Deslocava-me há dias de combóio da Estação do Oriente para a Reboleira e li isto, escrito em letras garrafais, gravado nas paredes da Estação de Braço de Prata: A CP é do Povo. Não às greves na CP.
Na viagem fui magicando naquelas palavras, no que elas encerram dentro do espírito das pessoas, relativamente ao "estilo" de greves que de quando em vez são desencadeadas nos transportes públicos, nos transportes do Povo.
O utente assíduo, aquele que "tem de os usar" diariamente e os paga mensalmente na íntegra (sem descontos nos períodos de paragem...), tem dificuldade em perceber a razão que leva os sindicatos a decretar greves que hipoteticamente - se bem sucedidas - beneficiam apenas uma minoria em detrimento de muitos milhares.
Já aqui disse, e não será de mais repetir, que o que está errado não são as greves mas sim os moldes em que têm sido repetidamente levadas por diante.
É altura de os dirigentes sindicais passarem a pensar também nos outros trabalhadores e menos em si próprios, sob pena de começarem a ver "o santo virar-se contra a esmola", o que significa dizer verem um povo saturado - que também nas empresas onde trabalha é vítima de injustiças laborais e portanto adepto das greves - virar-se contra os "barões" das transportadoras públicas de passageiros, que não respeitam colegas de outras profissões.
Como sentenciou o Carlos "Tintinaine" num comentário que eu subscrevo, os sindicatos têm de rever a forma de fazer greves. Mais... eu acrescentaria que, para além de "terem que rever" a(s) forma(s), necessitam de fazer um apelo às próprias consciências sobre o que entendem ser melhor para eles, para as empresas e para o País. Não basta gritar aos QUATRO VENTOS, regosijados, que o País parou. É preciso ter em conta que o País não é só o espaço geográfico mas também e acima de tudo, o conjunto das pessoas que o ocupam e dele precisam para viver. Ah, só queria lembrar-lhes que a prosperidade desta nação tão mal tratada depende SÓ da qualidade dos filhos que tem. E muito lucraríamos todos em geral se os mentores destas "rabaldarias" incutissem nos seus associados noções de responsabilidade e profissionalismo, para que nunca (mais) se assista, como eu assisti há algum tempo numa estação de Coimbra, ao diálogo bem elucidativo entre ferroviários, em que um pergunta a outro: - Então pá, alinhas amanhã na greve? Alinho, pois, tenho lá batatas para semear - foi a resposta!!! Elucidativo, não? Que prosperidade pode alcançar qualquer nação com gente assim? Por essas e por outras vamos definhando, a caminho duma morte certa, com os abutres à espreita e à espera de virem banquetear-se com os cadáveres...
Basta de destruição do pouco que resta. O nosso papel deve ser o de (re)construir e não o contrário, e obrigar os que detêm as rédeas do poder a cumprir as suas obrigações constitucionais. De que forma? Nas eleições. Ah, mas vêm outros e fazem o mesmo... Ai sim? Rua!!! Vamos ver como TODOS os que andam convencidos de que são donos disto acertam o passo. Se assim não fizermos, quem continua com passo trocado são os queixosos de sempre.
Não façam a vida negra a quem menos culpas tem. Inventem outras formas de luta, sem que nenhuma delas prive o povo de usar os seus combóios. Tudo e todos a favor de quem trabalha e quer trabalhar honestamente e nada nem ninguém contra. " A CP é do Povo"! E eu acrescento: os outros transportes públicos também...
A percentagem "de anafabrutus" em Portugal deveria estar reduzida pois já se passaram quase 4 décadas desde 1974... E como as coisas vão indo, qualquer dia não será só o ferroviário, que irá semear batatas.
ResponderEliminarBoa tarde amigo Albertino Veloso. A CP, é do do povo e quem trabalha na CP,a maioria é oriunda do povo. Mas o povo só se lembra de Santa Bárbara quanto se ouve trovejar. Sou contra e não às greves, depende da forma e da razão que existe para que seja levadas a cabo. Não é por dá cá aquela palha que se deve fazer greve. A greve é um direito, dos trabalhadores, consagrado na Constituição da República Portuguesa Lei fundamental.Que todos deveríamos respeitar. Começando pelos políticos que deveriam dar os bons exemplos de cidadania.
ResponderEliminarTodavia são os primeiros a violá-la!A greve é uma arma e única que os trabalhadores podem fazer uso, quando se justifique por não terem sido cumpridos pela entidade patronal os contratos antes acordados por ambas as partes e sejam violados pela parte contratante.
Boa quarta-feira para você,
amigo Albertino Veloso,
um abraço
Eduardo.