhores, Façam-nas. Punam é a entidade patronal e não o desgraçado que já desembolsou a massa para o passe e vê-se forçado a, das duas uma: ou não vai trabalhar e deixa de ganhar o que tanto precisa para seu governo familiar ou paga balúrdios por um táxi (e estes taxistas sempre à espreita de uma oportunidade destas) e lá se vai uma larga fatia da mensalidade que muita falta fica a fazer em casa. E não venham argumentar que as greves são atempadamente anunciadas para que toda a população fique prevenida. Essa desculpa só pode emanar de quem age de má-fé, por saber que o prejuizo recai unicamente em quem precisa de utilizar os transportes todos os dias. Para quê ou por quê tentar enganar as pessoas? O utente, anunciadas as greves ou não, tem de pagar sempre o passe por inteiro. Seja no princípio, no meio ou a findar o mês. Não há fracções de passe  (outro roubo sem punição).. Acham este comportamento correcto ou justo?
      Senhores grevistas, se não estão conluiados com os patrões e os querem castigar pelos prejuizos que vos causam façam greves mas noutros moldes... mais humanos e racionais. Ponham  os meios de transporte a trabalhar, cumpram os horários estabelecidos e não cobrem um cêntimo sequer aos passageiros e irão ver como os patrões gananciosos se vão arrepiar, pensar  mais ponderadamente e traçar outro rumo para o seu comportamento futuro. Ajudem a mudar este país para melhor. Será bom para pobres, ricos e até agiotas.








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3 comentários:

  1. Não poderia estar mais de acordo. A maior parte das greves não servem para nada e quando se trata dos funcionários públicos somos nós os prejudicados, pois além de ficarmos privados dos serviços ainda nos cabe a nós (como contribuintes) pagar os prejuízos causados.
    Os sindicalistas têm que repensar o seu modo de actuação.

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  2. Boa tarde por aqui
    Todos teremos razão
    Tanta coisa ruim vi
    Destruindo a nação!

    Com greves ou não
    Estamos a ser roubados
    Esta péssima governação
    Que nos leva os trocados!

    É preciso sair à rua
    E lutar com firmeza
    Sua vingança continua
    Produzindo mais pobreza!

    Quanto mais tempo durar
    Pior para a gente ser
    Não deveremos concordar
    Com quem nos quer empobrecer!

    Deveremos com certeza
    Nossas dividas pagar
    Feitas com clareza
    Sem ninguém prejudicar!

    Boa segunda-feira para você,
    amigo Albertino Veloso,
    um abraço
    Eduardo.









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  3. Revejo-me completamente na mensagem aqui publicada, e não podia estar mais de acordo na maneira como descreve o que se passa com as greves em geral, e nos transportes em particular.
    A sugestão que faz de circularem sem custos para o cliente, já foi experimentada no tempo da outra senhora, e parece que com bons resultados, se bem me lembro na Carris.
    Cumprimentos
    Virgilio Miranda

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