quarta-feira, 1 de maio de 2013

CRISE ECONÓMICA E HIPOCRISIA


        CRISE ECONÓMICA E HIPOCRISIA

 

      Terminei no já longínquo ano de 1956 um CURSO (curso com maiúscula…) de Contabilidade e Administração. Nesse curso eram disciplinas nucleares o Português, o Inglês, a Matemática, a Contabilidade e a Administração, etc., etc. O Deve e o Haver eram a foz onde desaguavam todos os conhecimentos adquiridos. “O que entra debita-se e o que sai credita-se” era a mnemónica que orientava os alunos para um futuro desempenho sem falhas na área da Contabilidade e quem revelasse qualquer hesitação no exame final tinha por certa a reprovação. De tudo que aprendi (e que durante algum tempo apliquei na prática) já esqueci tudo, pois a falta de rotina ou continuidade acabou por diluir a maior parte do que assimilei. Ficou-me no entanto o suficiente para ter a noção do que são contas de somar e subtrair, razões e proporções, de que falarei mais adiante.

      Chegámos ao ponto fulcral do meu discurso: REDUÇÃO DAS DESPESAS DO ESTADO. Muito bem, penso que toda a gente séria estará de acordo com isso. Porém eu começo a desconfiar dos que querem reduzir os custos do aparelho estatal mandando funcionários públicos (professores, médicos, enfermeiros e outros) para o desemprego por desnecessários e representarem uma sobrecarga financeira para os cofres do Estado. Muito bem prega Frei Tomás…

      Ora como podemos nós confiar nos políticos que nos calharam na rifa, respeitá-los e ter por boas as suas intenções, se golpeiam tudo e (quase) todos e não beliscam sequer ao de leve os seus privilégios? Vejamos o despudor de quem nos governa (que teoricamente são o Presidente da República, Governo e Assembleia da República): Num país que não tem cá dentro metade dos cidadãos que tinha quando se fundou o Estado Democrático (devido à baixa natalidade e saída para o estrangeiro) mantém os mesmos 230 deputados na Assembleia da República. A pergunta, pertinente face a tanta hipocrisia é: para que precisa Portugal de tantos deputados se não há cá gente para representarem e os interesses económicos estão nas mãos (bem apertadas) de estrangeiros? E é aqui que devem ser postos em prática os conhecimentos aritméticos e matemáticos que atrás referi:- Já que SOMAM miséria com a SUBTRACÇÃO de direitos e desemprego, apliquem também a Regra-de-trê-simples ao número de deputados precisos relativamente ao país que somos. Não o farão, em nome do “interesse nacional”… porque se o fizessem, em vez dos 230 ficariam só uns 90 ou 100, que seriam suficientes para o que produzem em benefício dos seus concidadãos. O mesmo se poderá dizer do elevado número de ministros, secretários, subsecretários e outros que se sentam à volta do gamelão público sem darem lucro a quem quer que seja.

      Dêem o exemplo, meus senhores, dêem o exemplo, para que se comece a ver alguma justiça social neste Portugal a saque.
      (Este texto segue também no facebook).

2 comentários:

  1. A última desculpa para não reduzir o número de deputados que ouvi a um entendido na matéria é que os pequenos partidos sairiam prejudicados.
    Salvo erro, hoje, há um deputado em cada círculo por cada 25.000 votos. Ao passar para 50.000 (por exemplo) só no círculo de Lisboa haveria possibilidades de eleger alguém pelo PCP, CDS ou BE.
    Bastava contar os votos a nível nacional e evitava-se esse problema. Os 5% de votos corresponderiam a 5% de deputados e caberia ao partido decidir de que círculo viriam eles.
    O que eles têm é falta de vontade, pois a redução de tachos afecta-os directamente.

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  2. E as mordomias multiplicadas por 230 não dão o mesmo resultado se a multiplicação fosse por 90 ou 100, como é fácil de ver, falo em mordomias porque acabei de ler um texto no blog do Páscoa onde se mostra como estes parasitas se alimentam e a que preço.
    Amanhã está anunciado mais uma conversa do primeiro ministro, que ou muito me engano, ou será a sua (dele) vingança dos chumbos do Tribunal Constitucional, o gajo é vingativo como já demostrou.
    Um abraço
    Virgílio

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