quinta-feira, 27 de setembro de 2012

A Política e o Poder - 3ª Parte

Dirão os espertalhões que "ah, não senhor, não é assim, os cidadãos que não têm nenhum dos seus votados nos governos têm-nos na Assembleia da República (AR)". Ora como todos sabemos ou deveríamos saber não é a mesma coisa. O que se passa é que os eleitores colocam, pelo voto, na AR os eleitos e estes, ali chegados, "estão-se nas tintas" para quem os elegeu, para se entregarem a uma refrega político-partidária sem tréguas na procura de concertações, acordos ou coligações com o objectivo único de açambarcarem o poder e com isso chamarem a si todo o bolo, não deixando que a mais ninguém caiba sequer uma delgada fatia. A isto chamemos-lhe tudo menos democracia. Democracia é, também, repartição do poder. Empregando o método que mais se coadune com a verdade e a boa-fé.
O partido mais votado ou ganhador não é ou não devia ser, o legítimo representante dum povo. Outros partidos também o representam. Assim, é difícil perceber o por quê de ser só o agrupamento (partido ou coligação) maioritário a formar governo; em vez de, se houvesse seriedade e isenção nos políticos, ser formado por elementos saídos das formações com assento na AR. O primeiro ministro, esse sim, sairia sempre do partido mais votado. Todos os outros seriam os respectivos partidos a designá-los (ainda que coubesse ao chefe do futuro governo organizar a equipa governativa). Se assim fosse seria democrático; o contrário não passa duma farsa, cuja finalidade é um ataque cerrado ao apetecido poder. Tudo em nome dum povo ludibriado e tanso. Que não penaliza, quando tem "o queijo e a faca na mão", isto é, no acto eleitoral não sacode do poleiro os papagaios prevaricadores que tanto mal fazem à Nação e suas gentes. Esse povo masoquista que é ofendido na sua dignidade de ser humano, sabe quem o ofonde mas... volta sempre a cair nas mesmas armadilhas! Resignado, de braços cruzados, e teima em assistir ao desfile dum folclore degradante e já bem seu conhecido.
 

1 comentário:

  1. Eleitos para o parlamento
    Para os direitos do povo defender
    Com democrático sentimento
    Eleitos para cumprir seu dever!

    Mas assim não acontece
    Estão lá seus interesses defender
    Gente dessa não merece
    Respeito por eles ter!

    Reclama que pouco ganha
    Sem nada ou quase nada fazer
    Estamos fartos da canalha
    Descontentes, unidos temos que os vencer.

    bom fim de semana
    um abraço
    Eduardo.

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