domingo, 2 de setembro de 2012

Ó DA GUARDA!, TIREM-ME DAQUI!

      A caminho dos oitenta e um, as esperanças de ver "isto" entrar nos eixos são zero. Pela parte que me é devida por ter posto todo o meu empenho e saber ao serviço da Pátria, em inúmeras ocasiões pondo em risco a própria vida, já nada espero receber. O pior é que vislumbro para os meus descendentes (filhas, netos e  quiçá bisnetos) um futuro sombrio e despido de perspectivas risonhas. A menos que os oprimidos, os explorados, todos aqueles que de algum modo estão a ser os vovos escravos do poder político-capitalista, tomem uma posição inteligente no arregimentar das forças e uni-las para pôr cobro ao desmando das oligarquias.
      Não estou, e jamais estarei a incitar à violência gratuita, às pilhagens indiscriminadas, empresas tomadas de assalto... perseguições para, a seguir, ficar tudo pior que dantes. Como aconteceu, se bem nos lembramos, com o pós-25 de Abril de 1974, período em que valeu tudo até à destruição do muito que de bom ainda havia. A anarquia tomou conta do País. Cada qual puxava para o seu lado. E assim se perdeu a rara oportunidade de resgatar um povo da opressão e devolver-lhe a dignidade subtraída. Revelámos uma ingenuidade confrangedora e impreparação política para dar continuação duradoira ao acto praticado (e nem outro  comportamento estaria nas cogitações dos seus autores,considerando o obscurantismo em nos atolaram durante cerca de cinquenta anos).
       Escancararam-nos as portas. Deram-nos a rara e tão desejada oportunidade para reconstruirmos um país para todos mas... os abutres estavam à espreita e aproveitaram a distracção. Apercebendo-se da desorganização reinante não perderam tempo para desferirem, pela calada ou descaradamente, os golpes de lesa-pátria, teia que tão bem sabem urdir. E o resultado está à vista: não só retomaram posições e privilégios momentaneamente ameaçados como os têm vindo a reforçar.
      Agora, já com o domínio absoluto da situação, entregam-se a um ritual de ajuste de contas, retaliando contra quem teve a "ousadia" de afrontar o regime deposto. A esses eles nunca perdoaram nem perdoarão. Regressar ao seu eldorado já não chega. Querem mais: fazerem eles próprios uma verdadeira revolução. Exactamente, estão a fazê-la!... Aquilo a que muitos teóricos, historiadores, papagaios de estrumeira, escribas de meia tijela, e pseudo-intelectuais apelidam de revolução eu chamo-lhe (e creio não ser único) Golpe de Estado. Pois é... o 25 de Abril - que os saudosistas abominam - foi um aparatoso golpe de estado desencadeado por uma mão-cheia de militares corajosos para, logo a seguir, inocentemente, entregarem de bandeja um País àqueles que, afinal, tinham acabado de ser derrubados!...
      A revolução, essa, têm vindo eles paulatinamente a fazê-la. E de que maneira!... Os que já eram ricos estão cada vez mais ricos; os pobres cada vez mais pobres e em quantidade assustadora.
      Eu queria largá-los, fugir deles, para bem longe, mas já não posso. Haja quem me tire daqui. Ainda vivo...

2 comentários:

  1. Só vejo uma solução. Recorrer de novo ás Forças Armadas, encontrar um homem digno e honesto que encabece um novo golpe de estado, dissolva o Parlamento, corrija os erros da nossa Constituição e nos garanta um governo capaz.
    Estamos todos preparados para aceitar fazer sacrifícios, mas tem que valer a pena, pois não vamos a lado nenhum.

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  2. Sr. Para mim...Sargento Veloso, o Sr. Como Chefe duma classe respeitável e distinta, como são os fuzileiros, permita-me corrigi-lo: Não deve pedir para o tirarem daqui, mas sim lutarmos com todas as nossas forças, até ao último suspiro, o Sr. Como patriota, já está a colaborar criando este seu Blog e escrevendo o que lhe vai na alma, porque o que esta cambada de parasitas quer é isso mesmo, mandar os jovens imigrarem, para ficarmos só nós, já sem forças para os enfrentar, será que o "Tintinaine" tem razão? Ou será que até as forças armadas, já foram contaminadas? Eu já começo a duvidar de todos!

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