FALANDO DE POESIA...
Já disse e repeti, nos jornais em que escrevia e hoje reitero aqui, que não percebo patavina de poesia. Isso é ponto assente. E não percebo por quê? Simplesmente porque não gosto!... Não gosto, isto é, de tudo que uma infinidade de "poetas" tenta inpingir a quem tem paciência para os ler ou ouvir. Justo é, no entanto, seleccionar algumas excepções, não muitas. São elas, nem mais nem menos (pela genuinidade,argúcia, e simplicidade como expõem o que sentem e pensam), António Aleixo, Poeta do Povo (com letra maiúscula, sim senhores, que ele merece) e... Eusébio "Calafate", o poeta pescador muito querido em Setúbal.
Creio não ser necessário expor neste texto a história de ambos, por considerar que quem os lê saberá. Ao recordar estas duas figuras não posso deixar de lamentar o desprezo que os "figurões" deste país têm dispensado a tudo quanto seja cultura popular. Não fora alguém, em particular, tomar por si a projecção de qualquer deles - mormente o poeta algarvio - acabariam por viver e morrer escondidos num torpe anonimato.
Haverá mais um ou outro poeta consagrado que não me importo de ler. Os demais começo e largo logo. Não perco tempo nem retina com leituras enfadonhas. O defeito deve ser meu... alguém dirá que que sou eu que não sei apreciar. Aceito que sim. Mas também terão que aceitar que para mim poesia deve ser arte de comunicar. Um verso tem de me transmitir algo. Juntar num monte palavras que (apenas) rimam sem significado, que não dizem nada, pode ser tudo menos mensagem. Tal como a pintura e a música, a poesia deve ter harmonia, ritmo, sugerir-nos alegria, tristeza, bem-estar, humor, convidar-nos à reflexão, à ironia, em suma, espevitar-nos os sentimentos mais recônditos.
... MAIS VALIA ESTAR CALADO
Atrás dei "uma no cravo", a seguir vou dar "na ferradura" ... Eu próprio às vezes me aventuro a largar umas baboseiras pretensamente poéticas sem me aperceber bem no ridículo em que eventualmente possa vir a cair. Faço-o à laia de desabafo, na brincadeira ou com um cunho irónico e sem cuidados especiais com a beleza literária, embora saiba que nem sempre a poesia prime pelo rigor literário. Procuro também e acima de tudo, pôr para fora de mim o que no momento me vai na alma.
Citei dois dos meus preferidos; zurzi naqueles que andam enganados consigo próprios, convencidos de que tudo que escrevem ou recitam é bem aceite ou apreciado; na escala de avaliações atribuo "excelente" a poucos, "muito bom" ou "bom" a uns tantos, "medíocre" ou "mau" aos que sobram. A estes eu deixo um conselho muito sincero: desistam, porque vos falta talento onde sobra a vontade.
Graças a esta congregação que o Carlos da Silva, mais conhecido por Tintinaine criou (foi ele quem pôs isto tudo a mexer) e a que gostosamente me associo, é que me embrenhei no complexo mundo da Internet, onde vim descobrir alguns talentos na arte de versejar. E sem querer menosprezar ninguém quero destacar dois: Edumanes e o Verde. Deles desconheço se têm ou não alguma obra publicada. Se não, deixem-me dizer-vos isto: publiquem. Lembro-vos que andam por aí publicações cuja qualidade é de longe inferior aos trabalhos que (vocês) nos têm oferecido.
E foi a partir de um desses trabalhos que ontem pus à prova (mais uma vez...) a debelidade dos meus conhecimentos ao mexer nestas teclas, símbolos, ratos, "ratazanas", bichos- de- sete- cabeças, enfim... eu devia ser proíbido de mexer nisto. Troco tudo, aldrabo tudo, às tantas já não sei por onde e como entrei nem como vou sair. E assim, ao encontrar-me com "A mulher alentejana", penso que da autoria do Edumanes, fiz o meu comentário, também em verso e no fim, depois de "trancada a porta", reparei que num dos versos faltava uma linha. Claro que não consegui reparar a falta e aconteceu aquilo que detesto nos pseudo-poetas: escrevi o que ninguém vai entender; e isso eu não quero. Daí eu decidir repetir, neste blogue, o que tinha feito, para que todos fiquem "vacinados" contra aquela bacorada.
Eis o meu comentário: Ó mulher alentejana, Vais prò campo ceifar o trigo,
Sem ti, o Alentejo Vens pra casa tratar os filhos.
Assemelha-se a um brejo Num mar de tantos sarilhos,
Sem encanto nem beleza. Ainda caias a casa.
Onde só se vê tristeza Quando penso fico em brasa
E uma plebe profana. Porque não casei contigo.
És a mulher ideal
Fazes feliz qualquer homem.
És a pimenta, és o sal,
Que todos os homens consomem.
Palavras ajuizadas... próprias de quem já deixou para trás muitas milhas (marítimas e terrestres).
ResponderEliminarGostei da mulher alentejana e vou copiá-la para o meu blog «Hora da Poesia» que é um simples repositório das poesias que me dizem alguma coisa.
Aquela mulher alentejana
ResponderEliminarQue mondava o trigo à chuva ao frio
Morava na Aldeia de Messejana
E ia lavar a roupa ao rio!
Essa mulher de Messejana
Que ceifava o trigo ao calor
Do distrito de Beja alentejana
Para receber mísero valor.
Sem direito a reclamação
Ela tinha que ao regime obedecer
Quando queria aos filhos dar pão
Dinheiro para o comprar não o ter!
Foi verdade não mentira
O que acabei de escrever
Sou do concelho de Odemira
Só as verdades sei dizer!
Só o digo por ser verdade
Se fosse mentira não o diria
Tenho respeito à liberdade
Não suspendam a democracia?
Como acabei de referir
Que só aprendi a dizer a verdade
E porque não sei mentir
O vou dizer com honestidade.
Este seu artigo, amigo Veloso
Está escrito na perfeição
Seu trabalho muito valioso
Lhe dou a máxima pontuação!
Desejo boa segunda-feira,
um abraço
Eduardo.