domingo, 20 de janeiro de 2013

CONVERSA EM VERSO


              CONVERSA EM VERSO


      Hoje apetece-me conversar com o nosso amigo Eduardo (embora todos possam aplaudir ou apupar) da forma que se segue:

Nunca prestámos p’ra nada.
Pese embora o q’alguns dizem…
Esta Pátria arruinada
‘stá farta de que nos pisem.
          =====HH=====
Vamos hoje ao Alentejo
Conversar com o seu povo
Bem olho mas pouco vejo
Do que por lá vai de novo.
          =====HH=====
Alentejo foi celeiro
De Portugal noutros tempos.
Deu cortiça e dinheiro,
Escravatura e tormentos.
          =====HH=====
Depois os ventos viraram,
A’sperança voltou a nascer…
Arre macho que m’enganaram
Já retomaram o poder!!!
          =====HH=====
O vinho é hoje o oiro
Dum Alentejo perdido.
O trigo já deu o’stoiro
Pobre povo que continuas,
Agora já sem charruas,
Mas ainda “espremido”.
          =====HH=====
Alqueva, a grande esp’rança
Dum Alentejo feudal,
Uma parte de Portugal
Que parou e não avança.
          =====HH=====
Foi dinheiro que s’enterrou,
Outros dirão: submergiu.
Raça desta nunca se viu
A estragar o que é do povo,
Povo que tanto esperou
Que nascesse um país novo.
          =====HH=====
Sol’scaldante nas planícies,
Dum Alentejo imenso,
Tenho náuseas quando penso
Que foram os latifundiários
Com as suas canalhices
Nos forçavam a fadários.
          =====HH=====
Pagando parcos salários,
Enquanto eles, gente rica
Que faziam gastos vários
E p’ra nós diziam: “Estica”!
           =====HH=====
Esticar o quê, meu Deus?
Se não dava p’rò “pitrol”
Ti João ponha no rol,
Quando receber logo pago.
O mê patrão Zé Mateus
Foi passear a Chicago.
          =====HH=====
Chicago ou Conamaim,
Eles faziam tudo que queriam.
Esta país era assim,
Uns gozavam, outros gemiam.
          =====HH=====
Será que algo mudou?
Ou não passa de miragem…
O poder já retomou
Quem nos volta a pôr à margem.
          =====HH=====
Ainda que de passagem,
Curta mas destruidora,
É um fartar vilanagem
Para trás fica a desgraça
Mas pensa a elite devoradora:
Com o tempo tudo passa.

Um abraço para todos e bom domingo.
                

3 comentários:

  1. O Eduardo vai ficar todo babado com tão largo poema sobre o seu Alentejo.
    E a mim compete-me dizer que cada um que aparece é melhor que o anterior.
    Parabéns!

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  2. Numa conversa desanimada
    Encontrei Albertino Veloso
    Por causa de tanta cambada
    A pensar anda desgostoso!

    No meu Alentejo o recebi
    De braços abertos
    Conversa em verso li
    São planícies e não desertos!

    Terra do bom trigo
    E da boa bolota
    Maçã, pêra e figo
    Na quinta da Carlota!

    Em Portel os enchidos
    Na Vidigueira o branquinho
    Em Estremoz os chouriços
    No Redondo o bom vinho!

    Mais para sul a cortiça
    Medronho em Monchique
    Em Odemira a linguiça
    Ovelhas e cabras em Ourique!

    A barragem de Campilhas
    Regas os arrozais
    No campo o uso de forquilhas
    Arados haviam mais!

    Havia a monda e ceifa
    Do sobreiro se extrai a cortiça
    Sem colchão se dormia na esteira
    Faria doer as costas, chiça!

    Como é que o Tintinaine adivinhou
    Se não és bruxo nem adivinha
    A passear pelo meu Alentejo já andou
    De bicicleta nua encontrou um pombinha!

    Lá para as bandas do Alqueva
    Num estrada de terra batida
    Uma moça levada breca
    Na bicicleta a pedalar toda despida!

    Amigo Albertino Veloso
    Foi um prazer ter conversado consigo
    No Alentejo, o montado de sobro
    Do porco preto o bom chouriço!

    Farinha de trigo bom pão
    As papas de farinha de milho
    A miséria grande preocupação
    Havia abelhas e mel no cortiço!

    Bom fim de semana, e obrigado
    pela homenagem ao Alentejo.

    Um abraço
    Eduardo.

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  3. Embora com uma semana de atraso, aqui vai o meu aplauso, o que aqui se diz, servia que nem uma luva á minha Região, que não é Alentejo, antes Estremadura, mas como País pequeno, não divergia muito de Região para Região, eles, os comilões estavam disseminados por todo o lado, agora andam transvestidos de políticos.
    Um abraço
    Virgilio

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