domingo, 16 de dezembro de 2012

POESIA PACÓVIA


                 POESIA PACÓVIA

      Hoje, para desopilar, deu-me para isto… Não é para fazer “concorrência” ao Eduardo, porque esse tem lugar cativo nesta tribuna. É tão só para desintoxicar o espírito, demasiadamente poluído pelos acontecimentos dos últimos tempos. Não quero (porque não sou capaz…) enveredar pela presunção de que chegou a altura de revelar dotes de poeta ou lá o que é que se chama a alguém que num determinado momento se aventura a construir umas tantas palavras que rimam. O que me impele para esse tipo de comunicação é o choque que certas situações me provocam, que expressá-las de outra forma se me afigura menos estimulante para as consciências adormecidas. Abordarei, assim, quadros dispersos do quotidiano, aqueles que mais me feriram (e ferem) a atenção e para os quais eu gostaria de chamar também a atenção de todos, com especial destaque dos políticos.

VAGABUNDO

      Passava eu num espaço público de Lisboa e vejo um – dos muitos que enxameiam este País – sem-abrigo estendido no chão, coberto de algumas folhas de cartão, único agasalho ao seu alcance. Parei junto a ele, tirei-lhe algumas fotografias e prossegui o meu caminho ruminando estas palavras:

 

Dorme, vagabundo, dorme…                 

Esquece a hipocrisia enorme

Que grassa por este mundo.

Mas com falinhas de veludo

Fazem-te esquecer tudo

Dorme, dorme, vagabundo. 

 

                                                          

 O teu lar é a rua

 Dormes no chão… onde calha

 És pária, és escumalha

 Mas a culpa não é tua.

 

Vota “neles”, vai tendo fé,

Vai pensando que ainda contas…

És tolo porque descontas

O cinismo dessa ralé.

 

ISTO É UM ASSALTO!!!

      Paro… olho para trás… e que vejo? Um percurso pejado de dificuldades de toda a ordem; olho para o presente e… tenho medo do futuro. Sinto que estou a ser despudorada e desumanamente assaltado. E…

 

Ao pensar que já estou velho,

E tanto penei na vida,

Põe-me agora este fedelho

Neste beco sem saída!        

      

 Que país este, meu deus,

 Infestado de comilões?  

 Mentirosos e ladrões,

 Que matam o povo à fome.

  Pobre à mesa já só come

  O resto dos fariseus.

 

Olho à direita… está tudo feio!

À esquerda… feio está!

Do centro tenho receio,

Já não sei para onde vá.

 

 Todos bons a prometer…

  Mas a cumprir nem por isso…

  O que querem é comer

  Do porco? Nem um… chouriço.

 

Nesta pocilga infernal,

Neste beco sem saída

Onde os porcos tratam mal

A quem lhes dá a comida.

                                                                                                                                            

2 comentários:

  1. Vai p'raqui uma trafulhice pegada!
    Eu li isto ontem e agora aparece de novo com a data de hoje! E a de ontem não está em lado nenhum, mas a data de Sábado 15 de Dezembro ainda aparece ao rolar a página para baixo!
    Mas àparte a formatação, os versos não envergonham ninguém. Se eu fosse capaz de fazer aí uns 50 como este publicava um livro.

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  2. Espetacular prosa! Eu sabia que era amigo dos galos, mas não sabia que era assim tão inimigo destes abutres que nos caíram no poleiro!
    Estou a ver que ainda tinha forças para a rajada!

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