quinta-feira, 25 de abril de 2013


 

          VINTE E CINCO DE ABRIL TRAÍDO

 

      Faz hoje 39 anos que aconteceu o dia mais feliz da minha vida. Lutei arduamente por ele. Para o conseguir paguei um duro tributo. As perseguições de toda ordem, nomeadamente de ordem política e profissional eram uma constante. Todos os anos o festejava. Mais de que qualquer outro; mesmo que dos entes mais queridos, pois ele representava tudo que eu desejava para um futuro melhor para a família que tinha constituído, era a porta aberta para um Portugal melhor para todos. Como eu, outros “ingénuos” assim pensavam, não admitindo sequer que o inimigo de sempre estava ainda vivo e à espreita de uma nova oportunidade para atacar.

      Hoje, desiludido, já não o festejo. Se o fizesse não festejaria o “meu” 25 de Abril mas sim o de quem o tomou de assalto; o perverteu. Recuso-me a bater palmas à fome, ao desemprego, à corrupção, ao abandono dos idosos, ao desprezo pelo esforço dos jovens que tiram os seus cursos para ficarem em casa às sopas dos pais por falta de emprego, a uma pseudo-liberdade que outra coisa não é que uma ditadura camuflada; não bato palmas a um futuro incerto; não festejo a opulência de uns que contrasta com a miséria de muitos outros. Não, eu isso não faço. Se o fizesse seria tão porco de sentimentos como são aqueles que eu condeno.

      “Este 25 de Abril” morreu. Assassinaram-no. Ardeu. Agora só espero que nas suas cinzas germine outro mais sério, menos oportunista, mais duradoiro. E esse desiderato será possível se algum dia o povo tomar consciência de que a solução está nas suas mãos, começando a ser ele a “fazer” os políticos que quer para governarem o País, e não aceitar políticos que “fazem” o povo que querem para se governarem a si próprios. É tempo de dizer: “Basta de traidores”!

 

 

Vinte e cinco de Abril, um marco distante,

As portas se abriram a um Portugal melhor,

Mas os vilões de sempre o tornaram pior,

E ejaculam ódios com ar trinfante.

              ======O======

Pairam no horizonte sombras da desgraça…

Fantasmas se cruzam no nosso destino,

Promessas que não passam duma trapaça,

Do ódio e da vingança fizeram o seu hino!...

              ======O======

Ouvem-se ao longe os sons da Liberdade.

Tão longe que hoje estão quase esquecidos…

Sonhos traídos por falsas promessas…

Trabalho, amor e pura fraternidade

Foram riquezas já subtraídas,

Temos um país virado das avessas.

 

Por Albertino da Costa Veloso.

4 comentários:

  1. Na minha página do Facebook, eu estou de luto pelo meu/nosso país, no meu Blog "Figueira Minha", as minhas 2 televisões estarão desligadas durante os discursos dos mentirosos, quem não respeita não merece respeito! Foram valores que me foram ensinados.
    VIVA O 25 DE ABRIL DE 74

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  2. Quando o «mais alto magistrado da Nação, bota discurso no que seria suposto ser a casa da Democracia, e que ano após ano se recusa a colocar na lapela aquilo que simboliza esta data memorável, está tudo dito quanto á democraciazinha que por aqui está instalada.
    Um abraço
    Virgílio

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  3. Chegamos ao fundo do poço!
    É mais um capítulo da História de Portugal que não sinto o mínimo prazer de ter partilhado.

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  4. Porque não vivo o dia-a-dia em Portugal, o melhor mesmo será não opinar sobre o 25 de Abril... Muito embora a opinião geral dos emigrantes e/ou ex:retornados seja que a Revolução dos Cravos foi um desastre completo, que não serviu os interesses do País, e pior ainda, dos portugueses.

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