CONVERSA EM VERSO
Hoje apetece-me conversar com o nosso
amigo Eduardo (embora todos possam aplaudir ou apupar) da forma que se segue:
Nunca prestámos p’ra nada.
Pese embora o q’alguns dizem…
Esta Pátria arruinada
‘stá farta de que nos pisem.
=====HH=====
Vamos hoje ao Alentejo
Conversar com o seu povo
Bem olho mas pouco vejo
Do que por lá vai de novo.
=====HH=====
Alentejo foi celeiro
De Portugal noutros tempos.
Deu cortiça e dinheiro,
Escravatura e tormentos.
=====HH=====
Depois os ventos viraram,
A’sperança voltou a nascer…
Arre macho que m’enganaram
Já retomaram o poder!!!
=====HH=====
O vinho é hoje o oiro
Dum Alentejo perdido.
O trigo já deu o’stoiro
Pobre povo que continuas,
Agora já sem charruas,
Mas ainda “espremido”.
=====HH=====
Alqueva, a grande esp’rança
Dum Alentejo feudal,
Uma parte de Portugal
Que parou e não avança.
=====HH=====
Foi dinheiro que s’enterrou,
Outros dirão: submergiu.
Raça desta nunca se viu
A estragar o que é do povo,
Povo que tanto esperou
Que nascesse um país novo.
=====HH=====
Sol’scaldante nas planícies,
Dum Alentejo imenso,
Tenho náuseas quando penso
Que foram os latifundiários
Com as suas canalhices
Nos forçavam a fadários.
=====HH=====
Pagando parcos salários,
Enquanto eles, gente rica
Que faziam gastos vários
E p’ra nós diziam: “Estica”!
=====HH=====
Esticar o quê, meu Deus?
Se não dava p’rò “pitrol”
Ti João ponha no rol,
Quando receber logo pago.
O mê patrão Zé Mateus
Foi passear a Chicago.
=====HH=====
Chicago ou Conamaim,
Eles faziam tudo que queriam.
Esta país era assim,
Uns gozavam, outros gemiam.
=====HH=====
Será que algo mudou?
Ou não passa de miragem…
O poder já retomou
Quem nos volta a pôr à
margem.
=====HH=====
Ainda que de passagem,
Curta mas destruidora,
É um fartar vilanagem
Para trás fica a desgraça
Mas pensa a elite devoradora:
Com o tempo tudo passa.
Um abraço para todos e bom
domingo.
O Eduardo vai ficar todo babado com tão largo poema sobre o seu Alentejo.
ResponderEliminarE a mim compete-me dizer que cada um que aparece é melhor que o anterior.
Parabéns!
Numa conversa desanimada
ResponderEliminarEncontrei Albertino Veloso
Por causa de tanta cambada
A pensar anda desgostoso!
No meu Alentejo o recebi
De braços abertos
Conversa em verso li
São planícies e não desertos!
Terra do bom trigo
E da boa bolota
Maçã, pêra e figo
Na quinta da Carlota!
Em Portel os enchidos
Na Vidigueira o branquinho
Em Estremoz os chouriços
No Redondo o bom vinho!
Mais para sul a cortiça
Medronho em Monchique
Em Odemira a linguiça
Ovelhas e cabras em Ourique!
A barragem de Campilhas
Regas os arrozais
No campo o uso de forquilhas
Arados haviam mais!
Havia a monda e ceifa
Do sobreiro se extrai a cortiça
Sem colchão se dormia na esteira
Faria doer as costas, chiça!
Como é que o Tintinaine adivinhou
Se não és bruxo nem adivinha
A passear pelo meu Alentejo já andou
De bicicleta nua encontrou um pombinha!
Lá para as bandas do Alqueva
Num estrada de terra batida
Uma moça levada breca
Na bicicleta a pedalar toda despida!
Amigo Albertino Veloso
Foi um prazer ter conversado consigo
No Alentejo, o montado de sobro
Do porco preto o bom chouriço!
Farinha de trigo bom pão
As papas de farinha de milho
A miséria grande preocupação
Havia abelhas e mel no cortiço!
Bom fim de semana, e obrigado
pela homenagem ao Alentejo.
Um abraço
Eduardo.
Embora com uma semana de atraso, aqui vai o meu aplauso, o que aqui se diz, servia que nem uma luva á minha Região, que não é Alentejo, antes Estremadura, mas como País pequeno, não divergia muito de Região para Região, eles, os comilões estavam disseminados por todo o lado, agora andam transvestidos de políticos.
ResponderEliminarUm abraço
Virgilio