POESIA
PACÓVIA
Hoje, para desopilar, deu-me para isto… Não é para fazer “concorrência”
ao Eduardo, porque esse tem lugar cativo nesta tribuna. É tão só para
desintoxicar o espírito, demasiadamente poluído pelos acontecimentos dos últimos
tempos. Não quero (porque não sou capaz…) enveredar pela presunção de que
chegou a altura de revelar dotes de poeta ou lá o que é que se chama a alguém
que num determinado momento se aventura a construir umas tantas palavras que
rimam. O que me impele para esse tipo de comunicação é o choque que certas
situações me provocam, que expressá-las de outra forma se me afigura menos
estimulante para as consciências adormecidas. Abordarei, assim, quadros
dispersos do quotidiano, aqueles que mais me feriram (e ferem) a atenção e para
os quais eu gostaria de chamar também a atenção de todos, com especial destaque
dos políticos.
VAGABUNDO
Passava eu num espaço público de Lisboa e
vejo um – dos muitos que enxameiam este País – sem-abrigo estendido no chão,
coberto de algumas folhas de cartão, único agasalho ao seu alcance. Parei junto
a ele, tirei-lhe algumas fotografias e prossegui o meu caminho ruminando estas
palavras:
Dorme,
vagabundo, dorme…
Esquece a
hipocrisia enorme
Que grassa
por este mundo.
Mas com
falinhas de veludo
Fazem-te
esquecer tudo
Dorme,
dorme, vagabundo.
O teu lar é a rua
Dormes no chão… onde calha
És pária, és escumalha
Mas a culpa não é tua.
Vota
“neles”, vai tendo fé,
Vai
pensando que ainda contas…
És tolo
porque descontas
O cinismo
dessa ralé.
ISTO É UM
ASSALTO!!!
Paro… olho para trás… e que vejo? Um
percurso pejado de dificuldades de toda a ordem; olho para o presente e… tenho
medo do futuro. Sinto que estou a ser despudorada e desumanamente assaltado. E…
Ao pensar
que já estou velho,
E tanto
penei na vida,
Põe-me
agora este fedelho
Neste beco
sem saída!
Que país este, meu deus,
Infestado de comilões?
Mentirosos e ladrões,
Que matam o povo à fome.
Pobre à mesa já só come
O resto dos fariseus.
Olho à
direita… está tudo feio!
À esquerda…
feio está!
Do centro
tenho receio,
Já não sei
para onde vá.
Todos bons a prometer…
Mas a
cumprir nem por isso…
O que
querem é comer
Do
porco? Nem um… chouriço.
Nesta
pocilga infernal,
Neste beco
sem saída
Onde os
porcos tratam mal
A quem lhes
dá a comida.
Vai p'raqui uma trafulhice pegada!
ResponderEliminarEu li isto ontem e agora aparece de novo com a data de hoje! E a de ontem não está em lado nenhum, mas a data de Sábado 15 de Dezembro ainda aparece ao rolar a página para baixo!
Mas àparte a formatação, os versos não envergonham ninguém. Se eu fosse capaz de fazer aí uns 50 como este publicava um livro.
Espetacular prosa! Eu sabia que era amigo dos galos, mas não sabia que era assim tão inimigo destes abutres que nos caíram no poleiro!
ResponderEliminarEstou a ver que ainda tinha forças para a rajada!