A GUARNIÇÃO DO TINTINAINE
Esta guarnição, comandada pelo Almirante Tintinaine (a subida de posto é
merecida), é tão grande e diversificada que dá para ser dividida em várias
equipas, algumas das quais fragmentadas por esse mundo fora, cabendo-me a
felicidade de estar integrado na melhor, se me é permitida a jactância. A
ligação mais ou menos estreita entre os seus componentes é de tal ordem quase
afectiva que os sucessos e os desaires de uns incomodam de certo modo os restantes.
Poderia dizer-se até que todos conhecem - ainda que seja uma pequena parte - o
que cada um faz diariamente. Isso é patente nas manifestações de solidariedade
expressas nos comentários trocados entre si, quer se trate de dar resposta a
trabalhos publicados por cada um, quer seja por se ter conhecimento de que
alguém teve ou atravessa problemas na sua vida. Digamos que todos nós, cada
qual à nossa maneira, constituímos uma espécie de clínica onde uns procuram
tratar as alegrias e as tristezas dos outros. E que melhor forma de tratamento
para os que há muito galgaram a barreira dos “entas” senão o avivar-lhes a
memória de tempos e locais distantes, factores contributivos para dar algum
sentido à vida? Pode ser inserida neste intróito uma prosa da lavra do Eduardo
que titulou de Os Sonhos de Albertino Veloso, que viriam a dar origem a
comentários vários que deveras me tocaram. Em resposta quis deixar também o meu
modesto comentário no espaço habitual, que ninguém veria. Receando essa mais
que garantida certeza, decidi responder aqui da maneira que se segue:
Todo aquele que tem amigos
Destes não está sozinho.
Tem refúgio, tem abrigos
Sente o sabor dum carinho.
=====H=====
Esquece que já é um fardo,
Dá à vida algum sentido,
Tendo por amigo o Querido
E o apoio do Eduardo.
=====H=====
Tintinaine, o comandante,
Deste grande cruzador
Leva por seu ajudante
O atento Observador.
=====H=====
Ora diz-me com quem andas
Que eu te direi quem és.
Podes crer que não desandas
Se andares com o Moisés.
=====H=====
Assenta bem no chão os pés
Veste o hábito de acólito.
Leva contigo o Hipólito
Sem receio dum revés.
=====H=====
Laranjeira, o sensato,
Nas apreciações que faz
Também o Filho da Escola
Que sem favores nem esmola,
Mesmo lá do seu recato
Mostra do que é capaz.
=====H=====
Valdemar, longe, na Austrália
O Verde por Trás-os-Montes,
Falta a minha prima Eulália
Pra’nimar estes bisontes…
=====H=====
Bisontes no bom sentido…
Peço desculpa se passa
Alguém sem ser referido.
.
Bisonte, animal de raça
Indomável, destemido
Só uma forte desgraça
O levará de vencido.
=====H=====
Eu não sei o que seria
De mim sem vocês todos
Por certo que andaria
A saltar pedras e lodos
Sinto já o qu’antes temia:
Uma vida sem engodos…
=====H=====
Têm p’la fraternidade
Seus desígnios primeiros.
São defensores da verdade
Ou não fossem fuzileiros…
Um abração a todos.
Um destes dias vou ter que me concentrar e arrancar uns versos de jeito para não ficar atrás desta malta que tem queda para isto.
ResponderEliminarE então estes do nosso camarada Veloso, personalizados e tudo, tocam a gente lá mesmo no fundo.
Obrigado pela parte que me toca nesta homenagem e espero continuar a merecer a honra de tomar conta do leme desta embarcação.
Um abraço!!!
Os meus sinceros agradecimentos, por se ter lembrado do Páscoa Querido, não posso esquecer nunca, o agora por si promovido "Tintinaine", pois foi graças a ele que 45 anos depois, através dos maravilhosos convívios que organiza, nos podermos abraçar e recordar tempos da nossa juventude como fuzileiros, acho que já lhe disse uma vez que desconhecia este seu lado poético, MARAVILHA!
ResponderEliminarO meu grande abraço
Um por todos e todos por um. Foi assim nos Fuzileiros... Um abraço das Antípodas.
ResponderEliminarCom algum atraso, aqui vão os meus agradecimentos ao Amigo Veloso por me incluir nesta Nau, como diz e bem, pilotada superiormente pelo Almirante Tintinaine, qual arca de Noé, que nos vai salvar a todos deste dilúvio em que vivemos.
ResponderEliminarUm abraço
Virgilio