domingo, 13 de janeiro de 2013

AO "NOVO FUZILEIRO"


               AO “NOVO FUZILEIRO”

      Neste cruzador superiormente conduzido pelo “comandante” Caros Manuel da Silva, mais conhecido por esta “guarnição” pelo Tintinaine, considero um dever fraternal destacar um elemento, não só pela sua fidelidade como, principalmente, pela sua humildade posta no modo como fala da vida no “seu” Alentejo, qualidades que muito o valorizam. Estou a referir-me ao “Fuzileiro” Eduardo Nunes, “Edumanes”, a quem destino o arrazoado que se segue:
Este Eduardo no seu jeito
De contar suas histórias
Acende apagadas memórias
Que nos merecem respeito.
           =====HH=====
Pobreza não é defeito
Trazida do ventre da mãe.
Defeito é se alguém
Nasceu rico e ficou pobre.
Porque esbanjou a eito
Aquilo que encontrou,
Gastou porque era nobre,
Depois a mama secou.
        =====HH=====
Roubado ou o pai herdou,
E assim os bem-nascidos
São ricos sem o ganharem,
 Estoiram até se fartarem,
Já morreu quem lho deixou,
Choram porque estão falidos.
          =====HH=====
Vendo-se depois perdidos
Num mundo que eles criaram
Não quiseram, não guardaram
Para o dia de amanhã,
Cegos com a esperança vã
De que o bem nunca acaba
Agora, entre ais e gemidos
Sentem que o mundo desaba.
          =====HH=====
Riqueza não é só dinheiro,
Ouro, prata e jóias.
Ter bem cheio o celeiro
À custa de torpes tramóias.
          =====HH=====
Há na vida outras bóias
Que bem podemos usar.
Não entrando em rambóias
Pode o barco naufragar.
Nesta vida tudo muda
E o que é bom também se esvai.
Se não há quem nos acuda
De certeza o mundo cai…
          =====HH=====
Pior de que ser pobre
É ser ladrão e desonesto.
Digo eu, que também presto
P’ra condenar quem encobre
Falcatruas e bandalheiras
De gente que quer ser rica
Mas obriga a passar larica
Com as suas roubalheiras.
          =====HH=====
Eduardo, meu amigo
Por favor, preste atenção:
Somos filhos duma Nação
Que nos quer pôr na miséria,
Que nos sujeita a um castigo
Sem dó nem comiseração.
Olhe qu’isto é coisa séria…
Nunca vi tanto ladrão.
          =====HH=====
Também fui dos que pedia pão
E a minha mãe me dizia:
Olha, filho, não há mas um dia
Irás ter o pão que quiseres.
Terás garfos e colheres
E comida com fartura.
Tem fé que o ladrão
‘inda vai ter vida dura.

    Os meus amigos desculpem, todos sabemos que o Eduardo merecia melhor mas… olhem… fiz o que sei.

3 comentários:

  1. Sem dúvida... O Eduardo está sempre em cima da hora.

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  2. Já estou a ver o Eduardo todo babado a ler estes versos do nosso mais experiente companheiro que tem mais jeito para estas lides do que nos quer fazer crer.
    E eu vou ali buscar um guardanapo para limpara as beiças, porque essa de ser o comandante do cruzador pôs-me a babar também.
    Parabéns e um abraço!

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  3. Os meus aplausos!
    O nosso novo Fuzileiro/Poeta, merece!
    O meu abraço à poesia, para a qual não tenho jeito!

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