domingo, 7 de julho de 2013

OS LATIDOS DO CHACAL


OS LATIDOS DO CHACAL

 

Numa passagem pelo Cantinho do Tintinaine, no espaço para os comentários, deparo com umas suinices escritas num Português a rondar um analfabetismo chocante, que nada tinham a ver com a matéria abordada pelo Carlos Manuel Silva, que se referia a uma fotografia do (então) 1º Tenente Zilhão, ao tempo comandante das Instalações Navais dos Portos do Lago Niassa (a designação não é o mais importante).

Eis, o que encontrei no meio dos comentários:

25 de Junho de 2013 às 03:04

AnónimoEx-Fuzo (3 comissoes no papo) disse...

Li num blog d'um ex-fuzo (o Animal fez 4 comissoes),mas pelo que diz devia de estar no Paiol dos géneros ou deve de estar num estado de demença muito avançado.
Aqui vai sua confissao : sempre fui pela Independencia de Moçambique ! Como é possivel fazer uma carreira Militar se os Principios sao contra.Os tipos da Pide eram uns Santos a comparar com este demente !
Como dizia meu Avô: abrir a boca para entrar merda ou sair moscas,mais vale ter o "cu" fechado !
16491

Conhecendo como julgo conhecer os ex-camaradas de armas e comissões, concluí que de todos nós, 4 comissões, só eu as fiz. Logo, o anónimo cobarde – que se calhar nem me conhece – resolveu naquela noite, talvez num pretenso ajuste de contas com a Marinha ou com os Fuzileiros, bolçar o veneno das suas frustrações acumuladas ao longo da sua vida, quer militar quer civil.

Pensei e repensei se deveria ou não responder a este senhor (se é que se pode atribuir a designação de senhor a um verme). Ignorá-lo, como se faz às coisas inúteis, talvez fosse melhor. Mas eu, que pautei sempre a minha honra pela luta contra os crápulas, disse para comigo: calado é que não vais ficar. E aqui estou eu pronto a dissertar sobre todos os pontos de que fui alvo e a seguir dar-lhe a resposta adequada.

O “Animal” a que se refere fez 4 comissões e em nenhuma delas esteve no Paiol de Géneros. Nas 3 primeiras andou sempre a bater com o “coirão” no mato ou no mar, e só a última, já com 40 anos, é que esteve na secretaria. O mesmo não poderá dizer o autor das baboseiras, porque deve ter sido dos tais que andava sempre dispensado de todo o serviço e os colegas é que teriam de ir para as operações por si, uma prática muito comum nos golpistas e maus camaradas.

Sobre o meu estado de “demença” (aconselho-o a ir frequentar uma escola nocturna  para aprender a escrever DEMÊNCIA) devo dizer-lhe que sempre que escrevo estou na posse duma perfeita lucidez, ao contrário do ”Ex-fuzo com 3 comissões no papo” que, à hora em que cuspiu o seu chorrilho devia estar etilizado ou sob o efeito de outros produtos não menos susceptíveis de provocar distúrbios mentais.
Sempre fui, sim, a favor da Independência de Moçambique. A favor dum Moçambique (assim como de outros territórios) governado por gente capaz, independentemente da pigmentação da epiderme, mas com uma preparação prévia de nunca menos de 2 anos, para assumir com êxito o cargo da governação. E o facto de eu ser militar não me retira a faculdade de pensar pela minha cabeça, de saber distinguir o bem do mal, qualidade que escapa aos robots que as mães pariram para andarem por aí puxados pela trela…
Acredito que sinta alguma nostalgia dos “santos da PIDE”. Da forma veemente como os defende, “bons serviços” lhe deve ter prestado. Infelizmente a Marinha em geral e particularmente os fuzileiros tinham os seus “bufos”, que por via dessa qualidade canalha eram protegidos, pois a missão primordial que tinham, para onde fossem, cingia-se à recolha de” informações que pudessem interessar para a Defesa do Estado” e comunica-las. E assim se arruinaram muitas carreiras, famílias e lares. Após o “25 de Abril”, data que os saudosos abominam, muitos foram expulsos ou saneados, outros apressaram-se a ir-se embora com receio das retaliações, e outros, ainda, passando pelas malhas da protecção que continuou, foram ficando. “Três comissões no papo” que devem ter sido feitas permanentemente a caminho das consultas nos hospitais da cidade e os camaradas que fossem para o mato, que os relatórios a enviar aos “santos da PIDE” estavam em primeiro lugar. O amor tem destas coisas: um acontecimento com que não esperariam (porque eram tansos) separou-os. Agora, que a prática política apresenta contornos do antigamente, julgam chegado o momento do reencontro e para isso há que ir enfeitando o ramo, lavar a imagem e preparar o regresso. Sonhar ainda é permitido…
Eu não queria dizer tanto; nem queria dizer nada. Mas queria agir. À maneira como eu gostaria. E como ele merece. Fazê-lo passar por maus momentos pela insolência, má educação e falta de respeito seria o caminho a seguir. Porém até essa atitude preferi rejeitar, porque também eu desceria ao seu nível. Assim, optei por deixar de comentar neste espaço para não ter que tropeçar em excrementos de javali que dum momento para o outro surgiu dum chafurdo qualquer a conspurcar uma área que até aqui foi frequentada por pessoas civilizadas. Pessoas amigas (cada qual com as suas divergências obviamente) que continuam a tratar-se da maneira que sempre se trataram. Vou deixar aos meus amigos a promessa de continuar a visitar o Cantinho do Tintinaine e todos os sítios por onde andem e eu possa lá entrar e espero que me compreendam e me perdoem eu não fazer comentários nem blogues. Marquemos encontro no facebook. O meu abraço para todos.
 
 

 

 

  

2 comentários:

  1. Pessoalmente, nunca fui a favor da Independência das nossa colónias, de outra maneira nunca teria sido voluntário para os Fuzileiros, porém, passados quase 40 anos aprendi que "a democracia" obriga-nos a respeitar a opinião alheia e ponto final.

    ResponderEliminar
  2. Mais uma lição de bom Português, sem medos como convém em Democracia, não sou parte nesta «refrega» mas apraz-me lembrar que foram precisamente os Militares que combateram nas Ex-Províncias Ultramarinas que levaram a cabo o fim da ditadura, e consequentemente a Independência a essas Ex Províncias Ultramarinas! Resumindo o Senhor não está só nessa cruzada da Independência das Ex-Colónias Portuguesas no que respeita aos Militares ao tempo das Guerras Coloniais, muitos deles arriscaram a cabeça para que essa Independência fosse possível, e a nossa Liberdade também, como Português devo-lhes isso.
    Um abraço
    Virgílio

    ResponderEliminar